<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822</id><updated>2012-02-06T13:51:27.087-03:00</updated><category term='Contando Ninguém Acredita'/><category term='Jornalismo'/><category term='Corrupção'/><category term='Variedades'/><category term='Pequenos Flagras'/><category term='Cenas do Cotidiano'/><category term='Bobagens Antológicas'/><category term='Política'/><category term='Mulheres'/><category term='Economia'/><category term='Capitalismo'/><title type='text'>AS CRÔNICAS DO JOÃO</title><subtitle type='html'>Um Voyeur do Cotidiano</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>156</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-7395796007044183848</id><published>2012-02-05T21:31:00.002-03:00</published><updated>2012-02-05T22:51:01.894-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Burocracia</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-ycyg04xxj10/Ty8ess983pI/AAAAAAAACic/lyJmIwrkoiI/s1600/freedom.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5705813006235786898" src="http://4.bp.blogspot.com/-ycyg04xxj10/Ty8ess983pI/AAAAAAAACic/lyJmIwrkoiI/s400/freedom.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 228px; margin: 0 0 10px 10px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; ano era 2005 e eu tinha acabado de entrar na universidade. Iria cursar jornalismo. No Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Alagoas, estava sendo realizada a semana do estudante de comunicação. Numa das salas, havia uma palestra com o professor de Filosofia Ivo Tonet. O tema, se não me engano, era “Socialismo ou Barbárie”. Ou alguma coisa assim. Não lembro bem. O certo mesmo é que o assunto me interessou por razões científicas, ideológicas, apaixonantes e, obviamente, por ser uma encruzilhada extremamente atual. Para ser mais exato, esta é uma questão que nos inquieta desde a época em que o King Kong era apenas um sagüi, como diria metaforicamente o poeta sertanejo Jessier Quirino.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Num determinado ponto da palestra, o professor argumentou:&lt;br /&gt;- O futuro da humanidade depende do triunfo de uma revolução socialista mundial. Do contrário, prosseguindo com o capitalismo, iremos todos para a barbárie. – fez uma rápida pausa e continuou – Uma revolução não é um processo necessariamente violento. Mas a contra-revolução, sim. A burguesia vai querer retomar o que perdeu; mais precisamente aquilo que nos roubou. Diante disso, os trabalhadores precisam pegar em armas para defender suas conquistas e a revolução. Nestas condições, uma guerra civil é inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o professor Ivo Tonet terminou sua exposição, um rapaz franzino levantou-se e pediu para fazer uma pergunta.&lt;br /&gt;- Professor – começou ele – mas não há nenhuma possibilidade de haver uma revolução pacífica?&lt;br /&gt;- Veja bem – fez uma parada cínica e teatral – talvez haja uma maneira pacífica de tomar o poder. Podemos elaborar um ofício e enviar para a burguesia, solicitando em nome do proletariado que ela pare a exploração, entregue a propriedade privada e deixe o poder. Não creio que vamos obter sucesso. Mas fique à vontade para tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava ao lado do rapaz que fez a pergunta. Quando ele sentou, ainda pude ouvi-lo murmurar:&lt;br /&gt;- Eu sabia que era um problema de burocracia...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-7395796007044183848?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/7395796007044183848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=7395796007044183848' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7395796007044183848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7395796007044183848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2012/02/burocracia.html' title='Burocracia'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ycyg04xxj10/Ty8ess983pI/AAAAAAAACic/lyJmIwrkoiI/s72-c/freedom.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-1407717303609076299</id><published>2012-01-29T04:51:00.005-03:00</published><updated>2012-01-31T11:36:07.827-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Corrupção'/><title type='text'>A dignidade que nos roubam</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-i9atMt_Hm20/TyT6PJEmCbI/AAAAAAAAChI/ysj1zFb86wo/s1600/massacre-do-pinheirinho.gif"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5702958166198061490" src="http://1.bp.blogspot.com/-i9atMt_Hm20/TyT6PJEmCbI/AAAAAAAAChI/ysj1zFb86wo/s400/massacre-do-pinheirinho.gif" style="cursor: pointer; float: right; height: 279px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 365px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;T&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;odas as noites eu deito minha cabeça num travesseiro confortável, me espalho numa cama bem quentinha e durmo tranquilo, embaixo de um teto erguido com muito suor. É por ter uma casa que não estou sob as marquises ou ao relento no centro da cidade. É por ter onde morar que não preciso me cobrir com papelões ou fazer uma fogueira para me proteger do frio. É por ter um lar que acho bonito a chuva batendo na janela. É para este lugar que eu sempre retorno, ao final de cada dia de trabalho, desejando apenas o mesmo descanso daqueles que lutam para ganhar a vida honestamente. Minha casa não é nenhum palácio, não ocupa uma rua inteira do quarteirão, não possui ostentações desnecessárias. No entanto, é nela que abrigo o meu sossego, a minha paz. A casa de um homem, de uma mulher ou de uma família é um templo inviolável. É o local onde nos encontramos protegidos, seguros de que ali ninguém irá nos incomodar. A casa da gente, na verdade, é a última trincheira da nossa dignidade. Foi isso que roubaram dos moradores do Pinheirinho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O lugar levou oito anos para ser construído, mas virou pó em apenas quatro dias. Havia casas, igrejas, botecos, padarias. Havia seis mil pessoas, quase 1.700 famílias. Homens, mulheres, crianças, idosos. Havia gente morando no Pinheirinho. Entretanto, essa comunidade pobre de São José dos Campos viu de perto a Constituição ser rasgada, o direito à moradia ser ignorado e a dignidade humana ser violada. Não foi um terremoto, uma enchente, ou qualquer outra coisa que o valha. Pelas mãos da Justiça, do Estado e da polícia, seis mil seres humanos perderam tudo o que tinham; tudo aquilo que ergueram com as próprias mãos. Não. Corrigindo. Os moradores do Pinheirinho perderam mais do que isso. Mais do que televisores, camas, sofás, fogões, geladeiras. As balas de borracha (e até a munição letal), as bombas de gás lacrimogêneo, as viaturas, os cassetetes, os helicópteros e os tratores roubaram, na verdade, os sonhos de vida daquelas famílias. Gente igual a mim e a você. Tudo isso por um único motivo: garantir que a propriedade privada do bilionário Naji Nahas fosse respeitada. O Estado de São Paulo trocou as vidas de seis mil pessoas pelos negócios fraudulentos de um mega-especulador, já condenado por corrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco importava se crianças não teriam onde dormir, se mulheres e idosos ficariam amontoados em qualquer lugar. O que valia era cumprir a lei. E a lei disse que era legítimo desalojar famílias inteiras para beneficiar um homem rico e corrupto. E assim foi feito. Mas, por trás de cada disparo, cacetada e ato de violência, trabalhou a política. E a política é feita por homens que tem um rosto e uma classe. Nesse caso, por ratos que tem um rosto e uma classe. Em cada casa derrubada, em cada agressão cometida, havia a marca das mãos do governador Geraldo Alckmin, do prefeito Eduardo Cury e do PSDB, provando que as leis não possuem o mesmo peso social para todos. No julgamento do Estado, pesou mais o capitalismo, valeu mais a garantia da especulação imobiliária sobre um terreno onde viviam cerca de 1.700 famílias. O poeta Drummond, se fosse vivo, certamente diria outra vez: “As leis não bastam. Os lírios não nascem das leis.”. Um Estado Democrático de Direito que impede o direito à moradia de milhares de seres humanos não pode ter o direito de existir. Quando uma sociedade aplica leis injustas, é sinal de que precisa ser modificada. O caso Pinheirinho é a prova de que não há humanidade possível num mundo em que lucrar está acima de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calar diante de uma injustiça é covardia. Mas poder interferir, decisivamente, nessa injustiça, e não fazê-lo, é pior ainda. Quando meu filho crescer, ele saberá, assim como as próximas gerações, que um partido, de nome PSDB, expulsou trabalhadores pobres de suas casas para beneficiar um bandido, e que um outro partido, chamado PT, os abandonou à própria sorte. O Pinheirinho será eternamente uma pedra no sapato dos culpados e omissos. Em nossos corações, será sempre uma veia aberta, pulsando com força até o dia do acerto de contas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-1407717303609076299?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/1407717303609076299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=1407717303609076299' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1407717303609076299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1407717303609076299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2012/01/dignidade-que-nos-roubam_29.html' title='A dignidade que nos roubam'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-i9atMt_Hm20/TyT6PJEmCbI/AAAAAAAAChI/ysj1zFb86wo/s72-c/massacre-do-pinheirinho.gif' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-9075852524593256134</id><published>2012-01-22T15:50:00.000-03:00</published><updated>2012-01-22T16:44:59.722-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>O primeiro beijo</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-5nyBuosBYfs/TxxZlv9GbEI/AAAAAAAACgA/W7Eobtpns7M/s1600/primeiro%2Bbeijo.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5700529733406977090" src="http://3.bp.blogspot.com/-5nyBuosBYfs/TxxZlv9GbEI/AAAAAAAACgA/W7Eobtpns7M/s400/primeiro%2Bbeijo.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 233px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 312px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%; font-weight: bold;"&gt;E&lt;/span&gt;u devia ter uns oito anos, acho. Na rua em que eu morava havia uma garota linda. A casa dela ficava umas duas ou três depois da minha. Eu gostava de tudo nela. Do cabelo, dos olhos, do jeito de andar, da boca. Ah, a boca. Meu Deus, que boca! Ok. Tudo bem. Eu sei que era só uma paixonite de criança, daquelas que todo mundo tem na infância. Mas a verdade é que essas coisas costumam deixar estragos na vida da gente se não forem concretizadas. Eu sonhava em beijar aquela garota. Seria meu primeiro beijo e minha chance de começar em grande estilo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Um dia ela apareceu lá em casa. Tinha acabado de comprar um videogame e queria uns jogos emprestados. Na rua inteira, só eu possuía jogos do mesmo videogame.&lt;br /&gt;- João! Ô João! – ela chamou da porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui atender todo emocionado.&lt;br /&gt;- Tu podes me emprestar uns jogos? – perguntou ela.&lt;br /&gt;- Posso sim. Espera aí que eu vou pegar. – disse eu, tomando cuidado para não deixar a baba escorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi no caminho até o meu quarto que tive a ideia, soprada no meu ouvido pelo capeta. Era a chance. Peguei os jogos e voltei correndo. A casa em que eu morava possuía grades nas janelas e na porta. Quando ela já estendia o braço para pegar os jogos, dei meu lance de mestre. Puxando rapidamente a mão, eu disse:&lt;br /&gt;- Êpa! Calminha aí.&lt;br /&gt;- O que foi?&lt;br /&gt;- Só te empresto os jogos com uma condição.&lt;br /&gt;- Qual?&lt;br /&gt;- Quero um beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela hesitou um instante, olhando alternadamente para minha boca e os jogos em minhas mãos. Provavelmente, estava analisando todas as implicações daquele ato, pesando os prós e contras, os lucros e os prejuízos, verificando se algumas partidas de videogame valeriam o sacrifício. Por fim, se decidiu.&lt;br /&gt;- Tá. Tá bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eufórico, ajeitei meu biquinho por entre as grades da porta. Ela fez o mesmo, mas não sem antes contorcer o rosto numa careta. Demos um selinho rápido. Tive, porém, a impressão de que durou uma eternidade. Tá. Tudo bem. Eu sei que não foi nada romântico o que fiz. Meu primeiro beijo foi meio mercantilizado, admito. Uma espécie de escambo. Infelizmente, não comecei em grande estilo, como eu havia sonhado. Afinal, o que poderia fazer um garoto de oito anos num mundo que ensina, desde muito cedo, a vender, negociar e trocar tudo? Tempos difíceis e imorais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, entretanto, garanto que não faço mais. Palavra!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-9075852524593256134?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/9075852524593256134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=9075852524593256134' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/9075852524593256134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/9075852524593256134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2012/01/o-primeiro-beijo.html' title='O primeiro beijo'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-5nyBuosBYfs/TxxZlv9GbEI/AAAAAAAACgA/W7Eobtpns7M/s72-c/primeiro%2Bbeijo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-9063700708840011950</id><published>2012-01-16T00:04:00.000-03:00</published><updated>2012-01-16T00:04:26.910-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><title type='text'>Amigo íntimo</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JK8njPyi4Xg/TxOSejvvZcI/AAAAAAAACf0/IduNUWH20CU/s1600/Solit%25C3%25A1rio.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5698059007243019714" src="http://3.bp.blogspot.com/-JK8njPyi4Xg/TxOSejvvZcI/AAAAAAAACf0/IduNUWH20CU/s400/Solit%25C3%25A1rio.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 400px; margin: 0 0 10px 10px; width: 266px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%; font-weight: bold;"&gt;O&lt;/span&gt; meu melhor amigo é um homem que vejo todos os dias no espelho do banheiro da minha casa. Suas características físicas são estranhamente parecidas com as minhas. Tem uns olhos tristes, um sorriso tímido, sobrancelhas e lábios grossos, nariz delgado, uma calvície levemente acentuada e um corpo quase franzino. É um profundo conhecedor dos meus segredos mais íntimos e o único para quem posso confidenciar as minhas desilusões amorosas. Sinto-me à vontade com ele. É como se estivéssemos juntos desde o dia em que nascemos. Às vezes, ele se aventura como meu analista, vasculhando os vários cantos escuros e empoeirados do meu subconsciente. Procuramos conversar todas as manhãs em frente ao espelho. São diálogos abertos e naturalmente silenciosos. Ele tem um lado moralista que eu não valorizo muito, pois usa-o constantemente para reprimir algumas de minhas atitudes. Mas é apenas com ele que me vejo suficientemente bem para abrir meu baú secreto, onde guardo minhas ações mais nobres e os meus sonhos mais soberbos. Estamos misteriosamente presos um ao outro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Vez ou outra percebo as rugas que a vida me deixou, inúmeras linhas que traçaram no meu rosto a inevitável tristeza da transitoriedade do tempo. Esse meu amigo acompanhou boa parte da evolução natural de minha vida, com certeza presenciou fatos de inefável deslumbramento e de decadência moral. Ele sempre me pareceu um grande camarada, um sujeito decente. Comentamos minhas lembranças de forma bastante pessoal. Acho que ele me conhece melhor do que minha própria mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive uma infância mágica, açucarada pelas brincadeiras e infinitamente divertida. Ah! Como era bom brincar de esconde-esconde, polícia e ladrão, cabra-cega. Era-me permitido sonhar, habitar mundos inexistentes, ser o mocinho dos filmes de Bang-Bang, até mesmo percorrer toda a estrada de doces do tempo de criança era válido. A infância tinha um sabor inconfundível. Tinha um gosto de chocolate, ingrediente indispensável para a felicidade infantil. Já ouvi alguém dizer que a época de criança é a única em que se é feliz. Talvez seja realmente. Eu fui uma criança feliz e creio que meu amigo também tenha sido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que a adolescência é uma das etapas da vida que, definitivamente, deixa marcas irreversíveis. A própria natureza se encarregou de substituir a minha meninice por constantes festas hormonais produzidas pelo meu corpo. Passei a desfrutar as mudanças da idade com bastante apreço. Nunca pensei que pudesse ser tão prazeroso sentir aquele subjugado calor entre as pernas. Comecei a achar que as sensações concebidas por um certo órgão eram, de fato, as melhores possíveis. O menino que havia em mim começava a fazer as malas para partir. A libido resolveu que era hora de frequentar o meu corpo com mais assiduidade. Tomara que o meu amigo não tenha presenciado essa minha fase, pois, como eu havia dito antes, ele tem um lado moralista e, consequentemente, hipócrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que posso eu falar da minha vida de adulto? Não tenho lembranças vivas, apenas espasmos perdidos de uma época fria e monótona. Tive que me tornar um homem responsável, sério, cumpridor dos meus deveres, um cidadão padrão. Em suma, tive que arrumar um emprego. Meu trabalho era unir as pessoas separadas pela distância. Eu era carteiro. Eu aproximava as pessoas, mas não conseguia me aproximar delas. Custou-me caro acreditar que num mundo com alguns bilhões de habitantes ainda existisse um sujeito tão solitário como eu. Não casei nem tive filhos. Nunca descobri se o problema era comigo ou com o mundo, mas sei que é exatamente por isso que não gosto de lembrar de minha fase adulta. Quanto ao meu amigo, ele jamais fez objeções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre morri de medo da velhice. Eu achava que ficando velho me tornaria um inválido, um vegetal, ou até mesmo um indivíduo sem lucidez. Eu estava errado. A velhice me fez ver a vida por outros ângulos, fez com que eu me tornasse o homem sábio que não fui quando jovem. Foi justamente nesse período que iniciei minhas reflexões existenciais. O meu amigo – agora velho também – continuava do meu lado, sempre disposto a ajudar. Mas ainda havia algumas lacunas na minha vida que ele infelizmente não conseguira preencher. Tenho a ligeira impressão de que a vida não é nem tão boa nem tão ruim. Prefiro o termo mais ou menos. Talvez eu seja um pessimista, um problemático. O certo é que em breve partirei numa viagem sem volta. Tomara que seja no trem do qual Raul falou. Eu não sei se meu amigo virá junto, mas caso ele queira ficar eu sentirei saudades. Principalmente das vezes que ficamos ridicularizando as rugas um do outro. Que tolice! Elas são as mesmas! Espero que ele nunca encontre um amigo melhor do que eu, pois ele é o único que dá risadas das minhas anedotas ruins e o único que vê graça nessa minha vida sem graça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-9063700708840011950?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/9063700708840011950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=9063700708840011950' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/9063700708840011950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/9063700708840011950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2012/01/amigo-intimo.html' title='Amigo íntimo'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-JK8njPyi4Xg/TxOSejvvZcI/AAAAAAAACf0/IduNUWH20CU/s72-c/Solit%25C3%25A1rio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-4729185346234824141</id><published>2012-01-09T02:07:00.000-03:00</published><updated>2012-01-09T22:07:58.663-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Pra frente, Brasil!</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-c9sHbjK8HKs/Twp1loK3lDI/AAAAAAAACfc/ADJkZMu2NJc/s1600/Charge-Brasil-sexta-economia-do-mundo-Adriano.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5695493968062026802" src="http://2.bp.blogspot.com/-c9sHbjK8HKs/Twp1loK3lDI/AAAAAAAACfc/ADJkZMu2NJc/s400/Charge-Brasil-sexta-economia-do-mundo-Adriano.jpg" style="float: right; height: 225px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 0pt; margin-top: 0pt; width: 366px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%; font-weight: bold;"&gt;D&lt;/span&gt;ia normal no Brasil. Dois velhos conhecidos tomam café da manhã numa padaria. O assunto não poderia ser outro. Conversam sobre o “novo” momento econômico e político do país.&lt;br /&gt;- Viu ontem o jornal? Já não somos mais os primos pobres no mundo.&lt;br /&gt;- Não? Por quê? O povo ganhou na mega-sena por acaso?!&lt;br /&gt;- Não, nada disso. É que agora somos a sexta maior economia do planeta, rapaz! Nosso PIB chegou a 2,51 trilhões de dólares. Ficamos na frente até do Reino Unido! Não é fantástico?!&lt;br /&gt;- Sim, claro que é. Como também é fantástico o Brasil ter 16 milhões de miseráveis, mesmo sendo o sexto país mais rico do mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;- Ahhhh, não seja injusto. Vai dizer que as coisas não estão melhores?! A economia está crescendo, as pessoas comprando mais, o Bolsa Família dando certo. Você não vai me dizer que o Bolsa Família não está dando certo, vai?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt; - Se você acha mesmo que o Bolsa Família é a salvação da lavoura, então por que não troca o seu emprego pelo programa e vai viver com R$ 200?! Vai lá, esperto. As pessoas precisam é de emprego e bons salários, não de mixaria.&lt;br /&gt;- Também não é assim. Não precisa radicalizar. Com calma, tudo vai se ajeitando. Veja, por exemplo, o salário mínimo. Já pra esse ano a Dilma deu um aumento de 14%. Agora o salário é de R$ 622.&lt;br /&gt;- Sei. Só tá meio longe do valor que a Constituição prevê, né? Se a lei que beneficia o trabalhador fosse cumprida, o salário já deveria estar em mais de R$ 2.300. Isso só para garantir as necessidades mais básicas. Ora, se o meu país é a sexta maior economia do mundo, por que o salário mínimo não pode ser, pelo menos, o sexto maior do mundo?&lt;br /&gt;- Calma. Tudo ao seu tempo. Tem que esperar o bolo crescer.&lt;br /&gt;- O problema é que esse bolo vem crescendo há séculos, e nada de mandarem pra gente os melhores pedaços. Até agora só comi os farelos. Todos os governos deste país só tiveram uma coisa boa.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Terminaram.&lt;br /&gt;- Não diga isso. Não seja tão cruel assim. Olhe aí a saúde. A distribuição de remédios gratuitos contra a hipertensão aumentou mais de 200% no ano passado.&lt;br /&gt;- E tem mais é que aumentar mesmo! Cada política que o governo adota é um infarto que a gente sofre! E não vem com esse papinho de que a saúde pública melhorou, não, tá?! Se o SUS funcionasse direito, o Lula teria ido tratar o câncer dele lá.&lt;br /&gt;- E tomar a vaga de alguém do povo?! Ah, o que é isso, cara?! Sejamos racionais.&lt;br /&gt;- Claro. Sejamos racionais, sim. Da mesma forma que o Lula foi, quando não quis ser um dos 58 mil brasileiros que não conseguiram fazer radioterapia na rede pública, só no ano retrasado. Ou ainda uma das 80 mil pessoas que deixaram de realizar cirurgias de câncer exigidas pelos médicos. Médicos que, inclusive, estão cada vez mais em falta na saúde pública. Você sabia que o SUS tem quatro vezes menos médicos do que a rede privada?&lt;br /&gt;- Sério?&lt;br /&gt;- É. É sério, sim. O que não é sério é você ficar me falando que a saúde pública está melhor. Acorda, mané!&lt;br /&gt;- Certo. Tudo bem. Mas e a educação? A educação pública você não pode dizer que não teve avanços. Agora o negócio virou prioridade, meu caro. É instituto federal de ensino em todos os cantos do país, rapaz. Só não estuda quem não quer. E digo mais. Vamos entrar de vez na era da tecnologia digital. É a educação à lá Steve Jobs. Só esse ano, o governo já está programando a compra de 300 mil tablets para alunos da rede pública. E a meta é que cada estudante de escola pública tenha um aparelho.&lt;br /&gt;- Você sabe o que é um tablet?&lt;br /&gt;- Claro que sei. É um dispositivo assim, meio em forma de prancheta, que serve para acessar internet, ver fotos e vídeos, ler livros, jornais, revistas...&lt;br /&gt;- Não, não é isso, não. Tablet é o que você merece levar nessa sua cara, só pra deixar de ser besta. Como é que a educação pública pode ser prioridade num país que tem mais de 14 milhões de analfabetos, professores mal remunerados, escolas caindo aos pedaços e sem merenda? Você só pode ser um brincalhão. Tem escola que não sabe nem mesmo o que é luz elétrica e água encanada.&lt;br /&gt;- Ah, mas assim fica difícil demais. Pra você as coisas nunca estão boas. Só consegue ver o copo meio vazio.&lt;br /&gt;- Eu mesmo, não. Pra começo de conversa, eu não tô vendo nem o copo, meu amigo.&lt;br /&gt;- Olha aí! Desse jeito não tem condições. Parece mais um mau agouro. Vai dizer também que você não viu avanços no Brasil com o programa Minha Casa, Minha Vida? No ano passado, a Dilma anunciou a construção de mais dois milhões de casas. É ou não uma coisa boa?&lt;br /&gt;- Em um país com um déficit habitacional de mais de sete milhões de moradias e com 11 milhões de favelados?! Eu acho é muita cara de pau falar em dois milhões de casas. Sem contar que a maioria dessas construções é em condomínio de luxo, né? Moradia popular é a minoria.&lt;br /&gt;- Mas numa coisa você tem que concordar comigo.&lt;br /&gt;- No quê?&lt;br /&gt;- No cenário internacional, o Brasil hoje ocupa uma posição de destaque. A Dilma, além de ser a primeira presidenta da história do país, foi também a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU.&lt;br /&gt;- Grande coisa. Do que adianta ser a primeira nisso tudo daí, se o país ainda ocupa a 84ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano? Estamos atrás até mesmo da Bósnia, da Venezuela e do Peru.&lt;br /&gt;- Ok. Tudo bem. Desisto. Mas acho que você deveria ser mais otimista com o país. Afinal, nós vamos sediar a Copa e as Olimpíadas. Agora a gente vai pra frente!&lt;br /&gt;- Só se for pra frente do estádio vender cachorro quente. Porque entrar pra ver o jogo não vai ter como. Primeiro que eu não tenho R$ 1.500 pra pagar num ingresso de jogo de futebol. E segundo que, ao contrário de dinheiro, eu ainda tenho juízo. Nunca pagaria um valor desses pra ver essa seleção jogar. Hoje, nem no futebol dá pra dizer “pra frente, Brasil!”.&lt;br /&gt;- Sempre soube que você era um pessimista.&lt;br /&gt;- Pode até ser. Mas já ouvi alguém dizer que um pessimista é só um otimista bem informado. Agora, me faz um favor. Me avisa quando esse governo resolver dividir o bolo da sexta maior economia com a gente, tá? Bom dia pra você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-4729185346234824141?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/4729185346234824141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=4729185346234824141' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4729185346234824141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4729185346234824141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2012/01/pra-frente-brasil.html' title='Pra frente, Brasil!'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-c9sHbjK8HKs/Twp1loK3lDI/AAAAAAAACfc/ADJkZMu2NJc/s72-c/Charge-Brasil-sexta-economia-do-mundo-Adriano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-7001416257171989300</id><published>2012-01-02T00:01:00.000-03:00</published><updated>2012-01-02T23:24:49.483-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><title type='text'>Dois Brasis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_dufrFkEMsCo/R2_50ID6RsI/AAAAAAAAAIQ/vfXBmrWkPqA/s1600-h/articles-69712_ricos_pobres.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5147607573020165826" src="http://bp3.blogger.com/_dufrFkEMsCo/R2_50ID6RsI/AAAAAAAAAIQ/vfXBmrWkPqA/s320/articles-69712_ricos_pobres.jpg" style="float: right; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;N&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;ão sei se você sabe. Mas existem dois Brasis. Parafraseando um autor cujo nome não lembro, posso dizer que nos dividimos em dois grupos. Aqueles que têm mais jantares do que apetite e os que têm mais apetite do que jantares. Pode até parecer uma definição simplista demais. No entanto, isso não faz dela uma mentira. É claro que existe um evidente confronto de classes nisso tudo. Tratemos desses dois Brasis de maneira metafórica. Até mesmo porque – “nunca na história deste país” – uma metáfora foi tão real.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;Existe um Brasil chamado “doutor” Luiz Cavalcante Alves Calheiros Gomes de Moraes Sobrinho, que por motivos didáticos chamarei de doutor Luiz. Homem branco, dono de vários latifúndios, empresas, bancos e usinas, morador de um condomínio fechado e de alto luxo, o doutor Luiz também possui fazendas, chácaras, casas de praia e coberturas espalhadas pelo mundo todo. Sua fortuna pessoal está avaliada em torno de 70 bilhões de dólares. Sem falar, claro, nas contas secretas em paraísos fiscais. Além de tudo isso, o doutor Luiz também é um político de sucesso. Um parlamentar que constantemente aprova no Congresso Nacional leis que flexibilizam os direitos trabalhistas e favorecem os lucros de suas empresas. E eu nem preciso mencionar os casos de desvio de dinheiro público em que o doutor Luiz está metido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;Em contrapartida, existe outro Brasil chamado José da Silva. Mais conhecido na periferia como “Zé da Construção”. Co-habitante de um barraco no morro do Sururu (pois divide um único cômodo com a mulher, os filhos, os ratos e as baratas!), Zé da Construção é negro, pobre, miserável e não possui nenhuma propriedade em seu nome. Trabalha como ajudante de pedreiro numa construção em um bairro nobre da cidade. Mas nas horas vagas também faz uns bicos como encanador, eletricista e marceneiro. O único lazer do Zé da Construção é a cachacinha que toma com os amigos jogando sinuca nos finais de semana. Mas o Zé da Construção não é nenhum bobo, não! Conhece alguns de seus direitos e em determinados momentos até já chegou a se mobilizar em greves. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;O fato, senhoras e senhores, é que esses dois Brasis um dia tiveram seu encontro com a justiça. O doutor Luiz descuidou-se um pouco da segurança dos seus “esquemas”. Tsc, tsc. Aí já viu, né? Alguém deu com a língua nos dentes, veio o grampo do telefone, a câmera escondida. Doutor Luiz acabou virando manchete de jornal. As acusações que pesavam sobre sua cabeça eram as mais diversas. Desvio de verba pública, sonegação de impostos, estelionato, caixa-dois, tráfico de influências, compra de voto, trabalho escravo, formação de quadrilha, envolvimento com o narcotráfico, quebra de decoro, cárcere privado e até assassinato de fiscais tributários. Mas o doutor Luiz era branco, rico, parlamentar, tinha curso superior, muitas posses etc, etc, etc. Enfim, não foi preso. Não sentiu o peso das algemas. Nem entrou no camburão. Foram abertos vários processos. E todos, posteriormente, acabaram arquivados. Motivo: insuficiência de provas. O doutor Luiz teve apenas que renunciar ao seu mandato. Mas isso ele mesmo disse que não era problema. Iria se candidatar de novo no ano que vem. E voltaria à política “nos braços do povo”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;Com o Zé da Construção foi um pouco, digamos, “diferente”. O Zé tava com o salário lá da construção atrasado fazia tempo. Em casa já não tinha mais nada para comer. A mulher e os meninos viviam chorando de fome e de doença. O Zé estava aperreado. Não sabia nem o que fazer. Um dia, chegando no trabalho, descobriu que não ia mais ter trabalho. A empresa tinha dispensado todo mundo e não ia pagar nada. “Faliu!” – disseram para o Zé. E o dono? “Sumiu!” – completaram. O Zé desesperou-se. Saiu de lá se sentindo um ninguém. E se sentir um ninguém é uma merda. Entrou no primeiro bar que viu e bebeu todo o dinheiro que tinha. Uns míseros trocados. Chorou, chorou muito. Mas tinha de ir pra casa. Como? Com as mãos abanando? Sem levar nada para os meninos? Não podia. Saiu do bar disposto a fazer uma coisa que nunca tinha feito. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;“A dona daquela casa cria umas galinhas” – disse o Zé para si mesmo. Pulou o muro que dava para o quintal e deu de cara com as “bichinhas”. Abriu a portinhola do galinheiro e catou pela asa uma ave bem gordinha. Na saída, acabou derrubando umas gaiolas, cuias, canecos. Fez muito barulho. As luzes se acenderam e o Zé ouviu uns gritos. “É ladrão! É ladrão!”. Soltaram os cachorros. O Zé pulou de volta o muro numa pernada só. Com a galinha na mão, se pôs a correr em disparada. Na esquina, o vigia da rua já soprava com toda força o apito que tinha na boca. “Pega ladrão! Pega ladrão!” – gritava o vigia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;A polícia chegou rápido. E mais rápido ainda chegou até a casa do Zé. Não é difícil seguir o rastro de um homem correndo com uma galinha embaixo do braço. Os policiais entraram derrubando a porta do barraco. O Zé não teve tempo nem de correr. Foi logo arrastado para fora de casa. Juntou gente para ver. Chorando, a mulher e as crianças pediam para não levarem o Zé preso. Não teve jeito. “Bandido é bandido, dona. A Lei é igual para todos”. Bateram muito na cara do Zé da Construção. Assim, além de sangue, ele também perdia a dignidade. Depois, a agressão dos policiais a um homem desarmado seria justificada com a já conhecida frase: “O acusado reagiu à prisão.”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;O Zé conheceu pela primeira vez o fundo do camburão e o peso das algemas. Sentiu tanta vergonha que até mesmo o choro ficou engasgado, sem querer sair. Na delegacia, foi jogado numa cela com outros 50 presos. Todos uns ninguéns. Assim como ele. Negros, pobres, miseráveis. Desgraçados. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;O Zé foi levado para o presídio. Lá, aguardaria durante uns anos a data do julgamento. Depois esperaria mais uns tantos outros até cumprir a pena. Quando saísse, nunca mais arrumaria emprego e viveria infeliz o resto de seus dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;Mas nada disso aconteceu. Não deu tempo. O Zé morreu antes. Teve rebelião no presídio. Armada até os dentes, a polícia entrou atirando em todo mundo. “Era preciso manter a ordem.” – disseram mais tarde. Uma das muitas balas encontrou o Zé. E ele finalmente teve seu encontro com a justiça. E viu que ela não era cega. Sabia exatamente em quem estava atirando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;O Brasil chamado Zé da Construção provavelmente nunca leu Eduardo Galeano. Possivelmente uma parte dele nem sabe ler. Mas talvez não seja preciso. A conclusão é simples e dura. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;Nós, os ninguéns, somos os filhos de ninguém, os donos de nada.&lt;br /&gt;Nós, os ninguéns, custamos menos do que a bala que nos mata.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-7001416257171989300?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/7001416257171989300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=7001416257171989300' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7001416257171989300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7001416257171989300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2012/01/dois-brasis.html' title='Dois Brasis'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_dufrFkEMsCo/R2_50ID6RsI/AAAAAAAAAIQ/vfXBmrWkPqA/s72-c/articles-69712_ricos_pobres.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-2512172466803352018</id><published>2011-12-25T14:04:00.000-03:00</published><updated>2011-12-26T12:34:02.289-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>Ideia para uma história de Natal</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-C6qUh9JYrug/TvdYHNWhqtI/AAAAAAAACe4/41oSQyfBqCM/s1600/papai%2Bnoel.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690113535072381650" src="http://3.bp.blogspot.com/-C6qUh9JYrug/TvdYHNWhqtI/AAAAAAAACe4/41oSQyfBqCM/s400/papai%2Bnoel.jpg" style="float: right; height: 281px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; margin-right: 0pt; margin-top: 0pt; width: 354px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;É&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; noite. E Papai Noel viaja em seu trenó da Lapônia até o Brasil, puxado por suas renas. Pousa com segurança no telhado de uma casa e, cuidadosamente, entra pela janela. Uma vez dentro, dá de cara com o Robertinho e a Jandira.&lt;br /&gt;- Papai Noel! Você veio de verdade. – falam as crianças magricelas.&lt;br /&gt;- Pois é, garotada. Mas não posso demorar muito. Agora deixa eu ver aqui o que foi que vocês me pediram.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E o velho Noel começa a remexer nas cartas enviadas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt; - Você, Robertinho, me pediu uma cesta básica, não foi?&lt;br /&gt;- Isso mesmo.&lt;br /&gt;- Bom, filho, você deve ter percebido que esse ano a comida aumentou demais. Sendo assim, nesse Natal só vou poder te dar esta caixinha de chicletes. Toma aí.&lt;br /&gt;- E o meu presente, Papai Noel? – falou a Jandira.&lt;br /&gt;- Bem, o seu foi... deixa ver... um emprego pro seu pai, certo?&lt;br /&gt;- Foi isso sim, Papai Noel.&lt;br /&gt;- Mas vocês hein?! Só me pedem presentes difíceis, ora bolas! Olha, Jandira, não vai ter emprego pro teu pai, não. A crise econômica está aí, a recessão também. E o cenário é de demissões em massa. Eu mesmo já demiti metade dos meus duendes e dei férias coletivas pra seis renas.&lt;br /&gt;- Mas Papai Noel...&lt;br /&gt;- A gente não pode ter prejuízo nos negócios, entende? Alguém precisa pagar o pato. Mas faz o seguinte, Jandira. Pede pro seu pai pegar a caixa de chicletes que eu dei ao teu irmão e fala pra ele ir vender lá no sinal da esquina. Ok?&lt;br /&gt;- Mas Papai Noel...&lt;br /&gt;- Não tem “mas” nem meio “mas”. Agora deixem eu ir que já estou atrasado. Preciso entregar os presentes de alguns banqueiros e empresários. Feliz Natal pra vocês e até o ano que vem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-2512172466803352018?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/2512172466803352018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=2512172466803352018' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/2512172466803352018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/2512172466803352018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/12/ideia-para-uma-historia-de-natal.html' title='Ideia para uma história de Natal'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-C6qUh9JYrug/TvdYHNWhqtI/AAAAAAAACe4/41oSQyfBqCM/s72-c/papai%2Bnoel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-8594194314941401844</id><published>2011-12-18T19:07:00.001-03:00</published><updated>2011-12-19T15:19:29.861-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><title type='text'>Prefácio</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-style: italic; text-align: justify;"&gt;(O texto abaixo trata-se do prefácio que escrevi para um recente livro - &lt;b&gt;Crônicas do Nova Natal&lt;/b&gt; - publicado por jovens cronistas, alunos da professora Amanda Gurgel, sobre situações vividas no bairro em que eles moram e estudam: o Nova Natal, na Zona Norte da capital do Rio Grande do Norte. Foi um grande prazer escrevê-lo. Agora, é um grande prazer publicá-lo aqui em meu blog.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-m9ktdbX2J0s/Tu5iVLnNwAI/AAAAAAAACeI/5Z2ChAjtZpo/s1600/Alarcao-FolhaSP69.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5687591495449559042" src="http://2.bp.blogspot.com/-m9ktdbX2J0s/Tu5iVLnNwAI/AAAAAAAACeI/5Z2ChAjtZpo/s320/Alarcao-FolhaSP69.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 245px; margin: 0 0 10px 10px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; escritor Ariano Suassuna costuma dizer que “a literatura é uma forma de protestar contra a morte”. Gosto de citar essa frase sempre que me perguntam por que escrevo. Se existir é doloroso, abandonar a vida sem deixar&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt; registros deve ser ainda mais. Há outras razões que levam as pessoas a escreverem, claro. Mas, ao que me parece, o escritor também escreve para ser lembrado. Não necessariamente por um exercício de vaidade, e sim porque acredita que todo mundo deve passar pela vida e marcar suas digitais na história. Na verdade, quem escreve tem medo do esquecimento. E a morte não deixa de ser uma forma de ser esquecido. Por isso, escrever e fazer literatura, além de serem artes, são também maneiras de impedirmos que as pessoas se esqueçam de nós e do mundo que as cerca.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;É isso que faz o cronista. Esse é seu ofício, sua missão. A crônica é a possibilidade textual de evitar que os acontecimentos sejam esquecidos com o tempo. Ela, por si só, é um recorte de uma determinada época. Registra e impede que o tempo devore aquilo que os outros não puderam ver ou não olharam com a devida atenção. Neste livro, leitor, que você tem agora em suas mãos, os jovens cronistas da Escola Estadual Myriam Coeli, sob a orientação primorosa da professora Amanda Gurgel, apresentam seus retratos crônicos sobre a vida e o universo do bairro de Nova Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, você vai encontrar o absurdo, o incrível, o terrivelmente engraçado e o lamentável. Tudo através dos olhares juvenis e atentos daqueles que vivem e sofrem, no dia a dia, a ausência do poder público. A matéria-prima dos jovens escritores da professora Amanda não poderia ser outra: o próprio cotidiano. O cenário, claro, ônibus lotados, um bairro esquecido, esquinas perigosas, uma escola abandonada pelos políticos. Nestas pequenas histórias, a graça e a desgraça desfilam juntas com o divertimento e a indignação. Afinal, o riso, quando consciente, também é um protesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historiadores do cotidiano, fotógrafos daquilo que nos alegra e apavora todos os dias. Os cronistas do Nova Natal são motivo de orgulho. E de inveja também, já que estão publicando um livro de crônicas primeiro do que eu. Mas a vida é dura e bela, e quem escreve não pede licença. Escreve logo e pronto! Nestas páginas, estão os primeiros passos para a eternidade e, em cada linha, há um protesto contra o esquecimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;Dezembro de 2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-8594194314941401844?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/8594194314941401844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=8594194314941401844' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/8594194314941401844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/8594194314941401844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/12/prefacio.html' title='Prefácio'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-m9ktdbX2J0s/Tu5iVLnNwAI/AAAAAAAACeI/5Z2ChAjtZpo/s72-c/Alarcao-FolhaSP69.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-4958851321281535925</id><published>2011-12-12T02:02:00.000-03:00</published><updated>2011-12-13T12:18:20.124-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Dando corda ao relógio do mundo</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-nTS4NDmOlF4/TuWW6SSbRGI/AAAAAAAACXk/p6CYj2mM2J4/s1600/lioncc.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5685116032710820962" src="http://4.bp.blogspot.com/-nTS4NDmOlF4/TuWW6SSbRGI/AAAAAAAACXk/p6CYj2mM2J4/s400/lioncc.jpg" style="cursor: pointer; float: right; height: 208px; margin: 0pt 0pt 10px 10px; width: 349px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%; font-weight: bold;"&gt;T&lt;/span&gt;em uma frase do poeta Mário Quintana que diz: “Os que fazem amor não estão fazendo apenas amor: estão dando corda ao relógio do mundo.”. A chegada do pequeno João Gabriel na minha vida me fez pensar bastante sobre a questão. Quem deixa uma vida nestas terras deixa mais do que simplesmente um ser com identidade genética e semelhanças físicas. Deixa uma marca. Um desígnio de humanidade. Ter um filho é ter a chance de ser alguém melhor. Mas criar um filho é mais bonito. É experimentar a possibilidade de continuar existindo nos sonhos das gerações seguintes. Por inúmeras razões, muitas crianças são geradas sem nenhum tipo de sentimento de amor. Vem ao mundo e pronto. Na adoção, não. É um pouco diferente. Gerar não é o que define. Cuidar, criar e formar. Isso é o que basta. Adotar um filho é necessariamente um ato de amor. O pequeno João Gabriel é o meu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;“Filhos? Melhor não tê-los. Mas se não os temos, como sabê-los?”, questionava Vinícius de Moraes, repleto de razão. Não há como adivinhar. A experiência é insubstituível. Quem quiser saber o que é ter um filho precisa ter um. Esqueça a maioria das coisas que lhe disseram sobre bebês. Ainda mais se tiverem sido ditas por gente que nunca foi pai ou mãe. Pode-se até revelar um detalhe ou outro, mas nada como ter um filho em sua vida. Mesmo assim, as pessoas não deixam de querer compartilhar umas com as outras esse momento tão singular, o que nunca é demais. Primeira coisa: muda tudo. Do despertar ao adormecer. Mudam os dias e, principalmente, as noites. Seu sono jamais será o mesmo. Você ouvirá choros imaginários pela casa. A todo instante, irá ao berço verificar se a criança dorme perfeitamente. Passará a odiar todo e qualquer barulho, por menor que ele seja. Deixará de ser responsável apenas por sua própria vida. E quando reclamar para seus pais que a criança dá muito trabalho, receberá como resposta a irremediável sentença: “Relaxa, é só o começo.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pequeno João Gabriel, por incrível que pareça, tem me ensinado muito sobre o mundo e as incongruências da natureza. Nos primeiros dias como pai, fui convencido rapidamente de que crianças recém-nascidas deveriam vir com manual de instruções. É muito difícil identificar a razão do choro de alguém que ainda não sabe falar. Talvez uma variação no tom ajudasse. Uma tonalidade de pranto para cada necessidade seria ideal. Hoje já sei que recém-nascidos choram apenas por três grandes motivos. Fome, cólicas ou fralda suja. Pior do que isso só as três situações juntas. Aí é o Armageddon. Você não sabe para onde correr. A primeira vez que troquei uma fralda foi um momento de extraordinário espanto. Ao observar o tamanho do cocô, tive dúvidas sobre a origem do meu filho. Virei para minha companheira e disse:&lt;br /&gt;- Tem certeza de que não é um bebê elefante disfarçado de humano?&lt;br /&gt;- Não seja idiota, João. Limpe logo o garoto e não diga bobagem. Ora, bebê elefante. E o que seria a tromba?&lt;br /&gt;- Querida, não me faça responder. Já olhou o pinto desse menino?! É maior do que o meu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma criança traz mudanças avassaladoras. A chegada do João Gabriel fez de mim um homem mais sensível. Agora choro com qualquer coisa. Dia desses, enquanto dava a ele uma mamadeira, a televisão reprisava o clássico desenho O Rei Leão. Não segurei as lágrimas na hora em que o pai do Simba morreu. Tudo bem. Você pode até dizer que a cena é forte e que qualquer um choraria. Mas com certeza você não chora vendo a Ana Maria Braga preparando um pato no tucupi, e dizendo: “Solta os cachorros, menina!”. Eu choro, e ainda digo: “Que pato lindo, meu Deus.”. Estou muito sensível, sem dúvidas. Tão sensível que acho que estou sofrendo transformações no meu corpo. Ao menos três vezes, João Gabriel tentou abocanhar meu peito em busca de comida. Isso só pode ser um sinal. Ou eu estou parecendo a mãe dele ou preciso urgentemente emagrecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é só o meu pimpolho que tem dado lições. Eu também estou ensinando bastante ao João Gabriel. Trata-se, porém, de um aluno muito indisciplinado. Aprende apenas o que lhe é conveniente. Por exemplo: desde que chegou, tenho tentado ensinar que ele não é um morcego e que precisa dormir durante a noite. Em vão. Parece haver uma vocação inata no garoto para ser vigia noturno. Além disso, insiste em fazer na fralda apenas metade do xixi. A outra metade ele guarda para o meu rosto, no momento em que vou trocá-lo. Não deixa de haver certa inclinação ao mau-caratismo nesta atitude, já que depois de cada urinada em minha direção vem sempre um sorriso safado. Involuntário, provavelmente. Mas não menos safado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As grandes lições da vida, entretanto, eu estou guardando para quando ele for mais crescidinho. São três as mais importantes. 1ª) a burguesia fede. 2ª) o Flamengo é o maior time do mundo. 3ª) jamais coloque seus pais num asilo para velhos. João Gabriel já tem me dado mais alegrias do eu poderia imaginar. Hoje, minha casa, a existência e o mundo tem mais cores e significados do que jamais tiveram. A árvore da frente, por exemplo, em dez anos, nunca havia dado uma só flor. Dois dias depois da chegada do meu filho, ela floresceu numa surpreendente fúria amarela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi Deus. É apenas a vida pedindo passagem. Dando corda ao relógio do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-4958851321281535925?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/4958851321281535925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=4958851321281535925' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4958851321281535925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4958851321281535925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/12/dando-corda-ao-relogio-do-mundo.html' title='Dando corda ao relógio do mundo'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-nTS4NDmOlF4/TuWW6SSbRGI/AAAAAAAACXk/p6CYj2mM2J4/s72-c/lioncc.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-7965206598788818690</id><published>2011-11-13T21:24:00.000-03:00</published><updated>2011-11-13T21:24:05.715-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>Coçadinha</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-rNr7_pm3Vlw/TsBfElaAeNI/AAAAAAAACTQ/pCGz9MRvd8k/s1600/sorria.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5674640062852135122" src="http://1.bp.blogspot.com/-rNr7_pm3Vlw/TsBfElaAeNI/AAAAAAAACTQ/pCGz9MRvd8k/s400/sorria.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 298px; margin: 0 0 10px 10px; width: 212px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%; font-weight: bold;"&gt;Q&lt;/span&gt;uando temos febre, é sinal de que as coisas não andam muito bem. Podemos estar d&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;oentes. Há em nossa sociedade uma febre. Você já deve ter notado (se ainda&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt; não notou é porque é um tapado!) que somos vigiados em todos os lugares. As câmeras estão por toda parte. Quer dizer, por quase toda parte. O banheiro ainda é a última trincheira da privacidade. Mas o fato é que tem sempre alguém bisbilhotando a gente através das lentes das câmeras. Aquela história de que estão nos filmando para a nossa própria segurança é pior do que conto da carochinha. A única segurança que importa não é a nossa, é a das mercadorias que não podem ser roubadas. Nossa sociedade aprofundou de tal forma a desigualdade entre os homens que precisa vigiar a si mesma, em praticamente todas as situações. Este é apenas um dos sinais de nossa doença, os outros são ainda mais cruéis.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Mas o causo que quero contar é um pouco mais leve do que isso. Tem a ver com um grande atentado à privacidade, representado por estas lentes indiscretas. O Moisés, funcionário administrativo de uma repartição pública, sentiu na pele os efeitos da bisbilhotice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saindo do banheiro, quando retornava para sua sala, certo de que não havia ninguém olhando, o Moisés meteu a mão na bunda para dar aquela boa e velha coçadinha. Mas uma coçadinha com gosto mesmo. Depois, deu uma cheirada rápida na mão. Só para garantir que estava tudo bem. Olhou para os lados, e não viu uma só alma. Ficou tranquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na saída para o almoço, o Moisés cruzou com um dos seguranças da repartição. Todo efusivo, o segurança disse:&lt;br /&gt;- Grande Coçadinha! E essa mão aí, hein?!&lt;br /&gt;Na portaria, outro segurança fez o mesmo:&lt;br /&gt;- Olha a mão aí, ô Coçadinha! Grande cheirada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ninguém mais respeita o Moisés. Está até pensando em pedir transferência de departamento. É um tal de Coçadinha pra cá, Coçadinha pra lá. Cheiradinha aqui, Cheiradinha acolá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um horror.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-7965206598788818690?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/7965206598788818690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=7965206598788818690' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7965206598788818690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7965206598788818690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/11/cocadinha.html' title='Coçadinha'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-rNr7_pm3Vlw/TsBfElaAeNI/AAAAAAAACTQ/pCGz9MRvd8k/s72-c/sorria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-5971542142163499453</id><published>2011-11-06T19:45:00.000-03:00</published><updated>2011-11-17T22:46:24.264-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>Profissão</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-wL-r8OKiHoE/TrcMvuhCCZI/AAAAAAAACRk/EaI8w4dTGgA/s1600/Como-escolher-a-profiss%25C3%25A3o-correta.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5672016269776390546" src="http://2.bp.blogspot.com/-wL-r8OKiHoE/TrcMvuhCCZI/AAAAAAAACRk/EaI8w4dTGgA/s400/Como-escolher-a-profiss%25C3%25A3o-correta.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 300px; margin: 0 0 10px 10px; width: 300px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;- O&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; que o filhinho do papai vai ser quando crescer?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;Praticamente todas as crianças escutaram ou escutam essa pergunta de seus pais. O problema é que não se trata de uma mera pergunta. É um pacote completo. Já vem até com a respo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;sta. Parece haver uma vontade tácita em alguns pais de se verem realizados nos próprios filhos. Desejam que seus filhos tenham a vida profissional que eles não tiveram. E nisso consiste parte de nossas frustrações.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt; &lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;- O meu filho vai ser médico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;- O meu, advogado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;- E o meu será dentista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;Mesmo quando se tem a melhor das intenções, há sempre o risco de ceifar pela raiz os sonhos de uma criança. Meus pais sempre me disseram que eu tinha de passar por uma universidade, estudar para ser gente e coisa e tal. Queriam, na verdade, que eu fosse alguma coisa que pudesse ser chamada de “doutor”. De qualquer forma, quando eu era criança, eles me fizeram a famosa pergunta:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;- O que meu filho vai ser quando crescer?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;Aos seis anos, eu já tinha a resposta na ponta da língua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Quero ser motorista de caminhão de lixo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;Meus pais quase tiveram um troço. E fizeram de tudo para que meu sonho não se realizasse. Um crime. Hoje sou jornalista. Mas, vez por outra, me flagro pensando com uma pontinha de remorso: para onde poderia ter ido a minha vida? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-5971542142163499453?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/5971542142163499453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=5971542142163499453' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/5971542142163499453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/5971542142163499453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/11/profissao.html' title='Profissão'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wL-r8OKiHoE/TrcMvuhCCZI/AAAAAAAACRk/EaI8w4dTGgA/s72-c/Como-escolher-a-profiss%25C3%25A3o-correta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-2501981469514774709</id><published>2011-10-30T10:18:00.000-03:00</published><updated>2011-10-30T10:23:05.280-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>“Mandrake”</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-_xDy_UBnvqk/Tq1OEn5JfYI/AAAAAAAACOw/i_IM7iPKJqg/s1600/mandrake-magician.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5669273347264445826" src="http://3.bp.blogspot.com/-_xDy_UBnvqk/Tq1OEn5JfYI/AAAAAAAACOw/i_IM7iPKJqg/s400/mandrake-magician.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 210px; margin: 0 0 10px 10px; width: 200px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; gente sempre acha que já viu de tudo nessa vida. E é aí que mora o perigo. Na maioria das vezes, subestimamos a cota de bizarrices que cada um de nós possui. Certo professor de Língua Portuguesa, na tentativa de ganhar a simpatia de seus alunos, resolveu entrar numa popular brincadeira proposta pela turma da 6ª série. Se você foi uma criança normal, com certeza já brincou de “Mandrake”. Não lembra? É simples. Quem estiver brincando, precisa ficar o tempo todo com os dedos de uma das mãos cruzados. Do contrário, se alguém disser “Mandrake”, o participante que foi pego com os dedos descruzados não poderá se mexer até receber permissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ânsia de conseguir a confiança dos alunos, o professor entrou na brincadeira. Só teve um problema: ele levou tudo a sério demais. Dava aula com os dedos cruzados, escrevia no quadro com os dedos cruzados, corrigia as atividades da turma com os dedos cruzados. Tudo isso para não ser pego no “Mandrake”. Passou uma semana, e a brincadeira persistia. Nem ele nem os alunos se descuidavam.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Um dia, enquanto o professor escrevia no quadro, um menino chegou perto e disse:&lt;br /&gt;- Professor, posso ir ao banheiro?&lt;br /&gt;- Claro. Pode ir.&lt;br /&gt;Mal o garoto cruzou a porta e desceu as escadas, o professor se virou para a turma.&lt;br /&gt;- Agora eu pego ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saiu na ponta dos pés atrás do aluno. Esperou um pouco na porta do banheiro, depois entrou. O menino estava lavando as mãos quando foi surpreendido.&lt;br /&gt;- MANDRAKE! – gritou o professor.&lt;br /&gt;Como num passe de mágica, o pobre do moleque ficou paralisado.&lt;br /&gt;- Agora te peguei, malandro.&lt;br /&gt;- Pô, professor. Assim não vale, não.&lt;br /&gt;- Que não vale o quê, mané?! Você vai ficar aí paradinho.&lt;br /&gt;- Mas assim eu vou perder aula.&lt;br /&gt;- E o que é que eu tenho a ver com isso?&lt;br /&gt;- Ué, você é o professor.&lt;br /&gt;- Isso não quer dizer nada. Você deveria ter pensando nisso antes. Agora aguente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá se foi o professor de volta para a sala, deixando o aluno paralisado dentro do banheiro. Só depois do fim da aula foi que ele recebeu permissão para se mexer. O moleque já estava aos prantos quando o professor entrou.&lt;br /&gt;- Mas o que isso?! Chorando?! Você é um homem ou um pacote de amendoim?!&lt;br /&gt;- Sou um pacote de amendoim.&lt;br /&gt;- Frouxo! Sabe nem brincar. – sentenciou o professor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mandrake” não era pra qualquer um. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-2501981469514774709?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/2501981469514774709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=2501981469514774709' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/2501981469514774709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/2501981469514774709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/10/mandrake.html' title='“Mandrake”'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-_xDy_UBnvqk/Tq1OEn5JfYI/AAAAAAAACOw/i_IM7iPKJqg/s72-c/mandrake-magician.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-852036705721929228</id><published>2011-10-23T11:13:00.001-03:00</published><updated>2011-10-23T11:15:14.145-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Sobre cheiros, músicas e outras coisas</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4soBvGHrDqg/TqQggPau45I/AAAAAAAACNQ/r34scvL7QiU/s1600/tempo.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666689969405485970" src="http://1.bp.blogspot.com/-4soBvGHrDqg/TqQggPau45I/AAAAAAAACNQ/r34scvL7QiU/s400/tempo.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 320px; margin: 0 0 10px 10px; width: 243px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;É&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; engraçado como um sentimento nostálgico vai tomando conta da gente com o passar do tempo. À medida que nos afastamos do passado, começamos a sentir saudades de uma porção de coisas. Os amigos, o primeiro carrinho, a primeira namorada, os pais que se foram... Tudo. Tudo um dia faz falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As melhores definições sempre foram dadas pelos poetas. Mario Quintana definiu bem aquele aperto no peito que sentimos diante do passado: “A recordação é uma cadeira de balanço embalando sozinha”. A tecnologia nos permitiu registrar o tempo em pixels, mas não conseguiu evitar que ele nos escapasse por entre os dedos. Afinal, não podemos voltar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Nossas lembranças seguem nos acompanhando até o fim da vida. Como um mau hábito, uma cicatriz no peito, um cisco no entendimento. Vez ou outra o mundo nos permite o retorno a um passado longínquo. Uma fisgada no membro que já perdemos, como diria Chico Buarque. Mesmo que seja só por um breve momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cheiros. Você naturalmente já deve ter tido a experiência. Um cheiro que te consentiu uma pausa na loucura do dia-a-dia, um intervalo na esquizofrenia da vida. Cheiro de recreio de escola. O azulejo do pátio limpo e frio. Biscoitos, refrigerantes, doces e salgados. Gritaria. Corre-corre. É cheiro de recreio de escola!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fazia 4ª série num colégio de freiras. Minha mãe preparava a lancheira cuidadosamente, sempre tendo como referência a situação econômica do país. Em tempos de vacas gordas, bolo, biscoito recheado e refrigerante. Às vezes um danoninho. Em tempos de recessão, bolacha de água e sal e suco de acerola. No chão limpinho do pátio, eu forrava minha toalhinha, abria a garrafinha térmica e o depósito com biscoitos. Comia educadamente ao som de “meu lanchinho, meu lanchinho! Vou comer, vou comer! Pra ficar fortinho e crescer!” Eu gostava. Mas não há apenas boas lembranças dessa época. Havia também três garotos mais velhos da 8ª série. Eles eram maiores, usavam calças compridas, já tinham bigode e costumavam roubar o lanche dos menores. Fui muitas vezes vítima desses saqueadores.&lt;br /&gt;- Aê, pivete! Passa pra cá esses biscoitos! Rápido! – dizia o Robertinho, líder da gangue.&lt;br /&gt;- Não. Eles são meus. – respondia eu, timidamente.&lt;br /&gt;- Dá logo, moleque! E engole o choro! Se contar pra professora, a gente te bate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roubavam meus biscoitos e saíam correndo. Nunca pude fazer nada. Hoje, doze anos depois, eu ainda encontro o Robertinho na rua. Ele não me reconhece, mas eu jamais o esqueci. O fato é que estou pelo menos dez centímetros mais alto que ele, tenho barba e bigode vastos e ando com uma vontade imensa dizer “E aí, Robertinho? Lembra quando você roubava meu lanche?!” Acho que ele me reconhece sim, só não quer admitir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei vocês. Mas eu adoro cheiro de caderno novo. Me lembra a época, pouco antes do fim das férias, em que saíamos para comprar material escolar. Era tudo novo. Ano novo, roupa nova, vida nova... Ah! Caderno novo! Era um ritual. Eu ficava cheirando as folhas do caderno, sentindo o frescor do papel novo.&lt;br /&gt;- Para de cheirar isso, menino! – gritava minha mãe. – Vai acabar doente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitada dela. Só os que conhecem o cheiro sabem o que isso significa. Tem toda uma simbologia. Geralmente comprávamos o caderno novo no começo do ano, antes do início das aulas. As eufóricas esperanças no ano novo continuavam presentes, e as promessas ainda não haviam sido quebradas. “Esse ano prometo que largo a bebida”. “Vou fazer um regime!”. “Dessa vez é sério. Vou deixar de fumar”. As promessas de princípio de ano duram só alguns meses. Basta apenas as atribulações cotidianas ocuparem novamente nossos dias para as promessas desaparecerem. O caderno novo é uma representação, uma alegoria sobre a vida. O cuidado excessivo com as coisas dura enquanto durar o cheiro de novo. Ou enquanto durarem as euforias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, é claro que existem cheiros que me trazem angustiantes reminiscências. Álcool, por exemplo. O cheiro forte de álcool me lembra prova mimeografada. Se você tem menos de quinze anos, provavelmente não conheceu um mimeógrafo. Era uma rústica máquina à base de álcool e papel carbono. Na minha época de escola, praticamente todas as provas eram mimeografadas. A tensão e a ansiedade que eu sentia na hora de fazer as provas ficaram na minha cabeça associadas ao cheiro do álcool. Hoje, basta sentir o cheiro que me vem logo um friozinho na barriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como os cheiros, as músicas também exercem certos efeitos sobre nós. Existem pessoas que são capazes de relatar etapas da própria vida usando apenas músicas.&lt;br /&gt;- Tá ouvindo, Juvenal?&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- A nossa música. Tá tocando.&lt;br /&gt;- E daí?&lt;br /&gt;- Como assim “E daí?”, Juvenal?! É a nossa música! Tava tocando quando a gente se conheceu naquele baile. Você lembra? Noite mais linda. Besame, besame mucho. Como si fuera esta noche la ultima vez...&lt;br /&gt;- Para com essa zoada, Maria! Música mais horrorosa! Tá. Tá bom. Desculpa, vai. Não precisa chorar. Olha, não fica zangada. Ei, aonde você vai?! Maria, larga já essa faca! Calma aí, amorzinho. Socorro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carinhoso, do Pixinguinha, me faz lembrar de uma garota por quem fui apaixonado durante alguns anos na escola. Me lembro do ano, do dia e da hora em que a vi pela primeira vez. Era 1996, segunda-feira, 07h15min da manhã. Por alguma razão maluca que desconheço, a música acabou marcando essa época. Sempre que ouço, lembro dela. Qual era o nome da garota? Isso eu não lembro. Perdemos completamente o contato, o que por um lado foi positivo. Evitou o vexame.&lt;br /&gt;- Oi! Quanto tempo! Tá lembrado de mim? – ela perguntaria.&lt;br /&gt;- Claro! Como poderia esquecer?!&lt;br /&gt;- Então qual é o meu nome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que eu esquecesse, devia ser um nome muito feio. Desses de dar cãibra na língua. Agora, cá entre nós, efeito devastador mesmo quem me causa é o francês. Não consigo ouvir nada em francês sem pensar em safadeza. Tenho certeza de que não terei problemas com impotência sexual. Ao menor sinal de falha no sistema, bastará ouvir francês. Ne me quitte pas, por exemplo. Funciona melhor que viagra. Eu mesmo não posso escutá-la em público. Por motivos óbvios, claro. Na minha idade, certos comportamentos são reprováveis. E certas lembranças, impublicáveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-852036705721929228?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/852036705721929228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=852036705721929228' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/852036705721929228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/852036705721929228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/10/sobre-cheiros-musicas-e-outras-coisas.html' title='Sobre cheiros, músicas e outras coisas'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4soBvGHrDqg/TqQggPau45I/AAAAAAAACNQ/r34scvL7QiU/s72-c/tempo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-3678312940668791031</id><published>2011-10-16T19:14:00.000-03:00</published><updated>2011-10-16T19:14:40.283-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Invenções</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-CGvVD5STfxc/TptWseK-9oI/AAAAAAAACJI/rlxkypoNobw/s1600/patent_an_invention.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664216278361896578" src="http://1.bp.blogspot.com/-CGvVD5STfxc/TptWseK-9oI/AAAAAAAACJI/rlxkypoNobw/s400/patent_an_invention.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 269px; margin: 0 0 10px 10px; width: 269px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%; font-weight: bold;"&gt;F&lt;/span&gt;ico intrigado com a engenhosidade humana quando observo tudo o que inventamos até hoje, seja para satisfazer as necessidades mais básicas ou mesmo as mais estapafúrdias. Incrível essa capacidade do homem de modificar o ambiente em benefício próprio, criando objetos que não existiam antes de precisarmos deles. E o mais curioso: depois dos muitos inventos e melhoramentos que fizemos em nosso planeta, a vida tornou-se praticamente impensável sem eles. Nos primórdios da humanidade, por exemplo, quando mal tínhamos descido das árvores e a sobrevivência era ainda mais difícil do que é hoje (mas pelo menos não havia imposto de renda), o homem das cavernas enfrentou sérias dificuldades para poder abrir um simples coco. Batia numa pedra ali, batia em outra acolá. E nada. Até que resolveu colocar seu cérebro primitivo para funcionar. Uniu um toco de madeira a um pedaço de pedra lascada, amarrou os dois com cipó e... “Voilà!”. Surgia o primeiro machado da História, e nunca mais tomar água de coco foi um martírio. Melhor do que o machado para abrir coco só mesmo o vendedor de água de coco. Facilitou ainda mais a vida. Mas o importante é que, depois de nossa primeira invenção, não paramos mais. A cada nova necessidade, uma nova criação. E estamos assim até hoje.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Descobri que sou um entusiasta de tudo aquilo que a humanidade criou para melhorar a própria vida. Mas só me dei conta disso quando passei a ficar mais atento ao que faço no dia a dia, tanto no lazer quanto no trabalho. A roda, por exemplo. Já parou para pensar que quase tudo ao seu redor tem a ver com a roda ou pelo menos com o princípio básico do movimento circular? Engrenagens, polias, parafusos, portões automáticos, ventiladores, relógios, bicicletas, trens, carros e por aí vai. A roda está presente em praticamente todos os dispositivos mecânicos que se tem conhecimento. Há quem diga que é a maior invenção humana de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com certa razão. Sem ela, os egípcios não teriam erguido as pirâmides, os romanos não teriam feito as melhores estradas e nós não teríamos levantado casas e edifícios. Além disso, se não tivéssemos inventado a roda, ainda estaríamos levando uma eternidade para percorrermos grandes distâncias. Bom, é verdade que por causa da roda nós também criamos os engarrafamentos e o carro com 351 cavalos, sendo 350 no motor e um ao volante. Mas imagine o mundo sem a roda. Imaginou? Pois é. Não sairíamos do lugar. Muito embora, quando estamos num congestionamento, a sensação é uma só: quanto mais rodas existem, menos nós andamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de uma infinidade de invenções, você deve ter as suas preferências. Eu tenho as minhas e não consigo me imaginar nesse mundo triste e hostil sem elas. Depois da roda, sou um fã disparado da escada rolante e do controle remoto. Não tenho dúvidas de que as melhores ideias são as que utilizam conceitos simples para resolver problemas complexos. Imagine o transtorno que seria a vida hoje sem a escada rolante (o mesmo vale para o elevador). Convenhamos: ter de subir lances e mais lances de escadas até chegar ao local desejado é estafante. Veja que ideia visionária foi esta de criar uma escada inclinada que rola para cima ou para baixo, mantendo sempre os degraus na horizontal. Você sobe num degrau e este te leva, sem esforço algum, ao topo da escada. Conforto, rapidez e simplicidade. É por isso que desconfio que a preguiça seja o motor de muitas de nossas invenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O controle remoto é um exemplo clássico. Com tanta porcaria na TV, ninguém aguentaria levantar e sentar diversas vezes, nos breves momentos de descanso, só para mudar de canal. O controle remoto é a extensão do dedo humano, é a continuidade dos desejos televisivos, é a representação de nossa busca incansável pela preguiça absoluta. O mesmo acontece com a geladeira e o macarrão instantâneo. Pensem no tempo economizado e nas vidas preservadas se o homem das cavernas já tivesse inventado a geladeira e o miojo. Não teria sido necessário caçar mamutes todos os dias, arriscando-se para ter o que comer e muitas vezes tendo de voltar para casa com as mãos abanando. Hoje, apenas a comida congelada e o macarrão de três minutos nos separam do Paleolítico, já que a barbárie da época é quase a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, guardo um carinho especial pelo controle remoto. Preciso admitir. Não imagino a vida sem ele. Esta fabulosa invenção, aliada a outros inventos imprescindíveis, como a cerveja em lata, o amendoim japonês, o futebol no domingo e a TV por assinatura, dá ao homem moderno a sensação de poder na palma da mão. Preguiça e ilusão a um clique. Bem ali, sem sair do sofá. Tenho ainda grande simpatia por muitas outras criações, mas me deixem citar só mais algumas que considero verdadeiras obras-primas. Particularmente, gosto bastante da funcionalidade do cotonete. Além de ser útil para limpar os ouvidos (em seguida vem a tampa da caneta bic), o cotonete é também o terceiro maior prazer individual do homem. Ou vai dizer que você não gosta daquela coceirinha boa, hein?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chuveiro elétrico, por sua vez, veio para salvar os povos da imundice no inverno ou pelo menos para rebater os argumentos daqueles que não gostam muito de tomar banho, a exemplo dos franceses, que agora não tem mais desculpas. Já a internet, o pen drive e o celular são capítulos à parte. Os dois primeiros nos colocaram no mundo digital e nos livram todos os dias das montanhas infindáveis de papel. Isso até sofrerem uma pane ou pegarem um vírus, fazendo você perder o trabalho de uma vida inteira. Por essa razão, ainda considero o livro indispensável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o celular? Fruto de uma ideia genial, o telefone surgiu para permitir a comunicação entre duas ou mais pessoas separadas por longas distâncias. Seria um invento dos deuses, não fosse pelas empresas privadas de telefonia e seus péssimos e caros serviços. Hoje o celular envia e-mail, toca música, exibe vídeos, fala quando você está deprimido e praticamente todas as pessoas possuem pelo menos um aparelho. Entretanto, quase ninguém tem créditos para fazer ligações, o que é bastante paradoxal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu até poderia ficar aqui enumerando uma porção de invenções que comprovam todo o engenho do homem. Mas não poderia terminar a lista sem citar a maior de todas as criações humanas, inclusive maior do que a roda e o controle remoto. O amor. Acho que o amor foi o que de melhor nós inventamos nesse mundo. É ele que nos deixa mais humanos e cheios de esperança todos os dias. É o amor pela humanidade que nos permite continuar caminhando para que, tão logo, a gente supere o Paleolítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, já ia esquecendo. Junto com o amor, os homens também inventaram a pieguice, uma especialidade deste humilde cronista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-3678312940668791031?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/3678312940668791031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=3678312940668791031' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3678312940668791031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3678312940668791031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/10/invencoes.html' title='Invenções'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-CGvVD5STfxc/TptWseK-9oI/AAAAAAAACJI/rlxkypoNobw/s72-c/patent_an_invention.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-6109670895068169329</id><published>2011-10-09T20:58:00.000-03:00</published><updated>2011-10-10T08:58:22.772-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><title type='text'>Por um sorvete</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-3QJFaOkkMhI/TpI2CsZG_pI/AAAAAAAACHc/cKXA7cq_1QE/s1600/charge5en3%255B1%255D.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5661647101462249106" src="http://1.bp.blogspot.com/-3QJFaOkkMhI/TpI2CsZG_pI/AAAAAAAACHc/cKXA7cq_1QE/s400/charge5en3%255B1%255D.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 220px; margin: 0 0 10px 10px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; hostilidade do mundo quase sempre nos obriga a viver numa sufocante solidão. Vivemos como a última gota de uma cachaça barata na garrafa de um Deus mendigo, onde constantemente nos encontramos perdidos e sós, mesmo cercados por algumas centenas de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É com tristeza que percebo o quanto o homem se afasta de si mesmo, se distanciando da essência da condição humana, numa crise de identidade que o levará para o vácuo das gargantas dos próprios demônios. Dia desses, contra minha vontade, pude comprovar o que digo hoje.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Infelizmente, para se entrar em um cinema é necessário entrar primeiro no shopping, ambiente extremamente artificial que dificulta bastante o discernimento entre o que é humano e o que é mercadoria. Já era final de tarde quando saí do cinema. Eu tinha ido ver um drama, nada muito cruel que mereça uma comparação com a realidade que nos envolve. Desci pela escada rolante me sentindo meio vazio, desatento e infeliz. De súbito, como se tivesse surgido de dentro do bolso de alguém, um garotinho apareceu em minha frente. Tinha os pés sujos, descalços e usava uma roupinha rasgada. Olhou-me com uma vivacidade que não era a mesma de sua voz minguada, e disse meio suplicante:&lt;br /&gt;- Tio, me paga um sorvete?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti como se tivessem me roubado todo o ar dos pulmões, parecia haver uma mão invisível a me apertar a garganta. Talvez fosse a mesma mão invisível que controla o mercado, aquela da qual Adam Smith falou. Devia estar sufocando o menino também, pois ele suplicou novamente:&lt;br /&gt;- Tio, me paga um sorvete?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondi sem ter a exata certeza do que dizia.&lt;br /&gt;- Pago, claro que pago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigi-me com o garoto a um quiosque bem a nossa frente. Era um McDonald’s. Tive um momento de indecisão político-ideológica que logo fora esmagado pelo alvoroço feliz que se instalou no rosto do moleque. Ainda assim era um conflito. Shakespeare diria que eu me encontrava entre a presa e o dragão. Se comprasse o sorvete, estaria contribuindo para o fortalecimento das paredes de nossa angustiante prisão. Se não o comprasse, possivelmente frustraria a miragem de felicidade do menino e ainda o deixaria com fome. Acabei pagando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos do garoto mal tocavam a parte superior do balcão. O balconista dirigiu-se a mim:&lt;br /&gt;- Pois não?&lt;br /&gt;- Um sorvete pra ele.&lt;br /&gt;- Só um minuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas senhoras ao lado deviam estar olhando com maus olhos o meu ato, assim como o balconista que também não conseguira disfarçar sua indiferença através de um sorriso malicioso no canto da boca. Aproveitei esse intervalo de tempo para conversar com o menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde está sua mãe?&lt;br /&gt;- Em casa.&lt;br /&gt;- E seu pai?&lt;br /&gt;- Também.&lt;br /&gt;- E o que é que você está fazendo na rua?&lt;br /&gt;- Arrumando dinheiro.&lt;br /&gt;- Foram seus pais que pediram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garotinho vacilou por um instante, provavelmente pensando no que responder. Acabou balançando a cabeça numa afirmativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava gelado, sentia um misto de desespero e revolta, algo me comprimia o peito. Uma mão. Uma mão invisível. Por estar distraído, não vi quando o segurança do shopping começou a puxar o moleque para fora. Acordado pelo esperneio do menino, intervi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Êpa! Pode deixar! Ele tá comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segurança virou as costas e saiu sem me olhar nos olhos. Muitos se sentiriam poderosos se tivessem feito o que fiz. Eu me senti impotente. Tudo que pude fazer para amenizar a situação foi afagar a cabeça do garoto, que me retribuiu o gesto com um sorriso tímido. Não sei ao certo o que senti, mas posso garantir que não se tratava de piedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paguei o sorvete e o entreguei ao menino, que ainda suplicante me disse:&lt;br /&gt;- Tio, me leva lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu o levei. Antes que ele corresse para se encontrar com seus amigos que o esperavam numa esquina, eu lhe adverti:&lt;br /&gt;- Não tome isso tudo sozinho pra não ficar doente, divida com seus amigos.&lt;br /&gt;- Tá, tio. Tchau!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei ali parado por uns instantes, não sabia exatamente o que fazer ou sentir. Estava com a cabeça cheia de pensamentos embaralhados, desnorteados, não tinha a exata certeza do que acabara de fazer. Eu deveria me sentir feliz? Deveria me sentir um homem? Um ser humano? Acho que não. Tudo aquilo tinha se mostrado muito pequeno. As relações sociais capitalistas haviam acabado de pagar R$ 2,00 pelo sorriso momentâneo daquela criança. Comecei a ficar um tanto triste, mas não desiludido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meu peito afloraram todos os tipos de sensações possíveis, menos aquela do dever cumprido. Amanhã aquele garoto amanheceria com fome de novo e a angustiante prisão ainda estaria nos sufocando com sua mão invisível, até o dia em que decidirmos amanhecer definitivamente humanos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-6109670895068169329?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/6109670895068169329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=6109670895068169329' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6109670895068169329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6109670895068169329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/10/por-um-sorvete.html' title='Por um sorvete'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-3QJFaOkkMhI/TpI2CsZG_pI/AAAAAAAACHc/cKXA7cq_1QE/s72-c/charge5en3%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-4515077812685453182</id><published>2011-10-03T01:19:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T09:58:36.753-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Agora sim!</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-bDzsGP_coVQ/Tok6bolFGjI/AAAAAAAAAxc/GrQi0Dq2Gcc/s1600/DSC08736.JPG" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://1.bp.blogspot.com/-bDzsGP_coVQ/Tok6bolFGjI/AAAAAAAAAxc/GrQi0Dq2Gcc/s320/DSC08736.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;D&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;essa vez foi pra valer. Não houve engano. Sem essa de me confundirem com out&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;ro escritor. Eu fui eu mesmo de verdade, para mim e para os outros. Estava ficando famoso realmente. O prelúdio da fama havia chegado e ninguém poderia me roubar esse momento. Finalmente eu possuía mais leitores do que os habituais seis fãs que lêem as minhas crônicas periodicamente, contando já com meus pais e meus dois irmãos. De certa forma eu até desconfiava que o reconhecimento fosse só uma questão de tempo. O problema era a quantidade de tempo. Felizmente, o começo tímido do sucesso chegou antes da morte, o que já é um consolo. Graças a um projeto da professora Amanda Gurgel, fui chamado para um bate-papo sobre o “ofício do cronista” com alunos do ensino médio, numa das escolas onde a educadora mais famosa do país na atualidade leciona.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Sou amigo dela. Podem morder os cotovelos de tanta inveja, mas um novo famoso, assim como eu, também deve estar cercado de gente famosa. É natural para quem já conhece Mário Prata, Fabrício Carpinejar e Marina Colasanti, muito embora eles não se lembrem de mim. Bom, mas o mais importante é que Amanda me disse que estava trabalhando o gênero crônica em suas aulas e que meus textos tinham sido utilizados como exemplos. Os pupilos, claro, foram à loucura (a modéstia é meu maior defeito). Adoraram as crônicas e queriam conhecer o autor. A professora resolveu, então, que seus alunos deveriam ter contato com um cronista de verdade. Como o cronista mais próximo era eu mesmo, o que não resultaria em nenhum gasto financeiro a mais para a escola, já que moro na mesma cidade, Amanda decidiu me fazer o convite. Aceitei na hora. Afinal, uma oportunidade dessas a gente não perde nem se estiver respirando por aparelhos no leito de morte. Seria a primeira vez que os alunos estariam diante de um escritor. E também seria a primeira vez que eu estaria diante de leitores dos meus textos, sem contar a minha esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por pouco mais de uma hora conversei com cerca de quarenta estudantes sobre uma porção de assuntos. Um verdadeiro bate-papo que me deixou muito à vontade e me fez matar o desejo de contar causos que contando ninguém acredita. Parecia que eu fazia aquilo há anos, quase no piloto automático. Falei sobre a história da crônica, sobre como penso no que vou escrever, sobre o que faz um texto ser uma crônica etc etc etc. Também respondi a perguntas e ouvi trechos de crônicas escritas pelos próprios alunos. Os textos vão até virar um livro, tamanha é a qualidade das produções. Além disso, fiquei lisonjeado em saber que muitos daqueles pequenos escritores tinham se inspirado em crônicas minhas para escrever as deles. Pensei em brincar e dizer que não era uma boa seguir o meu exemplo, mas não soaria honesto. Melhor que se espelhem em mim do que no Paulo Coelho. A modéstia ainda vai me matar. Ou me matam por causa dela. Poder conversar com quem gasta parte de seu tempo lendo as bobagens que escrevo é uma experiência que vou guardar com todo o carinho, sempre com um gostinho de quero mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que não poderia deixar de mencionar as cenas pitorescas que me aconteceram no momento em que vi a fama se aproximar de mim. Enquanto eu falava aos estudantes, notei muitos flashes de máquinas fotográficas sendo disparados. Não pude deixar de imaginar que tudo aquilo era o afã dos paparazzi procurando o meu melhor ângulo. Famoso, eles nunca mais me deixariam em paz. Andar nas ruas, agora, só disfarçado. Era o fim da privacidade. Mas foi só o delírio passar para eu me dar conta de que todos aqueles flashes vinham da câmera fotográfica da minha esposa, que não parava de tirar fotos. Não me deixei abater por isso, já que logo após o bate-papo várias alunas vieram tirar fotos comigo. Acho, inclusive, que o fato de o público feminino ter me procurado mais talvez denote que não sou apenas um bom cronista, mas também um rostinho bonito (ai, a modéstia...). E o que dizer dos autógrafos?! Simplesmente perdi a conta de quantos dei. Quer dizer, mais ou menos. Exagero meu. Dei uns dez, o que já é um bom começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram as dez vezes que mais assinei meu nome com prazer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-4515077812685453182?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/4515077812685453182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=4515077812685453182' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4515077812685453182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4515077812685453182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/10/agora-sim.html' title='Agora sim!'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-bDzsGP_coVQ/Tok6bolFGjI/AAAAAAAAAxc/GrQi0Dq2Gcc/s72-c/DSC08736.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-8545525985789327254</id><published>2011-09-18T14:28:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T09:59:38.661-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>Canibal</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-bfZXbC_ZijU/TnYuwEgWmHI/AAAAAAAAAxQ/alz1Yu_fA6g/s1600/canibal.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5653757785588275314" src="http://3.bp.blogspot.com/-bfZXbC_ZijU/TnYuwEgWmHI/AAAAAAAAAxQ/alz1Yu_fA6g/s400/canibal.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 240px; margin: 0 0 10px 10px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;V&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;ocê não sabe o que é voltar para casa todos os dias com uma dúvida lhe devorando o juízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sobe as escadas sentindo o cheiro forte do alho que vem da cozinha. Da cozinha do seu apartamento. Para diante da porta, gira a chave, torce a maçaneta e, antes de abrir, pensa meio perturbado:&lt;br /&gt;- É hoje. Só pode ser hoje.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;Entra em casa. A mesa está posta. Pratos, taças, velas e um recipiente fumegante ao centro. Sua esposa sai do quarto com um sorriso de orelha a orelha.&lt;br /&gt;- Você vai adorar o jantar, amor. Fiz estrogonofe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele solta um suspiro e conclui interiormente.&lt;br /&gt;- Não. Não é hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz três anos que ele está nessa situação. Esperando “aquele estranho dia que nunca chega”, como diria Luis Fernando Veríssimo. Vive no pequeno espaço entre a boca e a taça de cicuta. Chegou a um ponto da trilha que não lhe permite mais o retorno. Já não há caminho para voltar. Se se arrepende? Não! Nem poderia. O poetinha disse certa vez que “a vida é a arte dos encontros, embora haja tantos desencontros nessa vida”. Ele teve o seu encontro. Seu encontro com o amor. E vice-versa. Encontrá-la foi como achar o palitinho premiado que dá direito a outro picolé. Uma felicidade só. Mas, junto com ela, a vida também lhe trouxe uma mudança no destino. Ou será que eram a mesma coisa? Não sabe dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos tempos, ele engordou cerca de vinte quilos. Com as adiposidades, vieram ainda grandes revelações. A pior e mais importante delas é ao mesmo tempo cruel e perigosa. Descobriu (tarde demais!) que havia se casado com uma canibal. Desde o começo do namoro, os bolos, as lasanhas, os pudins, os cremes de galinha, tudo era parte de um grande e maquiavélico plano. Na verdade, durante todo o tempo, ele foi criado em regime de engorda. Pode afirmar, com sinceridade e certa resignação, que dormiu homem e acordou leitão. Hoje, olhando-se no espelho, vê que nasceu homem por uma incongruência da natureza. Era para ter nascido leitão mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, ela não sabe que ele sabe de tudo. A descoberta foi uma casualidade. Ele estava arrumando o guarda-roupa quando encontrou embaixo de algumas roupas dela um livro sobre práticas de canibalismo. Foi tomado, de imediato, pela terrível sensação do fim ao perceber a macabra conexão dos fatos. Mas não havia mais saída. Ele já estava adaptado à vida de glutão. Uma reviravolta seria impossível. Concluiu que deveria enfrentar seu trágico e irremediável destino com estoicismo. “Um homem deve seguir seu caminho.”, pensou. Mesmo que seja na boca de outro. No caso, de outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o dia da descoberta, vem tentando encarar as coisas com naturalidade. Continua comendo feito um porco e se esforçando para não deixar transparecer sua angústia. Mas é difícil. Não consegue olhá-la sorrir e não se imaginar entre seus dentes afiados. Quando ela o abraça e o aperta na cama, ele logo pensa que a mulher está verificando a maciez da carne, com certeza buscando as melhores partes. Ele até já cultiva grandes olheiras. Nem dorme mais direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias, ao voltar para casa, ele pensa que talvez tenha chegado o momento. Quando, ainda nas escadas, sente o cheiro do alho, imagina imediatamente sobre a mesa de jantar uma enorme bandeja toda enfeitada. A bandeja estará vazia, aguardando o prato principal ser servido. Ele entrará em casa e a encontrará salivando sobre uma toalha nova. Ela colocará uma maçã em sua boca, desejará “bon appetit” a si mesma e o devorará. Será inevitável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-8545525985789327254?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/8545525985789327254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=8545525985789327254' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/8545525985789327254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/8545525985789327254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/09/canibal.html' title='Canibal'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-bfZXbC_ZijU/TnYuwEgWmHI/AAAAAAAAAxQ/alz1Yu_fA6g/s72-c/canibal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-3842586936341682791</id><published>2011-09-04T20:04:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T10:00:29.817-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>De onde vem os bebês?</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: verdana; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5JAW-fUqVEA/TmQEMuOB2JI/AAAAAAAAAxI/14cPSvRe2EI/s1600/glasbergen6.gif"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5648644449241258130" src="http://2.bp.blogspot.com/-5JAW-fUqVEA/TmQEMuOB2JI/AAAAAAAAAxI/14cPSvRe2EI/s400/glasbergen6.gif" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 210px; margin: 0 0 10px 10px; width: 375px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%; font-weight: bold;"&gt;A&lt;/span&gt; Júlia tinha acabado de completar cinco anos. Uma gracinha, a garota. Super esperta, inteligente, atenta a tudo e a todos, até muito sagaz para a idade e, para o terror dos pais, questionadora ao extremo. Em geral, fazia mais perguntas do que um agente da CIA durante um interrogatório. Estava naquele momento da curiosidade excessiva pelo qual, normalmente, toda criança passa. Tudo indicava, porém, que com a Júlia as coisas eram um pouco diferentes, digamos, meio exageradas. Perguntas feitas por crianças são muitas vezes saudáveis, pois também são através delas que os pequeninos vão descobrindo o mundo. Afinal, é da dúvida que nasce a luz. “Ou as trevas.”, como diria o Roberto, o pai da garota, numa discussão com a esposa, logo depois de mais uma perigosa sessão de perguntas da filha. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar da escola com a babá, a Júlia encontrou o pai em casa, tirando os sapatos no quarto, após outro dia de incessante trabalho. Nem esperou o pobre do Roberto tomar um banho para relaxar. Foi logo disparando sua metralhadora giratória de perguntas. Crianças não são apenas curiosas, são também imediatistas. Ou respondemos a elas na hora, ou começam um berreiro. E, na pior das hipóteses, até vão buscar respostas aonde não devem. Some-se a isso, claro, aquela tendência dos pais a esconderem dos filhos algumas verdades sobre o funcionamento do mundo, e está armada a confusão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pai, como foi que eu nasci? – disparou a Júlia, sem dó nem piedade. &lt;br /&gt;- Ora, minha filha. Da mesma forma que as outras crianças. &lt;br /&gt;- Tá, isso eu sei. Não sou burra. O que eu quero saber é como acontece. Como foi que cheguei até aqui? &lt;br /&gt;- Ah, sim, claro. Agora entendi. – tentou disfarçar o Roberto. – Bom, você veio pelo correio. &lt;br /&gt;- Não, pai. Fala sério. Os correios não fazem esse serviço, que eu sei. Para de mentir e diz logo a verdade. &lt;br /&gt;- Tudo bem, filha. Eu digo. Mas já te falaram sobre as cegonhas trazerem os bebês? &lt;br /&gt;- Já sim. E eu também não engoli essa história idiota. &lt;br /&gt;- Droga... que menina impossível... tempos difíceis esses... – suspirou o Roberto. &lt;br /&gt;- Disse alguma coisa, pai? &lt;br /&gt;- Quem? Eu? Nada não. &lt;br /&gt;- Então para de me enrolar e conta logo de onde vem os bebês! Pode ser?! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia saída. O Roberto teria de falar a verdade. Ele sempre soube que este momento um dia chegaria. Mas não esperava que fosse assim, de forma tão abrupta, sem tempo ao menos para uma preparação psicológica ou, quem sabe, para uma fuga do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ouça, vou contar como você chegou até aqui. Mas tem que me prometer que será forte. Certo? &lt;br /&gt;- Tudo bem, pai. Eu aguento. &lt;br /&gt;- Ok, lá vai então. – Roberto respirou fundo e disparou. – Você foi enviada para mim e para sua mãe por uma avançadíssima civilização alienígena, que teve seu planeta destruído... &lt;br /&gt;- PAI! Para de mentir! Essa é a história do Super Homem. Que chato. Você vai me contar a verdade ou não?! Quer que eu vá pesquisar na internet?! &lt;br /&gt;- NÃO! De jeito nenhum. Nada de internet. O que foi que eu lhe ensinei? Já esqueceu? &lt;br /&gt;- Não, pai. Não esqueci. Você disse que eu sempre deveria procurar primeiro você ou a mamãe quando tivesse alguma dúvida. &lt;br /&gt;- Exatamente. Muito bem. &lt;br /&gt;- Pois então... &lt;br /&gt;- Pois então procure a sua mãe. &lt;br /&gt;- Nem conte com isso, querido. Tô fora. Resolva sozinho. – disse a Joana, esposa do Roberto, ao entrar no quarto para pegar uma toalha. &lt;br /&gt;- Joana, não faça isso comigo. Não me deixe numa cilada dessas. Eu não fiz essa menina sozinho. &lt;br /&gt;- Eu sei que não, querido. Mas fui eu quem a carregou sozinha na barriga por nove meses. Por isso, te vira. – rebateu a Joana, saindo do quarto em seguida. &lt;br /&gt;- Filha da mãe... – xingou baixinho o Roberto. &lt;br /&gt;- Pai, que história é essa de que vocês me fizeram? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava encurralado. Estava nas cordas, com o adversário socando sem parar, sem dar espaços ou tempo para respirar. Precisava fazer alguma coisa. E fez. Tomou uma decisão honrada. Decidiu falar a verdade. Não a verdade totalmente verdadeira, que isso não se faz com crianças de cinco anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Veja bem, minha filha. Os bebês são gerados pelos próprios pais, por meio de uma espécie de cirurgia que eles mesmos fazem um no outro. É como brincar de médico. Entende? &lt;br /&gt;- Não, não entendo. &lt;br /&gt;- Meu Deus... como isso é difícil. Ouça, o papai tem uma pequena seringa, quer dizer, não chega a ser tão pequena assim... é uma seringa até considerável. Mas isso não é importante. O que interessa é que é através desta seringa que o papai coloca parte de uma sementinha dentro da mamãe. Aí esta parte da sementinha do papai encontra a outra parte que já está na mamãe. É como aplicar uma injeção. &lt;br /&gt;- E o que acontece depois? &lt;br /&gt;- Bom, depois que essas partes se juntam, elas formam uma só e vão para um lugarzinho chamado útero, que fica próximo da região da barriga da sua mãe. É lá que essa sementinha vai se desenvolver durante nove meses até se transformar num bebê. Pronto. Acho que já expliquei tudo. &lt;br /&gt;- Não, pai. Espera. E essa injeção dói muito? &lt;br /&gt;- Aaahhhhh, como vou explicar isso...? Olha, na primeira vez dói um pouquinho. Depois passa. Mas aí é melhor você perguntar pra sua mãe. &lt;br /&gt;- E onde é que essa injeção é aplicada na mamãe? &lt;br /&gt;- Pergunta pra sua mãe, filha. É melhor. &lt;br /&gt;- E essa seringa, pai? &lt;br /&gt;- O que é que tem? &lt;br /&gt;- Onde ela fica? &lt;br /&gt;- Sua mãe é que sabe. &lt;br /&gt;- Mas a seringa não é sua, pai? &lt;br /&gt;- É, é minha sim. Mas é a sua mãe que controla. É ela que diz quando posso ou não usá-la. &lt;br /&gt;- E você deixa que ela faça isso?! &lt;br /&gt;- Não tenho escolha, filha. Você sabe como sua mãe é controladora. &lt;br /&gt;- É, eu sei. Mas... pai? &lt;br /&gt;- O que é? &lt;br /&gt;- E essas suas sementinhas? &lt;br /&gt;- O que tem as minhas sementinhas agora? &lt;br /&gt;- Onde ficam guardadas? &lt;br /&gt;- Ai, meu Deus... mais essa. Tá. Presta atenção. Além da seringa, o papai também tem uma espécie de bolsinha, onde ficam guardadas as sementinhas, que são aplicadas na mamãe pela seringazinha. Mas, antes que você me pergunte, está tudo sob o controle da sua mãe. Ok? Agora chega, tá? Já perguntou demais. &lt;br /&gt;- Não, pai. Só mais uma pergunta, por favor. &lt;br /&gt;- Tudo bem. Mas vá com calma. Não quero ter um infarto. &lt;br /&gt;- Se um dia eu quiser ter um filho, vai precisar de injeção? &lt;br /&gt;- Pode ser que sim, pode ser que não. Existem outras formas. Mas isso ainda vai demorar muito. E, se depender de mim, nem tão cedo você verá uma seringa. Talvez só depois que eu morrer. Agora, pelo amor de Deus, vá brincar lá fora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando já estava de saída, a curiosa Júlia ainda perguntou da porta: &lt;br /&gt;- Mas, pai, essa história toda que você me contou não tem nada a ver com sexo não, tem? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pobre Roberto não tinha mais forças. A menina era impossível. Não havia jeito de esconder nada dela. Acabou se rendendo e confessando a verdade entre um suspiro e outro. &lt;br /&gt;- Tem, minha filha. Tem sim. É esse o nome certo que se dá. &lt;br /&gt;- Nossa, deve ser uma chatice. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá se foi a Júlia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-3842586936341682791?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/3842586936341682791/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=3842586936341682791' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3842586936341682791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3842586936341682791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/09/de-onde-vem-os-bebes.html' title='De onde vem os bebês?'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-5JAW-fUqVEA/TmQEMuOB2JI/AAAAAAAAAxI/14cPSvRe2EI/s72-c/glasbergen6.gif' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-7267045552056159584</id><published>2011-08-21T21:00:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T10:07:52.152-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>Sinal de Deus</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-V1Zq_RcG1_A/TlGhB-9YGgI/AAAAAAAAAxA/XTTelhkYrL0/s1600/sabadoqualquer.jpg" style="font-family: times new roman;"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5643468863524313602" src="http://3.bp.blogspot.com/-V1Zq_RcG1_A/TlGhB-9YGgI/AAAAAAAAAxA/XTTelhkYrL0/s400/sabadoqualquer.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 124px; margin: 0 0 10px 10px; width: 400px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;H&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;istórias existem aos montes. Relatos de que Deus envia mensagens cifradas para alertar os humanos sobre coisas que estão prestes a acontecer são muito comuns. Gente que diz, por exemplo, que o atraso por causa de um pneu furado a caminho do aeroporto foi um sinal de Deus para não entrar no avião, que cairia pouco depois de decolar. Coisas desse tipo alimentam os mitos da existência de forças incontroláveis que governam o mundo. Mas o fato é que estes “sinais” nem sempre são muito claros, o que dificulta muitas vezes a compreensão. Um amigo meu, mistura de cético com gozador, tem uma tia beata que acredita nessas crendices. Na oportunidade certa, ele não perdeu a chance de sacaneá-la.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;A tiazona contava a história de um rapaz que havia recebido um sinal divino quando esse meu amigo chegou na hora. Ela falou que o sujeito foi sair de manhã com o carro e o bicho não pegava. Ele forçou, forçou, e nada. Era o sinal pra não sair de casa. Mas o rapaz insistiu tanto que o calhambeque acabou pegando. Na primeira esquina, não deu outra. Batida das feias.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Deus mandou o sinal. Ele não percebeu, sempre muito ocupado e preocupado com outras coisas, não notou as pequenas mensagens do Senhor. Agora tá no hospital com o lado esquerdo do corpo todo paralisado. – disse a tiazona.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;Aí o amigo cético e gozador resolveu se meter.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Também com um sinal desses! Assim fica difícil. Ele bem que podia ser um pouquinho mais claro, né?! Custava nada. Se Ele sabe quando vai acontecer alguma coisa ruim na vida das pessoas deveria ser mais objetivo.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Ora, mas que petulância a sua, rapaz. O que você queria que o Senhor fizesse?!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman';"&gt;- Ah, sei lá. Que mandasse um e-mail, um Sedex 10, batesse um fio. Qualquer coisa assim, pô! Tanta tecnologia por aí. Sacanagem, hein?!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-7267045552056159584?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/7267045552056159584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=7267045552056159584' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7267045552056159584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7267045552056159584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/08/sinal-de-deus.html' title='Sinal de Deus'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-V1Zq_RcG1_A/TlGhB-9YGgI/AAAAAAAAAxA/XTTelhkYrL0/s72-c/sabadoqualquer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-3265969924569513865</id><published>2011-08-14T20:14:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T10:09:53.825-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>Você sabe com quem tá falando?!</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Kr5Byj1aYpM/TkhXvUH8VII/AAAAAAAAAw4/_9ddhGC9xIg/s1600/banqueiro.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5640855003649037442" src="http://4.bp.blogspot.com/-Kr5Byj1aYpM/TkhXvUH8VII/AAAAAAAAAw4/_9ddhGC9xIg/s320/banqueiro.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 250px; margin: 0 0 10px 10px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;D&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;ia desses me chegou uma história daquelas. Caso impressionante e “cabeludíssimo”, como se diz na minha terra. Daqueles que conta&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;ndo ninguém acredita, mesmo quando o acontecido é narrado pela própria mãe da gente, que é a coisa mais sagrada do mundo. Trata-se de uma situação na qual fica meio impossível afirmar se tudo foi realmente verdade ou se não passou de uma grande mentira. Tanto é assim que estou na corda bamba do agnosticismo até agora. É uma história sobre coragem e inteligência, ou sobre covardia e burrice. Depende muito do ponto de vista. Você, leitor, é quem vai dizer. Vá vendo aí. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;O dono de um famoso banco resolveu fazer um teste com seus trabalhadores. Queria averiguar a qualidade do atendimento e o nível de atenção prestada aos clientes. Coisa de empresário mesmo, que sempre acha que o problema é o trabalhador. Mas, enfim, o teste foi o seguinte. O banqueiro telefonou para o banco e pediu para falar com uma determinada pessoa, de um determinado setor, a fim de buscar um determinado serviço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô? &lt;br /&gt;- Alô. &lt;br /&gt;- Eu gostaria de falar com Fulano de Tal, por favor. &lt;br /&gt;- Tudo bem, senhor. Só um minuto que vou transferir para o setor dele. Pode aguardar na linha. – pediu o funcionário que atendeu o telefonema do banqueiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí começou aquela odisséia de transferências e musiquinhas de espera no atendimento. Um terror. Cinco minutos depois, entretanto, alguém atendeu ao telefone em outro setor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô? &lt;br /&gt;- Alô. É do setor de Fulano de Tal? – disse o banqueiro. &lt;br /&gt;- É sim, senhor. Em que posso ajudá-lo? – perguntou outro funcionário. &lt;br /&gt;- Bom, eu queria conversar com ele sobre alguns investimentos que desejo fazer. &lt;br /&gt;- Olha, senhor, ele não se encontra nesse momento aqui no setor. &lt;br /&gt;- Ah, não? Você poderia, então, transferir minha ligação para onde ele se encontra? &lt;br /&gt;- Vou ver o que posso fazer, senhor. Aguarde um minuto na linha, por favor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tome mais musiquinhas de espera, transferências e outros tantos minutos com a orelha colada ao fone. O ping-pong parecia não ter fim. Joga pra cá, joga pra lá. E o banqueiro ficando puto. Quando finalmente a ligação chegava ao setor onde o sujeito procurado estava, depois de ter passado por um monte de gente, o telefonema caía ou era desligado. O banqueiro, absolutamente irritado, continuava telefonando, insistindo. Já havia tentando uma dezena de vezes, mas nada de conseguir o objetivo. E o pior: sempre que a ligação se encerrava sem êxito o dono do banco era obrigado a retornar ao ponto de partida. Ou seja, era preciso voltar a falar com o primeiro homem que atendeu ao telefone, antes de chegar ao setor desejado. Aí num determinado momento o banqueiro se desesperou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô?! Alô?! Que palhaçada é essa, hein?! – gritou o dono do banco ao telefone. &lt;br /&gt;- Alô. Algum problema, senhor? Em que posso ajudá-lo? – disse o primeiro funcionário. &lt;br /&gt;- Meu amigo, pelo amor de Deus, faz uma hora que eu estou tentando falar com Fulano de Tal e vocês aí ficam me transferindo pra lá e pra cá! Que porcaria de atendimento é esse?! &lt;br /&gt;- Senhor, sugiro que se acalme. Vou transferi-lo para outro setor que poderá ajudá-lo. Ok? &lt;br /&gt;- NÃO! Nada de transferência! Não faça isso, seu malandro! Me chame Fulano de Tal nesse telefone agora mesmo, seu preguiçoso safado! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem do outro lado da linha não pensou duas vezes. Ganhar pouco e ainda ter de engolir desaforo, ninguém merece. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escute aqui, meu senhor. – disse o homem para o banqueiro. – Você tá pensando que só porque é cliente pode sair xingando todo mundo?! Não pode não, meu amigo. Nós vamos atender o senhor, mas é preciso ter paciência e respeito com as pessoas. &lt;br /&gt;- Paciência?! Respeito?! Você tá de brincadeira comigo, rapaz?! Olha aqui, você por acaso sabe com quem tá falando?! Eu sou Beltrano dos Grudes e Silva! Eu sou o dono desse banco! – revelou o banqueiro, aos berros no telefone. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O funcionário do outro lado da linha não contou conversa e devolveu na mesma moeda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, é?! Ah, é?! E o senhor por acaso sabe com que tá falando?! &lt;br /&gt;- Não! Não sei não. – retrucou o dono do banco. &lt;br /&gt;- Ainda bem. – respondeu o funcionário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desligou o telefone na cara do banqueiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-3265969924569513865?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/3265969924569513865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=3265969924569513865' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3265969924569513865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3265969924569513865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/08/voce-sabe-com-quem-ta-falando.html' title='Você sabe com quem tá falando?!'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Kr5Byj1aYpM/TkhXvUH8VII/AAAAAAAAAw4/_9ddhGC9xIg/s72-c/banqueiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-8011449306587283706</id><published>2011-08-07T23:26:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T10:10:35.312-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>Arte? Eu hein!</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-9vbD9N3WZMU/Tj9Mvgs0VbI/AAAAAAAAAww/NbznBpVhaf8/s1600/650680_c63d_625x625.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5638309637606626738" src="http://4.bp.blogspot.com/-9vbD9N3WZMU/Tj9Mvgs0VbI/AAAAAAAAAww/NbznBpVhaf8/s320/650680_c63d_625x625.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 320px; margin: 0 0 10px 10px; width: 251px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;D&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;epois de muita insistência, resolvi aceitar o convite de minha irmã para ver um festival de performances artísticas, realizado por jovens atores de vários estados do Nordeste brasileiro. Segundo ela, seria algo bem underground e experimental, algo que exploraria o íntimo e as sensações corpóreas dos presentes. Na hora, pensei: “Isso só pode ter safadeza no meio. Que negócio é esse de explorar o íntimo do corpo dos outros, rapaz?!”. Prometi a minha irmã que só daria uma olhada no dia em que ela fosse se apresentar, pois estava curioso para vê-la atuando depois que iniciou o curso de teatro. O festival durou toda uma semana, e minha resistência em ver as outras apresentações era fruto exatamente dos relatos que recebi sobre as primeiras performances. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Logo no início, minha irmã contou que assistiu a duas atuações, no mínimo, grotescas. Uma delas se resumia a ficar olhando um gordão nu, ajoelhado com a bunda para cima, exibindo todo o seu “íntimo”. Já a outra era mais sofisticada. Numa sala, uma mulher magricela e, obviamente pelada, passeava entre o público, tocando as partes íntimas dos presentes e perguntando: “Isso te excita?”. Aí eu não contei conversa, meu amigo. Disse na lata para minha irmã: “Olha só, eu vou. Mas se tiver gordão pelado e pessoas tocando nas coisas dos outros, eu chamo a polícia! Tá me entendendo?!”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito e feito. Quer dizer, quase. Não chamei a polícia, claro. Era só um blefe para ver se minha irmã me poupava de assistir às performances dos outros. Não funcionou. Como eu temia, teve gente pelada e esquisita, fazendo coisas fora de hora e em público. Quem? Quem? Quem? Ele mesmo. O gordão insano. Foi dele a primeira performance que assisti assim que cheguei ao local do festival. Me arrependi imediatamente de ter ido. Pior: me arrependi amargamente ter pago ingresso para ver o que vi logo no início. No centro de um amplo salão, o “performer” gordo colocou um espelho. Em seguida, abaixou as calças na altura da bunda e passou a depilar a própria região pélvica com um barbeador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa é minha performance. Vocês vão ficar aí, vendo eu me depilar. Vendo minha atividade íntima. Na verdade, não é minha. Porque esse aqui não sou eu. Esse é o meu outro eu. Porque eu mesmo não me depilo. Então, quem está aqui não sou eu, é o outro. – explicava o gordão enquanto raspava os próprios pêlos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu achava que nada poderia ser pior do que aquilo, mas acabei vendo uma cena inacreditável. O gordo continuava se depilando, quando alguém da platéia pediu para ajudar a depilar o sujeito. E ele deixou, meu Deus! Aí o que já era bizarro ficou ainda mais grotesco. O gordão em pé, com os braços para cima, e o outro maluco agachado, raspando suas adiposidades íntimas. Virei para minha irmã e disse: &lt;br /&gt;- Vou deixar você escolher. Quer me deixar ir embora ou quer que eu chame a polícia? &lt;br /&gt;- Você não vai ver minha apresentação?! É muito importante pra mim. &lt;br /&gt;- Por favor, me diga que ela é a próxima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não era. Iria demorar. Graças a meu coração mole e fraternal, fui obrigado a esperar a vez de minha irmã. Enquanto isso, continuei assistindo a inovadoras e experimentais performances artísticas. Depois do gordo depilador, veio o homem farinha de trigo. E a pergunta que eu mais me fazia interiormente era: “Minha nossa, o que é que eu estou fazendo aqui?”. O sujeito chegou mudo e saiu calado. Todo vestido de branco, sentou no chão e colocou uma caixinha de papelão ao lado. De dentro dela, ele retirou um pratinho, uma garrafa de água e saquinho de farinha de trigo. Aí teve início a palhaçada. Após misturar todos os ingredientes na vasilha, o sujeito começou a cobrir o rosto com a pasta branca. Cobriu tudo mesmo, formando uma máscara de farinha de trigo em torno da cabeça. Em seguida, levantou, pôs uma coleira com duas guias e saiu pedindo para que a platéia o puxasse. Do meu canto, eu não pensava em outra coisa a não ser no tempo e nos R$ 5 que gastei para ver aquilo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até chegar a hora da apresentação de minha irmã, fiquei perambulando pelo lugar, assistindo a todo tipo de esquizofrenia, camuflada de arte. Uma das últimas que vi foi a de um cara com uma caixa de papelão na cabeça, de onde saiam vários tubos amarelos que serviam para o público soprar e fazer diversos ruídos. Tudo isso com o sujeito andando pelo salão, e o povo atrás aplaudindo. O evento era bem mais do que underground. Estava cheio de gente estranha, que fazia coisas estranhas, tudo sem pé nem cabeça. A todo instante, me vinha a ideia de que eu poderia estar no meio de um filme de terror e que a qualquer momento alguém surgiria com uma serra elétrica, querendo fazer uma performance também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é porque é minha irmã não, mas a performance dela junto com mais quatro amigas foi a mais, digamos, sensata. As cinco entraram se arrastando pelo chão e dizendo frases típicas de relacionamentos amorosos clichês. No centro da sala, um coração de pano que logo passou a ser disputado por elas quase às tapas. A apresentação deve ter durado uns intermináveis quinze minutos, mas foi única que eu entendi. A mensagem era algo sobre como nós nos arrastamos e brigamos pelo coração dos outros e coisa e tal. Bom, eu acho que era isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ir embora (óbvio que não fiquei até o final), minha irmã ainda me chamou para ver uma exposição de fotos logo na entrada do local. Achei que isso talvez pudesse salvar o festival. Que nada. As fotos eram horríveis, todas borradas, mostrando bocas, mãos e olhos tremidos. Pior foi a resposta de minha irmã quando perguntei: &lt;br /&gt;- E agora? Pode me dizer o que significa isso? &lt;br /&gt;- Pô, cara, então... isso é uma coisa louca que vem de dentro, saca? &lt;br /&gt;- Ah, faça-me o favor, né! Coisa louca que vem de dentro pra mim é flatulência! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre coisas desse tipo, diz a mãe de Zeca Baleiro na música Bienal: “Meu filho, isso é mais estranho que o cu da jia e muito mais feio que um hipopótamo insone”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assino embaixo com CPF e RG. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-8011449306587283706?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/8011449306587283706/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=8011449306587283706' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/8011449306587283706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/8011449306587283706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/08/arte-eu-hein.html' title='Arte? Eu hein!'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-9vbD9N3WZMU/Tj9Mvgs0VbI/AAAAAAAAAww/NbznBpVhaf8/s72-c/650680_c63d_625x625.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-3614130471045735730</id><published>2011-07-31T11:36:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T10:12:48.128-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>Enfim, a fama</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: 'times new roman'; font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt; &lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NYtnyJf2nhg/TjV0niimnAI/AAAAAAAAAwo/sLLhG3lDCyI/s1600/129_3044-jornalista.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635538731359706114" src="http://4.bp.blogspot.com/-NYtnyJf2nhg/TjV0niimnAI/AAAAAAAAAwo/sLLhG3lDCyI/s320/129_3044-jornalista.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 320px; margin: 0 0 10px 10px; width: 315px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%; font-weight: bold;"&gt;T&lt;/span&gt;inha dúvidas de que ela um dia realmente fosse chegar. Ainda mais sendo eu um sujeito desprovido de nome artístico. Afinal, assino minhas crônicas como João Paulo da Silva, nome bastante comum escolhido por meus pais. E, convenhamos, ninguém pode ficar famoso com um nome desses, a não ser que você seja o Papa. Não que seja feio. Ao contrário, acho o nome até bonito. Mas é diferente de assinar como Luis Fernando Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Pablo Neruda, T.S Elliot, etc etc etc. Sempre achei que parte da popularidade de um escritor vinha do nome. Artista tem que ter nome de impacto. Se uma parte dos leitores compra livros por causa da capa, outra parte deve comprar pelo nome do autor. Óbvio que o mais importante é o conteúdo da obra, e que muitas pessoas buscam a sinopse antes de qualquer coisa. Entretanto, o nome devia ter alguma influência no sucesso ou fracasso de um escritor. Bom, era o que eu pensava até bem pouco tempo, quando tive meu primeiro encontro com ela. Aquela doce e cruel senhora de quem todo mundo deseja tirar uma lasquinha. Enfim, encontrei a fama. Contrariando todas as previsões. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha entrado numa livraria para pedir informações sobre a chegada de um livro novo. No balcão, fui atendido por uma mocinha simpática, que logo me indicou a estante e a obra que eu procurava. Fiquei por ali, folheando o livro, meio distraído, até que me dei conta de que estava sendo observado. Virei a cabeça e vi a mocinha do balcão olhando para mim de maneira estranha e insistente, como se estivesse intrigada com alguma coisa. Na hora, duas hipóteses passaram pela minha mente. Primeiro achei que ela estava me vigiando, talvez desconfiada de que eu pudesse surrupiar algum livro (penso logo no pior). Mas esta imagem rapidamente se desfez e eu passei a considerar a segunda hipótese: a de que ela estivesse me paquerando, já que num determinado momento me lançou um sorriso. Durante todo o tempo que perambulei pela livraria, a moça não parou de me olhar. Só descobri o real motivo para tantos olhares quando voltei ao balcão para pagar o livro. &lt;br /&gt;- Oi. Vou levar esse. – disse eu, com naturalidade. &lt;br /&gt;- É você, não é? – perguntou a moça. &lt;br /&gt;- Eu o quê? &lt;br /&gt;- Você não é aquele escritor? – insistiu ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virei a cabeça para trás, só para me certificar de que a moça realmente falava comigo. &lt;br /&gt;- Tá falando comigo? &lt;br /&gt;- Tô sim. Eu sei que é você. Vocês são todos tão distraídos e tímidos. &lt;br /&gt;- Olha, eu nem sei o que dizer... &lt;br /&gt;- Caramba! Puxa vida. Sou muito sua fã. Adoro tudo o que você escreve. &lt;br /&gt;- Conhece o que eu escrevo? &lt;br /&gt;- Mas é claro!! Sempre leio suas crônicas. Não perco uma. Vejo toda semana. &lt;br /&gt;- Como sabe que escrevo crônicas? &lt;br /&gt;- Você não tem um blog? &lt;br /&gt;- Tenho sim. &lt;br /&gt;- Você não escreve nele todo domingo? &lt;br /&gt;- Escrevo. &lt;br /&gt;- Suas crônicas também não são publicadas nos jornais? &lt;br /&gt;- São sim. &lt;br /&gt;- Tá vendo só?! Eu sabia que era você. Escritor, cronista, jornalista. Só tá um pouco diferente por causa dos óculos. Na foto da internet você está sem eles. &lt;br /&gt;- Que coisa hein... Você me conhece mesmo? &lt;br /&gt;- Claro. Seus textos são tão engraçados, tão divertidos. Não sei como você pensa em tudo aquilo, cada situação absurda! Você deve ficar observando a vida de todo mundo pra escrever aqueles flagras, né?! Tipo um voyeur do cotidiano mesmo. Como é que você faz?! &lt;br /&gt;- Bem, eu apenas... &lt;br /&gt;- Nossa! E quando você escreve sobre política então... nem se fala. Que visão. Texto leve e profundo ao mesmo tempo. Adorei aquela sobre a última eleição, comparando o PT e o PSDB. Cara, muito bom. Você tem cada metáfora. &lt;br /&gt;- Que bom que... &lt;br /&gt;- Posso tirar uma foto com você? &lt;br /&gt;- É... bom... claro, né. &lt;br /&gt;- Jura?! Ai, meu Deus. As meninas da faculdade não vão nem acreditar. Deixa eu passar pro outro lado. Ainda bem que meu chefe deu uma saidinha. Assim tá bom. Posso passar a mão por sua cintura? Ficou ótima. Ai, meu Deus. Ninguém vai acreditar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não estava acreditando era eu. Alguém realmente me conhecia. E não era ninguém que recebia minhas crônicas por email, nem ninguém do meu círculo de amizades, ou do trabalho. Alguém gostava dos meus textos, e não era nenhum dos meus seis fiéis leitores ou minha mãe. Era alguém que eu nunca tinha visto, mas que conhecia meu trabalho e me reconhecia. Aquilo era fabuloso. Resolvi, então, aproveitar o gostinho bom que tem a fama. &lt;br /&gt;- Olha, me desculpa esse alvoroço todo, tá? Ai, que vergonha. Devo estar parecendo uma boba. É que eu nunca estive tão perto de um grande escritor assim. &lt;br /&gt;- Ora, não se preocupe. Estou acostumado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já me sentia o todo poderoso, quase um Paulo Coelho (só na fama, por favor!). Mas era preciso manter certa modéstia, ao menos por um momento. &lt;br /&gt;- Também não precisa exagerar. Não sou um escritor tão grande assim. Tenho apenas um metro e setenta e seis de altura. &lt;br /&gt;- Hahaha. Nossa! Você é tão bem humorado! Igualzinho quando escreve. Nem acredito que isso tá acontecendo. Um escritor de verdade. &lt;br /&gt;- Não, não sou tudo isso. &lt;br /&gt;- Aaahhhh. Para, vai. É sim. Todo mundo lá do curso te conhece. Todo mundo lê o que você escreve. Só falam dos seus textos. A gente já chegou até a fazer um trabalho sobre suas crônicas. Era sobre o surgimento de novos escritores, novos talentos da crônica e coisa e tal. &lt;br /&gt;- Sério?! Difícil de acreditar. &lt;br /&gt;- Sério! Falamos do Xico Sá, do Antônio Prata, do Fabrício Carpinejar e de você. &lt;br /&gt;- Puxa, que bacana. Eles são muito bons. &lt;br /&gt;- Ah, mas você é o meu favorito. Prefiro mais o seu estilo. Adoro quando você se torna o próprio personagem da crônica, sem ter medo do ridículo, como naquela do assalto. Ri muito de tudo. Uma das melhores. Nem acredito que tô te conhecendo pessoalmente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava flutuando no meu próprio ego. Ainda parecia inacreditável. Esse negócio de internet funcionava mesmo. Igual a boato, se espalha rapidinho. Como era bom ser famoso. Eu até já sonhava com o assédio dos fãs, com as entrevistas para cadernos de cultura, as fotos nas ruas, visita ao Jô Soares, palestras sobre o novo fazer literário etc, etc. Mas faltava uma coisa. Faltava dar autógrafo. E ele veio. O meu primeiro. &lt;br /&gt;- Olha, desculpa. Não quero mais tomar o seu tempo. Escritor deve ter uma vida muito agitada, não é mesmo? &lt;br /&gt;- Às vezes sim. Criar exige muito esforço e tempo. – até meio esnobe eu já estava. &lt;br /&gt;- Claro, claro. Imagino. Onde eu tô com a cabeça, meu Deus?! Prendendo você aqui. Mas posso te pedir um último favor? &lt;br /&gt;- Sim, sem problema. Fique à vontade. &lt;br /&gt;- Você poderia me dar um autógrafo? &lt;br /&gt;- Claro que posso. Onde quer que eu escreva? &lt;br /&gt;- Ah... pode ser aqui nesse papel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que emoção. Ali estava eu, João Paulo da Silva, jornalista, cronista e escritor, dando meu primeiro autógrafo. Meu primeiro passo para a Flip, para a Academia Brasileira de Letras e, quem sabe, para o Nobel de Literatura. A fama começava a chegar, mesmo sem nome artístico. Que sensação indescritível. Enquanto eu assinava “um abraço com carinho”, a moça ao lado continuava falando. &lt;br /&gt;- Se eu soubesse que você viria por aqui, teria trazido o seu livro novo de crônicas. Aí você me daria um autógrafo no próprio livro. &lt;br /&gt;- Hein? Livro? Que livro? &lt;br /&gt;- Aquele mais novo. Aquele que ganhou o prêmio Jabuti. Adorei. Muito bom. Fantástico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um balde de água fria. O escritor não era eu. A moça havia se confundido. Nem tenho ideia de quem possa ser o autor. Eu não tinha livro publicado, muito menos livro vencedor do Jabuti. Tudo não passara de um grande engano, uma enorme confusão. Eu poderia ter corrigido o erro, mas resolvi manter a situação. Não sei se por ela ou por mim. Acabei dando o autógrafo, caprichando na assinatura rabiscada. Ficou praticamente ilegível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom, tá aqui o autógrafo. &lt;br /&gt;- Ai, que maravilha. Vou guardar dentro do seu livro. As meninas não vão acreditar mesmo que conheci você. &lt;br /&gt;- Pode apostar que não... &lt;br /&gt;- Ainda bem que tirei uma foto. &lt;br /&gt;- Pois é, né... &lt;br /&gt;- Mas, olha, tá aqui o livro que você escolheu. Muito obrigada, tá?! E volte sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram quinze minutos de fama, literalmente. Quinze minutos de sucesso e vaidade. Quinze minutos de escritor conhecido. Saí da livraria e entrei no primeiro boteco que encontrei. Pedi uma cerveja bem gelada. Guardava comigo a única e irremediável certeza do universo (depois da morte, claro). Pelo menos no bar, todo mundo é igual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-3614130471045735730?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/3614130471045735730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=3614130471045735730' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3614130471045735730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3614130471045735730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/07/enfim-fama.html' title='Enfim, a fama'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-NYtnyJf2nhg/TjV0niimnAI/AAAAAAAAAwo/sLLhG3lDCyI/s72-c/129_3044-jornalista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-4217060286947346746</id><published>2011-07-24T09:51:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T10:13:45.350-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Esse tal de mercado</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-G2zMeCdriOk/TiwXC7miCWI/AAAAAAAAAwg/hb1NUlhZ1bs/s1600/charge%2Bmercado%2Bbravo.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5632902573060131170" src="http://4.bp.blogspot.com/-G2zMeCdriOk/TiwXC7miCWI/AAAAAAAAAwg/hb1NUlhZ1bs/s320/charge%2Bmercado%2Bbravo.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 222px; margin: 0 0 10px 10px; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;b style="font-family: times new roman;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;ra uma bela manhã de sábado. Eu estava assistindo ao futebol de areia pela televisão quando minha mulher gritou da cozinha:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Querido, venha cá!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;Levantei-me com relutância. O jogo estava emocionante e eu não queria perder nenhum lance.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- O que foi, meu amor? – eu disse.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Querido, eu estou querendo fazer uma macarronada, mas não temos massa de tomate. Você poderia ir comprar?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Logo agora que estamos metendo três na seleção de Portugal?! Não pode deixar isso pra depois?!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Não! Tem que ser agora!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Tá. Tudo bem. Eu vou.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;Saí resmungando bastante para comprar a massa de tomate. Fui até o supermercado da esquina. Insatisfeito, mas fui. Entrei e me dirigi logo à seção de condimentos. Não demorou muito para que eu encontrasse o produto. Lá estava ele no cantinho da prateleira. Quando o peguei, tomei um susto. Custava R$ 3,00. Mal pude acreditar. Trezentos e vinte gramas de massa de tomate por três reais?! Que absurdo! Cheguei ao caixa e fui logo reclamando.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Os preços estão bem altos por aqui, não?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- A culpa não é minha, senhor. – disse a moça do caixa, com certa irritação.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;Soltei um longo suspiro, paguei os três reais e fui embora. Entrei em casa meio indignado. Comentei vagamente com minha mulher que os preços estavam aumentando e voltei para ver o jogo. Já havíamos metido mais um. O primeiro tempo terminou quatro para o Brasil e zero para Portugal. O segundo já estava começando quando minha mulher gritou da cozinha novamente.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Querido, venha cá!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;Levantei-me impaciente, um pouco mais chateado.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- O que é dessa vez?!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Acho que essa massa de tomate não vai ser suficiente. Você poderia ir comprar outra?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Mas por que você não disse isso antes?!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Eu não sabia. Devo ter calculado errado a quantidade.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- O segundo tempo já começou. Será que você não pode esperar um pouquinho?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Não! Não posso! Se você não for, não vai ter almoço! – disse ela com firmeza.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Tá. Tudo bem. Eu vou. Mas que seja a última vez, hein?!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;E lá fui eu novamente, bufando de impaciência, comprar massa de tomate. Entrei na seção de condimentos e fui direto ao cantinho da prateleira. Quando apanhei a massa, quase caí para trás. O preço havia aumentado! Estava custando agora R$ 4,00. Dirigi-me furioso ao caixa.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Mas o que é que está acontecendo aqui? – disse eu.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Do que o senhor está falando? – perguntou a moça do caixa.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Estou falando disto! – e apontei para o preço da massa de tomate.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Eu não estou entendendo. – retrucou ela.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Como não?! Há quinze minutos eu estive aqui e este produto custava três reais! – falei aborrecido.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- E daí? Qual é o problema?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Minha senhora, não se faça de besta! Há quinze minutos isto custava três reais. Como pode agora estar custando quatro?!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Simplesmente aumentou.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Mas isso é um absurdo! Isso é impossível! Estou sendo assaltado em plena luz do dia! Onde é que nós estamos?!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Estamos no Brasil, senhor!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- A senhora acha que eu tenho cara de idiota?!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Não, senhor. Absolutamente.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Então como pode ser tão cínica ao dizer que o preço simplesmente aumentou?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Mas a culpa não minha, senhor.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- E de quem é a culpa?!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Eu não sei.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Claro que não sabe! Vocês nunca sabem de nada! Onde está o gerente?! Eu quero falar com o gerente!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- O senhor aguarde um momentinho que eu vou chamá-lo.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;Não demorou muito e um careca de terno apareceu em minha frente.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- O senhor é que é o gerente? – perguntei bastante inquieto.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Sim, sou eu.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Pois bem! Pode me explicar o que está acontecendo?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Veja bem, o senhor tem que entender que a culpa não é nossa.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- E de quem é então?!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- É do mercado. O mercado anda muito preocupado e até irritado.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Ah, é?! E quem é esse tal de mercado? Chame esse mercado aqui que eu mostrarei a ele quem realmente está irritado!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;Foi aí então que avistei um homem perto das prateleiras com uma daquelas máquinas que servem para rotular os preços. Corri em sua direção e gritei para ele:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Pare aí mesmo onde você está!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;O homem assustou-se. Eu o agarrei pela gola da camisa e o sacudi com força.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- É você, não é?! – disse eu com energia.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Eu o quê?! Do que está falando, moço?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Não se faça de idiota! É você que é o mercado, não é?! É você que vive sabotando os preços?!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Que história doida é essa, moço?! Eu não tô sabotando nada, não.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Ah! Então, você quer saber que história é essa, não é?! Mas sou eu que faço as perguntas aqui, espertinho! Eu é que quero saber que história é essa de você aumentar os preços toda vez que fica irritado.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Ouça aqui, moço. – disse o homem se desvencilhando de mim. – Parou a palhaçada! Eu não sei quem é o senhor e também não conheço esse tal de mercado. O meu nome é Severino e eu só estou fazendo o meu trabalho. E quer largar, por favor, a minha camisa!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;Nesse momento, o gerente se aproximou de nós, me puxou para um canto e disse:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Escute, meu senhor. Nós não queremos ter problemas ainda maiores. Esta pequena confusão que foi armada está prejudicando as vendas. Olha só esse furdunço. Vamos fazer um acordo. O senhor pode levar essa massa de tomate de graça. Fica como cortesia da casa. Estamos acertados?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- De graça? – perguntei?&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Sim, de graça.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;Eu estava desconfiado, mas aceitei. Antes de sair, me virei para o gerente e disse:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Mas pode dizer ao mercado que isso não vai ficar assim!&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;Depois de comermos a “bendita” macarronada, minha mulher e eu resolvemos assistir um pouco de televisão. Estávamos atentos a um desses programas de auditório quando a transmissão foi interrompida para um pronunciamento da Presidência da República.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Meus amigos e minhas amigas, vivemos uma época de mudanças. O ano que passou foi um ano histórico para a política brasileira. Estamos enfrentando alguns problemas, mas que aos poucos serão resolvidos. Temos que erguer nossas cabeças e trabalharmos juntos por um Brasil melhor. Um Brasil que irá continuar crescendo economicamente e que vai gerar empregos. O mercado está se acalmando e a inflação está sob controle. Não há com o que nos preocuparmos.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;Incrédulo e transtornado, olhei para minha mulher e disse:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 130%;"&gt;- Querida, eu daria tudo pra descobrir quem é esse tal de mercado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-4217060286947346746?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/4217060286947346746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=4217060286947346746' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4217060286947346746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4217060286947346746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/07/esse-tal-de-mercado.html' title='Esse tal de mercado'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-G2zMeCdriOk/TiwXC7miCWI/AAAAAAAAAwg/hb1NUlhZ1bs/s72-c/charge%2Bmercado%2Bbravo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-4403902140776783197</id><published>2011-07-03T15:28:00.000-03:00</published><updated>2011-10-03T10:14:05.344-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>Seu Neco e o Apocalipse</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman; font-family: times new roman; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-YsIRsuILlzo/ThC1bfc3AAI/AAAAAAAAAwY/etEXTtx5dww/s1600/velho.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5625195418489389058" src="http://3.bp.blogspot.com/-YsIRsuILlzo/ThC1bfc3AAI/AAAAAAAAAwY/etEXTtx5dww/s320/velho.jpg" style="cursor: hand; cursor: pointer; float: right; height: 320px; margin: 0 0 10px 10px; width: 264px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;C&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;onheci o Seu Neco quando eu ainda era menino. Ninguém sabe ao certo o dia ou o ano em que o homem chegou ao lugar – uma periferia lá pelas bandas de Maceió. Todo mundo diz a mesma coisa:&lt;br /&gt;- Sei não. Quando cheguei, ele já morava aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a Dona Zefa, que vive há oitenta e oito anos na região, chegou ao bairro e o Seu Neco já estava pelas redondezas. E – pasmem! – já era homem feito. A idade do sujeito permanece uma incógnita, nunca descobriram. Seu Neco é bastante conhecido entre as pessoas da comunidade, os moradores admiram a sua sabedoria popular e encontram nele resposta para qualquer problema.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;Mas prova maior mesmo de sua grandeza intelectual Seu Neco deu quando voltou ao bairro o filho do Vado do Oião. O rapaz tinha ido estudar fora por causa de uma bolsa que ganhou na faculdade. O Vado do Oião estava festejando a volta do filho no bar do Seu Paulo. Todo mundo bebendo, comendo e discutindo. O assunto era o fim do mundo, o Apocalipse. Ali, na mesa do bar, surgiram as mais variadas teorias.&lt;br /&gt;- O chão se abrirá e as chamas devorarão os infiéis! Está na Bíblia! – dizia um beato.&lt;br /&gt;- Nada disso! – começava outro – Gigantescos meteoros cairão no oceano Atlântico, gerando ondas de 30 quilômetros de altura que engolirão todas as cidades do mundo. Pelo menos é o que tá passando no cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rápido silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o doutô aí? O que pensa disso? – perguntou Seu Paulo ao filho do Vado do Oião.&lt;br /&gt;- Bem, respeito a opinião de todos vocês, mas... a questão não é bem assim. Se o mundo tiver de acabar, decerto será por culpa do próprio homem. Essas “teorias” não têm nada de científico. Vários fatores hoje podem levar a humanidade ao seu fim. A poluição de rios e oceanos, a emissão de gases tóxicos na atmosfera, o efeito estufa, a exploração do homem pelo próprio homem, uma guerra nuclear etc, etc, etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou todo mundo de boca aberta com a explicação do sujeito. O Vado não se aguentava de tanto orgulho do filho.&lt;br /&gt;- Esse é meu moleque! Sabido igual ao pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Neco, que estava desde o começo calado num cantinho, resolveu interferir no sucesso de seu adversário intelectual.&lt;br /&gt;- O doutô vá me desculpando! – começou – Mas tá tudo errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens ao redor da mesa olharam ao mesmo tempo para o velho sábio ressurgido das cinzas. Viria agora um duelo de Titãs. – imaginavam todos. Seu Neco se abancou e disparou a falar.&lt;br /&gt;- Vocês devem estar acompanhando as notícias. Recentemente, uma universidade lançou um estudo sobre o número de habitantes do planeta. Hoje somos quase 7 bilhões de pessoas. E o grande problema é que não há um plano de controle demográfico. A grande quantidade de seres humanos no planeta é que levará a humanidade pro buraco, pro Apocalipse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. O filho do Vado do Oião, com a mão no queixo, pensava. O Vado, todo ofendido, rebateu:&lt;br /&gt;- Isso num tem nada a ver, Neco. Deixa de conversa fiada!&lt;br /&gt;- Não, pai. Talvez faça sentido. Explica melhor, Seu Neco. – pediu o filho do Vado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enchendo o peito, o velho sábio soltou:&lt;br /&gt;- O mundo vai se encher de tanta gente, mas tanta gente, e vai ficar tão pesado, mas tão pesado, que das duas, uma: ou o povo cai pra fora do mundo ou o mundo despenca de vez, meu filho!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-4403902140776783197?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/4403902140776783197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=4403902140776783197' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4403902140776783197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4403902140776783197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/07/seu-neco-e-o-apocalipse.html' title='Seu Neco e o Apocalipse'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-YsIRsuILlzo/ThC1bfc3AAI/AAAAAAAAAwY/etEXTtx5dww/s72-c/velho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-2297839605024975072</id><published>2011-06-26T12:26:00.001-03:00</published><updated>2011-06-26T12:29:30.222-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Corrupção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><title type='text'>Quem te viu, quem te vê!</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div face="times new roman" style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-V4G3w9JaRtU/TgdPzFGHRmI/AAAAAAAAAwQ/-gj8J4WFRUA/s1600/charge_sao_joao.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 302px; height: 297px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-V4G3w9JaRtU/TgdPzFGHRmI/AAAAAAAAAwQ/-gj8J4WFRUA/s320/charge_sao_joao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622550398755096162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;T&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;udo começou na Antiguidade. Para os povos desse período, junho era um mês especial. A primavera chegava ao fim e o verão se aproximava. E, com a nova estação, dias mais longos e quentes. Provavelmente eles não sabiam, mas era o solstício de verão: época ideal para o plantio. Sem ciência que explicasse o funcionamento do universo, os antigos atribuíam as alterações climáticas (dias quentes e ensolarados etc.) aos deuses. Daí o costume de promover festejos para “garantir” a boa vontade das divindades pelos próximos períodos. Os antigos também não sabiam. Mas provavelmente foram os primeiros puxa-sacos da História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa junina só ficou mesmo mais parecida com o que nós conhecemos hoje quando a Igreja Católica meteu o bedelho. A antiga comemoração relacionada ao solstício de verão, celebrada no dia 24 de junho, era uma celebração pagã. Durante a Idade Média, a Igreja, estendendo ainda mais seus tentáculos sobre as pessoas, caçou os festejos pagãos e os transformou em rituais e mitos cristãos, tratando logo de meter um de seus santos no meio disso tudo. São João Batista era o nome do sujeito. E a comemoração ficou conhecida como festa joanina, o famoso São João. Quando os portugueses chegaram aqui com essa história, a geografia do local, o calor dos trópicos e a mistura que deu origem ao povo brasileiro se encarregaram dos últimos retoques. Inclusive a mudança do nome para festa junina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje também já não é como antes. Nas cidades, já não é mais tão comum encontrar comemorações juninas tradicionais. As bandas de forró eletrônico, estilizadas ou de plástico, com letras machistas e homofóbicas, estão cada vez mais presentes nas festas organizadas para o povão dos bairros periféricos. Isso para não falar dos outros “gêneros musicais” que aparecem de penetras. Embora algumas coisas permaneçam iguais, como as comidas típicas, por exemplo, outras começam a se perder. São poucos os trios de forró nas grades festas. Sinto falta do zabumba, do triângulo e da sanfona. O palhoção mesmo está desaparecendo. Esse ano a comunidade do meu bairro não fez nenhum. Tá. Tudo bem. Ainda soltam fogos de artifício e acendem fogueiras. Mas não é a mesma coisa. Sei que algumas comunidades resistem. Mas... sei lá. Algo de mágico se foi. Devem ser os efeitos da pós-modernidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Êita, festa junina. Quem te viu, quem te vê. Até as quadrilhas perderam fôlego. Atualmente, as que ganham mais notoriedade são as existentes no Congresso Nacional. É outro tipo de quadrilha, claro. Mas com direito até a forrobodó. Forrobodó como sinônimo de desordem, evidentemente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-2297839605024975072?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/2297839605024975072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=2297839605024975072' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/2297839605024975072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/2297839605024975072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/06/quem-te-viu-quem-te-ve.html' title='Quem te viu, quem te vê!'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-V4G3w9JaRtU/TgdPzFGHRmI/AAAAAAAAAwQ/-gj8J4WFRUA/s72-c/charge_sao_joao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-4335235157112809524</id><published>2011-06-19T10:49:00.000-03:00</published><updated>2011-06-19T11:02:21.228-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><title type='text'>Obsoletos</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-bHHrD1lA8iw/Tf4Ajg2_R4I/AAAAAAAAAwI/Z0XXkHGvpEg/s1600/nospodemos-231x300.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 231px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-bHHrD1lA8iw/Tf4Ajg2_R4I/AAAAAAAAAwI/Z0XXkHGvpEg/s320/nospodemos-231x300.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5619929995120953218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;U&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;ma pesquisa publicada recentemente na revista Nature trouxe uma revelação importante sobre o papel social das mulheres na pré-história e em nossos dias atuais. A análise de paleontólogos da Colorado University Boulder, nos Estados Unidos, indica que as fêmeas das espécies Australopithecus africanus e Paranthropus robustus, que viveram há mais de um milhão de anos, no sul da savana africana, passavam a maior parte do tempo caçando, enquanto os machos ficavam em casa lavando os pratos. Os pesquisadores chegaram a esta conclusão graças a um estudo realizado com 19 dentes que pertenceram a estes nossos parentes mais peludos. A observação aponta que mais da metade dos dentes femininos foi encontrado longe do local onde viviam as espécies, contra apenas 10% dos dentes dos homens, o que sugere que a macharada vivia cuidando do lar e as fêmeas saiam para conseguir comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as pesquisas honestas que se debruçam sobre existência da vida humana na Terra caminham no sentido de mostrar que, antes da civilização, da propriedade privada e do casamento monogâmico, não havia essa conversa mole de “trabalho de homem” ou “trabalho de mulher”. As mulheres nem sempre dependeram dos homens, como gostam de afirmar os defensores do machismo. Mesmo porque essa propalada dependência foi imposta logo depois que os homens surrupiaram boa parte das invenções e descobertas das mulheres. Se observarmos atentamente a história, perceberemos um fato: em casa ou na rua, foram elas que começaram a longa jornada que arrastou a humanidade até aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já sabia que tinham sido as mulheres as responsáveis pelo desenvolvimento da cerâmica, da curtição de peles, da tecelagem e da construção de habitações. Até as primeiras experiências da botânica, da química e da medicina começaram com elas. A mesma coisa com a colheita de frutos, o cultivo da terra e a domesticação de animais, entre eles o próprio homem. Entretanto, agora, com esta novidade sobre as mulheres caçadoras, estou ainda mais convicto de que elas possuem condições de atuar em todas as áreas de atividades humanas. Mesmo com o capitalismo barateando a mão de obra feminina para nos explorar cada vez mais, é inegável que as mulheres estão ocupando profissões e espaços antes dedicados exclusivamente ao sexo masculino. Inclusive, o número de famílias chefiadas por elas tem aumentado bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por que estou fazendo todo esse preâmbulo? Já me explico. Considerando que as mulheres assinam a obra social de praticamente toda a pré-história e que, nas últimas décadas, depois de milênios de opressão e exclusão, elas reiniciam sua jornada em busca da igualdade, eu sou obrigado a aceitar que nós, homens, estamos obsoletos. Nem mesmo para ter filhos e prazer as mulheres precisam mais de nós. Hoje, a ciência e uma infinidade de “brinquedinhos” sexuais já dão um jeito nisso. Durante muito tempo, acreditamos cegamente que elas sempre necessitariam de nossas habilidades para realizar as tarefas mais pesadas, como matar baratas e instalar a antena parabólica. Entretanto, acabei descobrindo, da pior forma possível, que perdemos totalmente a utilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era domingo. Em casa, eu e minha companheira aproveitávamos o dia de folga. Estávamos deitados no sofá vendo TV, quando ela falou:&lt;br /&gt;- Tô com um pouco de fome. Acho que vou pegar alguma coisa pra comer na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Instantes depois, ela voltou com um pote de azeitonas aberto. Espantado, perguntei:&lt;br /&gt;- Você abriu isso sozinha?!&lt;br /&gt;- Abri.&lt;br /&gt;- Como assim “abri”?! Por que não me chamou?!&lt;br /&gt;- Porque não foi preciso. Eu mesma abri, ué! Pode ser?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo me deixou abatido e me fez pensar seriamente no futuro sombrio que nos espera. O que será do gênero masculino se, por exemplo, não pudermos mais abrir potes de azeitonas?! É uma triste constatação, eu sei. Estamos ficando cada vez mais obsoletos. Mulheres, eu vos imploro! Tomem o mundo, mas nos deixem ao menos trocar as lâmpadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-4335235157112809524?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/4335235157112809524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=4335235157112809524' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4335235157112809524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4335235157112809524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/06/obsoletos.html' title='Obsoletos'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-bHHrD1lA8iw/Tf4Ajg2_R4I/AAAAAAAAAwI/Z0XXkHGvpEg/s72-c/nospodemos-231x300.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-4434006646112262341</id><published>2011-06-12T22:38:00.000-03:00</published><updated>2011-06-12T22:48:06.297-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><title type='text'>Heróis e vilões</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-qD4y6hZTKbs/TfVrKwJdY-I/AAAAAAAAAwA/MbUWk9yLsuI/s1600/homem%2Baranha.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 162px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-qD4y6hZTKbs/TfVrKwJdY-I/AAAAAAAAAwA/MbUWk9yLsuI/s320/homem%2Baranha.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5617513942682002402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;A&lt;/span&gt; maioria de vocês, assim como eu, provavelmente acompanhou nos gibis ou nos cinemas as aventuras de conhecidos super-heróis, imortalizados pela cultura pop, como Homem-Aranha, Super-Homem, Capitão América, X-Men etc etc etc. Gente que utiliza super poderes para salvar vidas, impedir o fim do mundo e lutar por justiça e liberdade. Gente que pode voar, desviar de balas, escalar paredes com as próprias mãos e levantar toneladas. Longe da ficção e da fantasia, essa gente não existe. Na vida real, os heróis são outros. São de carne e osso, sangram, pagam contas, recebem salários de fome, andam em ônibus lotados e passam horas em filas de hospitais. Mas, entre os personagens dos gibis e os humanos da realidade, existe ao menos uma semelhança: todos eles possuem terríveis vilões para enfrentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No universo das histórias em quadrinhos, os inimigos querem dominar o planeta, fazer experimentos perigosos e mirabolantes e espalhar maldade por todos os lados. No mundo real, é um pouco diferente, mas não menos terrível. Os vilões já controlam o mundo, através de bancos, grandes empresas, latifúndios e governos opressores. Exploram o trabalho da maioria dos povos e fazem guerras para garantir lucros altos. Com uma ganância sem limites, os inimigos da vida concreta ainda cortam verbas dos serviços públicos essenciais, só para alcançar um superávit primário maior e encher cada vez mais os próprios bolsos de dinheiro. O desemprego, a fome, a miséria e a violência são as consequências que vêm com os atos dos verdadeiros vilões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como os super-heróis dos gibis, os heróis de carne e osso também lutam todos os dias. Lutam para salvar vidas de incêndios, lutam para salvar vidas em hospitais, lutam para guiar vidas nas salas de aula e lutam pela própria sobrevivência. Mas quando estes heróis decidem lutar cruzando os braços em defesa de melhores salários e condições de trabalho, os vilões da História, da mesma forma como nos gibis, respondem com ações inescrupulosas e violentas. Chamam os mocinhos de vândalos, bandidos e delinquentes, além de convocar a polícia para reprimir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, igualando-se aos super-heróis das histórias em quadrinhos, os heróis que sangram e recebem salários de fome também resistem e enfrentam seus inimigos. Às vezes perdem, às vezes ganham. Mas sempre retiram lições importantes de suas batalhas. Descobrem que, ao contrário dos super-heróis dos gibis, eles não podem vencer seus próprios vilões sozinhos. Precisam estar juntos, unidos como um time, um grupo, uma liga, uma classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bombeiros do Rio de Janeiro e todos os trabalhadores que fazem greves neste país e enfrentam seus inimigos mostraram ao mundo que é possível lutar, que é possível vencer. Mesmo sem possuir super poderes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-4434006646112262341?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/4434006646112262341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=4434006646112262341' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4434006646112262341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4434006646112262341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/06/herois-e-viloes.html' title='Heróis e vilões'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-qD4y6hZTKbs/TfVrKwJdY-I/AAAAAAAAAwA/MbUWk9yLsuI/s72-c/homem%2Baranha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-2655945223222594500</id><published>2011-06-05T17:37:00.000-03:00</published><updated>2011-06-05T17:40:37.271-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>O homem que jogava damas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RwY7RQ9HS0I/AAAAAAAAAFI/8ry2Q-s5WyE/s1600-h/Abel-Manta-damas-p%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; FLOAT: right; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5117843194348260162" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RwY7RQ9HS0I/AAAAAAAAAFI/8ry2Q-s5WyE/s320/Abel-Manta-damas-p%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;rtur adorava jogar damas. Desde criança, ele vivia agarrado com as damas. Era a única coisa que despertava seu interesse. Nada de pipa, nem bola de gude ou pião. O negócio mesmo era jogar damas. Em qualquer lugar que estivesse, o tabuleiro e as pecinhas sempre estavam com ele. No início até parecia natural.&lt;br /&gt;- Vai ser bom pra desenvolver mais rápido o intelecto. – dizia o pai, seu Matias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí o que era exercício de inteligência acabou se transformando em obsessão. Artur começou a deixar de lado outras atividades. Não via mais televisão, não lia os gibis que o pai lhe dava, deixou até de fazer as tarefas da escola. Só queria saber de jogar damas. Não parava nem para ir ao banheiro. Fazia ali mesmo. Dizia que era pra não perder a concentração. Quem não gostava nadinha disso era a mãe, dona Vânia. Ficava louca. “Arturzinho, meu filho, assim não dá!”. Os coleguinhas do bairro, que já haviam perdido para Artur inúmeras vezes, estavam de saco cheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiram que não jogariam mais com ele. Parecia que o problema tinha chegado ao fim. Sem oponentes, Artur não podia jogar. Aí ele teve uma brilhante idéia.&lt;br /&gt;- Dona Márcia, o Juca tá em casa? – perguntou o obsessivo jogador depois que a mãe do amigo abriu a porta.&lt;br /&gt;- Claro que tá, Arturzinho. Vai lá no quarto dele.&lt;br /&gt;O Juca sobressaltou-se quando viu o Artur entrar.&lt;br /&gt;- O que é que você quer aqui?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Arturzinho tirou detrás das costas o tabuleiro e as pecinhas. Olhou para o amigo com malícia e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você vai jogar comigo.&lt;br /&gt;- De jeito nenhum! Nem pensar! – resistiu o Juca.&lt;br /&gt;Artur puxou do bolso um lápis com uma ponta bem afiada.&lt;br /&gt;- Ou você joga, ou eu te furo! – ameaçou o obsessivo.&lt;br /&gt;- O que é isso, Arturzinho? Não é bem assim. Sou teu amigo, lembra? – fraquejou o Juca.&lt;br /&gt;- Se é meu amigo, então joga!!&lt;br /&gt;- Tá bom. Mas só uma.&lt;br /&gt;- Certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia dúvidas, a obsessão do Artur tinha passado dos limites. Os pais resolveram tomar uma providência. Destruíram o tabuleiro e as pecinhas e internaram o garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo depois, o Arturzinho parecia curado. Tinha se tornado um belo adolescente e estava até namorando a Marta. Voltou a estudar e a praticar outras atividades. Os pais se orgulhavam da cura do filho. Levava uma vida normal. Era o que parecia até chegar o dia do seu aniversário. Estava completando dezesseis anos. Dona Vânia fez um bolo, preparou uns salgadinhos e chamou todos os amigos do filho. Ele soprou as velinhas e começou a abrir os presentes. Parou no da Marta.&lt;br /&gt;- Abre, amor. Você vai gostar. – incentivou ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o aniversariante abriu o pacote, todos se entreolharam num silêncio angustiante e constrangedor. Era um jogo de damas. Ninguém pôde culpar a Marta. Ela não sabia. Após alguns minutos de apreensão, Artur se despediu de todos e subiu para o quarto. Levou a Marta com ele. Ninguém disse nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas passavam e os pais ficavam cada vez mais nervosos. Queriam saber o que estava acontecendo lá em cima. Resolveram subir. A mãe encostou a cabeça na porta e ouviu as vozes:&lt;br /&gt;- Vai, amor. Só mais uma, vai.&lt;br /&gt;- Tô ficando cansada, Arturzinho. Não agüento mais.&lt;br /&gt;Dona Vânia não vacilou. Tomou distância e se jogou contra a porta, arrombando-a. Pegou o filho na cama com a namorada. O que seria absolutamente normal se eles não estivessem jogando damas.&lt;br /&gt;- Por que, meu filho? Por quê? – disse a mãe em lágrimas.&lt;br /&gt;- Não resisti, mamãe. Não resisti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vício voltou mais forte. O furacão hormonal da adolescência aumentou de algum modo o desejo obsessivo do Arturzinho pelo jogo.&lt;br /&gt;- Por que você gosta tanto de damas? – quis saber um amigo no meio de uma partida com o Arturzinho.&lt;br /&gt;- Porque é excitante.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- O lesbianismo me excita.&lt;br /&gt;- Ainda não entendi. – disse o amigo.&lt;br /&gt;- Um jogo onde uma dama come a outra é na verdade um jogo de lésbicas. – respondeu o obsessivo sem tirar os olhos das peças.&lt;br /&gt;O amigo não riu da piada de mau gosto. Estava sentindo pena do Arturzinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Marta tentou de tudo para livrar o namorado do vício. Apelou até para o erotismo. Tinha perdido as contas de quantas partidas já havia jogado com o Artur. Não agüentando mais, resolveu usar sua sensualidade.&lt;br /&gt;- Amorzinho... – começou ela levantando a saia e mostrando a calcinha.&lt;br /&gt;- O que é? – falou sem tirar os olhos do tabuleiro.&lt;br /&gt;- Dá uma olhadinha pra mim.&lt;br /&gt;- Daqui a pouco. Daqui a pouco.&lt;br /&gt;A Marta abriu a blusa e mostrou os seios.&lt;br /&gt;- Mozinho... Dá só uma olhadinha, vai?&lt;br /&gt;- Depois, Martinha. Depois. Preciso me concentrar. – continuou sem olhar.&lt;br /&gt;Aí a Marta tirou toda a roupa e começou a dançar de forma insinuante para o Artur.&lt;br /&gt;- Ei, gatinho. – disse ela rebolando – Olha como eu tô agora, gatinho. Olha, vai.&lt;br /&gt;- Fica quieta, Marta! Tá atrapalhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pobre Marta recolheu as roupas, encostou-se num canto e começou a chorar baixinho. Aquilo era um absurdo. Um machismo sem tamanho. Como é que ele pôde trocar a Marta pelas damas?! Minutos depois, ela ouviu um “Psiu!”. Virou a cabeça. Era o Arturzinho.&lt;br /&gt;- Martinha... – começou ele.&lt;br /&gt;- O que foi, Arturzinho? – disse ela enxugando as lágrimas.&lt;br /&gt;- É a tua vez de jogar.&lt;br /&gt;A Marta desatou num choro descontrolado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou, e o Artur ficou maduro. Mas o vício persistia. Os pais resolveram não mais tentar salvar o filho. Estavam cansados. Tinham tentado de tudo. Psicanálise, terapia de grupo, choque elétrico. “Não tem mais jeito, Vânia. Não tem mais jeito”. – lamentava-se o seu Matias. Artur se formou em Direito (não havia faculdade para jogo de damas), abriu um escritório e marcou o casamento com a Marta. Apesar de tudo, ela ainda o amava. No dia do casamento, antes da noiva subir ao altar, dona Vânia perguntou:&lt;br /&gt;- Minha filha, você tem certeza do que está fazendo?&lt;br /&gt;- Certeza mesmo a gente nunca tem. Mas eu o amo.&lt;br /&gt;- Como vai conviver com as damas, minha filha?&lt;br /&gt;- Dá-se um jeito, dona Vânia. Dá-se um jeito.&lt;br /&gt;A Marta realmente amava o Arturzinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a noiva entrou na igreja, viu que ela estava lotada. Havia parentes, amigos de infância e da faculdade, gente que conhecia o casal e também a obsessão do Arturzinho. No altar, Marta percebeu a ausência do noivo e do padre. Indignada, chamou o seu Matias num canto.&lt;br /&gt;- Cadê o padre, seu Matias?! E o Arturzinho?!&lt;br /&gt;- Não sei, minha filha. Não sei.&lt;br /&gt;Quando um possível tumulto parecia iminente, ouviu-se um grito vindo do confessionário.&lt;br /&gt;- Socorro!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Vânia correu na direção do grito. Parou diante da porta do confessionário, estava temerosa. Temia que seu maior pesadelo estivesse do outro lado. Ouviu novamente o grito, agora mais fraco.&lt;br /&gt;- Socorro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu a porta e deu de cara com seu pesadelo. O Arturzinho estava estrangulando o padre. Espalhados pelo chão do confessionário, estavam o tabuleiro e as pecinhas do jogo de damas. “Vamos, canalha! Jogue comigo! Você prometeu!”. – gritava o Artur com as mãos no pescoço do sacerdote. Dona Vânia olhou com pesar para o filho, visualmente decepcionada. Virou-se e encarou a nora nos olhos. Não foi preciso dizer nada para que a Marta compreendesse o que a sogra havia visto. A Marta começou a chorar descontroladamente, mas se casou mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casamento nem durou muito. O Arturzinho acabou morrendo. Quer dizer, acabou se matando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Marta sempre foi muito chegada em sexo. Gostava mesmo. Na adolescência até ganhou a fama de ninfomaníaca. Tudo bem. Antes sexo do que damas. Mas aí o Arturzinho acabou pegando pesado com a Marta. Apelação mesmo. Quando ela o procurava antes de dormir, ele era categórico:&lt;br /&gt;- Só se você jogar uma partidinha comigo.&lt;br /&gt;- Mas Arturzinho...&lt;br /&gt;- É pegar ou largar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início ela até aceitou. Queria preservar o casamento, salvar a relação, ainda amava o Artur, essas coisas. Aí o tempo passou e ela se encheu dessa situação. Estava disposta a resolver definitivamente o problema do marido. Pediu a todos os amigos do Artur – os da infância, os do escritório, da faculdade, do barzinho – para que parassem de jogar com ele. Organizou um movimento chamado “Salvem o Artur”. Havia cartazes espalhados por todos os lugares. Até outdoor e tempo na TV a martinha conseguiu.&lt;br /&gt;- Mas... E se ele nos ameaçar? – perguntaram os amigos.&lt;br /&gt;- Chamem a polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente o resultado começou a aparecer. O Artur ficou três semanas sem jogar, estava acuado. Ainda tentou persuadir a Marta, mas foi em vão.&lt;br /&gt;- Vai, Martinha. Eu juro que brinco de papai e mamãe se você jogar só uma comigo.&lt;br /&gt;- Nem pensar, Arturzinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha mais jeito. O obsessivo estava encurralado. O plano tinha dado certo. Os amigos se afastaram, os parentes sumiram. Ninguém mais jogava com o Artur. Quer dizer, quase ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia a Marta chegou do trabalho e pegou o Arturzinho na mesa da sala com o maldito jogo. Mexia uma peça, levantava-se da cadeira, ia até o outro extremo da mesa, mexia mais uma peça e voltava para onde estava sentado. Repetia esse movimento inúmeras vezes. Aí a Martinha sacou.&lt;br /&gt;- Ficou maluco, Artur? Deu pra jogar sozinho agora, foi?&lt;br /&gt;Não houve resposta. A Marta deu de ombros. “Dessa vez ele desiste.” – pensou. E saiu pra comprar pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltou da padaria, encontrou a sala em total desordem. Mesa e cadeiras tombadas, vasos quebrados e o tabuleiro e as pecinhas espalhados pelo chão. Num canto da sala, estava o Arturzinho. Estava deitado sobre uma poça de sangue. Numa mão segurava a faca que usara para cortar o pulso; na outra, um bilhete manchado de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Querida, me desculpe. Fiquei louco por não ter ninguém pra jogar. Você sabe, né? Eu adoro damas. Não posso viver sem jogar. Meus amigos me abandonaram, você não jogava mais comigo. Fiquei isolado. Desde que comecei a jogar, nunca perdi pra ninguém. O bom era ganhar de todo mundo. E eu ganhava! Mas hoje sofri minha primeira e última derrota. Sem oponentes, resolvi jogar contra meu maior adversário: eu mesmo. Perdi. E perdi feio! Isso me irritou profundamente – desculpe pelos vasos. Era um desaforo, uma humilhação. Tenho certeza de que pior que viver sem jogar seria ter de conviver com a presença desagradável da derrota. Não suportaria. Não tive escolha. Espero que me perdoe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com amor,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Arturzinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Gostaria de ser enterrado com as damas. Não fique chateada, querida. Você entende, né? Te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artur&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo compareceu ao funeral do Arturzinho. Amigos, familiares, vizinhos etc. Dona Vânia e seu Matias estavam inconsoláveis. Desgraça maior não poderia ter acontecido. A viúva, de pé em frente ao caixão, com os olhos fundos e o rosto vermelho, escutava com desatenção as palavras do padre. Pensava na parte do bilhete que ela havia omitido da família do falecido. A Marta não contou para os pais do Artur que seu último desejo era ser enterrado com o maldito jogo. Rasgou essa parte. Talvez quisesse poupá-los. Nunca descobriu se o seu Matias e a dona Vânia a culparam pela morte do filho. Eles nunca disseram nada. Depois da última pá de terra e dos últimos “meus pêsames” o funeral se desfez. A Marta foi para casa, levando com ela um segredo. Antes de fechar o caixão, ela pôs o jogo dentro. Chorou descontroladamente, mas mesmo assim acabou enterrando as damas com o marido. É que a Marta amava realmente o Arturzinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-2655945223222594500?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/2655945223222594500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=2655945223222594500' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/2655945223222594500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/2655945223222594500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/06/o-homem-que-jogava-damas.html' title='O homem que jogava damas'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RwY7RQ9HS0I/AAAAAAAAAFI/8ry2Q-s5WyE/s72-c/Abel-Manta-damas-p%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-1945490631884850644</id><published>2011-05-29T22:06:00.000-03:00</published><updated>2011-05-31T12:30:22.180-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><title type='text'>As coisas e o que fazemos com elas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-LP0t-2VqcFw/TeLuyGucAwI/AAAAAAAAAv0/b5V9yyOibs0/s1600/images.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 203px; height: 248px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-LP0t-2VqcFw/TeLuyGucAwI/AAAAAAAAAv0/b5V9yyOibs0/s320/images.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612310630223315714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;C&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;eará-Mirim, Rio Grande do Norte. Maio de 2011. Eu tinha ido cobrir um protesto de 200 trabalhadores rurais sem terra naquele município. Com suas camisas e bandeiras vermelhas, eles deslizavam pela principal avenida do centro da cidade como um rio de sangue, som e fúria. Era o sangue dos companheiros mortos em Eldorado dos Carajás, o som das reivindicações urgentes e a fúria da necessidade de viver. A caminhada ia em direção à sede da Prefeitura, onde o MST exigiria do chefe do executivo municipal a construção de uma escola nas proximidades de seus assentamentos na região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exigência dos sem terra era apenas para ter o direito à educação, mas a polícia foi chamada e os supermercados fecharam as portas. Aglomerados em frente à Prefeitura, homens, mulheres e crianças cantavam e pediam para ser recebidos. Entre eles e o prefeito, um cordão de policiais armados. Entre os pobres e a educação, as armas. Entre o povo e o futuro, o descaso. Historicamente, sempre foi assim. A violência sempre chegou primeiro do que os direitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o impasse estava posto. Os trabalhadores não sairiam dali enquanto não fossem recebidos pela Prefeitura. E a polícia não sairia da frente enquanto não recebesse a ordem. Provavelmente para evitar desgaste político, o prefeito resolveu atender uma comissão de sem terras. Por alguma razão que até hoje desconheço, eu acabei indo junto com o grupo de negociação. Naquela euforia toda, ainda pude ouvir um trabalhador dizer: “Ele é jornalista. Ele é jornalista. Bota ele na comissão também.”. Talvez fosse pela possibilidade de registrar tudo. Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhei toda a conversa entre o prefeito e os trabalhadores. Horas depois, ficou a promessa de atender a reivindicação do MST. Educação nos assentamentos. Simples assim. Mas a lição dessa história é outra. Não é sobre como podemos conseguir nossos direitos exercendo pressão sobre os governantes. Muito embora esta seja uma boa lição. A aula mesmo é sobre as coisas e o que fazemos com elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do prédio da Prefeitura, na ante-sala do gabinete do prefeito, eu aguardava a comissão ser recebida. Do lado de fora, com a rua fechada, o restante dos trabalhadores cantava hinos de luta. Como quem não quer nada, um policial se aproximou de mim e perguntou:&lt;br /&gt;- Você está com eles?&lt;br /&gt;- Só acompanhando a negociação. Sou jornalista.&lt;br /&gt;- Hum... Queria ver uma coisa com você.&lt;br /&gt;- Pois não.&lt;br /&gt;- Veja, lá fora tem muita gente armada com facões e foices. E nós não queremos que nenhuma confusão aconteça. Não poderíamos ver a possibilidade desse pessoal aí entregar essas armas? Nós recolhemos e depois devolvemos. Só por segurança. – argumentou ele.&lt;br /&gt;- Acho muito difícil, policial. Mesmo porque não há ameaça de nada lá fora.&lt;br /&gt;- E aquelas armas?&lt;br /&gt;- Que armas?&lt;br /&gt;- Aqueles facões e foices.&lt;br /&gt;- Não são armas, policial. São instrumentos de trabalho. Foram feitos para o serviço no campo. Não têm como finalidade ferir ninguém.&lt;br /&gt;- Sim, eu sei. Também tenho meus instrumentos de trabalho. – disse ele, batendo de leve em sua pistola presa ao coldre.&lt;br /&gt;- É diferente. Não é a mesma coisa. O seu instrumento de trabalho foi feito com o objetivo específico de matar. – respondi eu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas o policial já estava se afastando com um riso no canto da boca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-1945490631884850644?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/1945490631884850644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=1945490631884850644' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1945490631884850644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1945490631884850644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/05/as-coisas-e-o-que-fazemos-com-elas.html' title='As coisas e o que fazemos com elas'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-LP0t-2VqcFw/TeLuyGucAwI/AAAAAAAAAv0/b5V9yyOibs0/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-5320164579719133924</id><published>2011-05-22T20:03:00.000-03:00</published><updated>2011-05-22T20:27:31.073-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><title type='text'>O Censo e a nova classe média</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/-_Bgj8KbFwsY/TdmYODH8jwI/AAAAAAAAAs0/PlJH6M_isHg/s320/classe_media_juniao.jpg" style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 210px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5609682177990889218" border="0" alt="" /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:180%;"&gt;F&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;oi só depois que o IBGE divulgou os resultados finais do novo Censo que eu consegui descobrir quem é a nova classe média da qual o governo tanto fala. Estou abismado. Como não pude vê-la?! Como não pude encontrá-la, esbarrar com ela por aí?! Dizer um “Olá! Olha, parabéns, viu?! Isso é que é ascensão social, hein!”. Estava tão próxima a mim, e eu não consegui distingui-la. Santa Desatenção! Ela estava praticamente embaixo do meu nariz. Aliás, para minha completa e absoluta surpresa, eu também faço parte dessa nova classe média! Meu Deus, preciso urgentemente visitar o oftalmologista e trocar esses óculos. Francamente. Vai vendo aí.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Pobreza? Que pobreza?&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Nos últimos 10 anos, a pobreza caiu 50,64%. Isso porque, no Brasil, o pobre é o sujeito que possui uma renda mensal menor que R$ 151, segundo as pesquisas. Já na extrema pobreza encontra-se o sujeito que possui renda mensal de até R$ 70. Em geral é menos, não se chega nem a isso, mas até setenta você é extremamente pobre. Quer dizer, bastou ganhar R$ 1 a mais e já saiu da pobreza ou da extrema pobreza. Entretanto, eu entendo a intenção do governo e dos institutos de pesquisa ao apresentarem os cálculos com base nesse critério. É para levantar o moral dos brasileiros. Convenhamos, ser pobre é deprimente e não ajuda a viver bem. Por isso, o melhor é acreditar que fazemos parte de uma nova classe média. Ou, como diria Millôr Fernandes, “classe mérdia”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Sendo assim, é só através do critério dessa nova classe média que é possível compreender um diálogo entre dois desempregados numa esquina qualquer do país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Rapaz, esse mês, se Deus quiser, eu entro pra essa tal de nova classe média.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- É mesmo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Com certeza. Andei fazendo minhas contas. Tudo indica que com mais alguns bicos que já acertei pra fazer essa semana vou apurar uns R$ 160 esse mês.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Mas olha só! Que coisa boa, hein! Parabéns, meu amigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Pois é, rapaz. Vai dar até pra pagar um Chicabom pra patroa lá em casa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;O mistério do banheiro em casa&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;No país do futuro, o banheiro ainda é um mistério para os brasileiros alojados em 3,5 milhões de casas. Isso significa que nem na Idade Média essas pessoas se encontram, uma vez que neste período da história havia ao menos um lugarzinho com buracos no chão para lá deixarmos as “necessidades”. Inclusive, penso eu, que essa parte da população sem banheiro também deve estar enquadrada na nova classe média. Bom, na mérdia eles já vivem e acho que até o penico é um mistério. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Fico imaginando os moradores destas mais de três milhões de residências (estou sendo generoso) passeando pelas orlas de algumas de nossas cidades. Quando menos se espera, pimba! Dão de cara com um desses banheiros químicos. Emocionados, entram e saem diversas vezes do pequeno recinto. Não acreditam nos próprios olhos. Nem mesmo o Sílvio Santos e sua Porta da Esperança seriam capazes de proporcionar aquele momento. Ainda que a necessidade fisiológica não venha, passam horas sentados no vaso. A Maria, esposa do Zé, até pergunta ao marido:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Será que deixam a gente levar um desses pra casa, meu filho? A cor combina direitinho com os tamboretes da sala.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O Censo é ainda mais terrível quando revela que 55,5%, das pessoas vivem sem saneamento básico. Ou seja, quase metade da população nunca viu água tratada, coleta de lixo e rede de esgoto. Mas o governo também deve ter uma justificativa para isso. Afinal de contas, para quê serve saneamento básico quando não se tem nem mesmo banheiro?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Incentivando jantares à luz de vela&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O Censo também revelou uma preocupação dos governos em fazer com que a nova classe média seja mais romântica. Não é à toa que mais de 700 mil famílias não possuem energia elétrica em casa. Isso só pode ter uma explicação. Tanto o FHC quanto o Lula, e agora a dona Dilma, incentivam os jantares à luz de velas. Compulsoriamente, é claro. Mas não se pode negar que os governos querem salvar casamentos, ver os casais mais felizes, impulsionar o romantismo e fazer do Brasil o país do amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Querida, você não vai acreditar no que eu preparei pra você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- O que foi, Josimar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Vem por aqui que eu te mostro. Cuidado aí que tá escuro. Tcharam! Olha só o que fiz pra você.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- O que é isso, Josimar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Ué, um jantar à luz de velas. Não tá vendo as velas?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- As velas eu tô vendo. Não tô vendo é o jantar!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Bom, a gente não tem energia e o dinheiro só deu pra comprar as velas. Mas já é um começo, não acha?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;Joãozinho, o pai de família&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Depois de um dia inteiro de trabalho, guardando carros e limpando pára-brisas nos semáforos, Joãozinho, um guri de nove anos, chega em casa exausto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Mãe, cheguei! Cadê o rango?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Oi meu filho. Já tá saindo. Como foi no serviço?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Foi duro, mãe. A vida tá ficando cada vez mais difícil. Hoje o dia foi brabo. Peguei um monte de cliente unha de fome. Quase não apurei o suficiente para o almoço. Coisa séria essa inflação, hein! Se continuar assim, o que eu ganho não vai dar nem pro café. Imagine pagar luz, água, aluguel e alimentação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Mas meu filho, eu também posso arrumar um emprego...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Nem pensar! A obrigação de sustentar a casa é minha. O pai de família aqui sou eu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Da mesma forma que o Joãozinho, mais de 130 mil crianças brasileiras são responsáveis por chefiar famílias. Elas, provavelmente, também fazem parte da nova classe média do governo. Como se pode ver, a ascensão social no Brasil é realmente coisa de país do futuro. Futuro sombrio, verdade seja dita. Nos últimos vinte anos, a classe que reúne pobres e miseráveis não deixou de existir. Apenas mudou de nome.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-5320164579719133924?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/5320164579719133924/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=5320164579719133924' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/5320164579719133924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/5320164579719133924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/05/o-censo-e-nova-classe-media.html' title='O Censo e a nova classe média'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-_Bgj8KbFwsY/TdmYODH8jwI/AAAAAAAAAs0/PlJH6M_isHg/s72-c/classe_media_juniao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-1800361652662030416</id><published>2011-05-15T16:06:00.000-03:00</published><updated>2011-05-15T16:09:24.428-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>À frente de seu tempo</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-2fI7rTvbjI8/TdAko5z5POI/AAAAAAAAAss/JKeqNmJ01l8/s1600/Malandro.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 223px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-2fI7rTvbjI8/TdAko5z5POI/AAAAAAAAAss/JKeqNmJ01l8/s320/Malandro.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607021821208116450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;m 1968, aos 17 anos, meu pai era um jovem à frente de seu tempo. Sem saber, é claro. Mas ainda assim estava à frente de muitos outros homens da época. No momento em que grandes transformações sociais e comportamentais percorriam o mundo, meu velho dava sua contribuição inadvertidamente. Como alguém que faz o que é correto de maneira inconsciente, meu pai foi parte involuntária daquelas mudanças. No melhor estilo “gaiato no navio”, acabou dando sua cota para aumentar a independência das mulheres. Principalmente, a independência financeira. Tudo isso, óbvio, foi ele mesmo quem me contou. Não tenho nenhuma responsabilidade sobre o conteúdo desta história. Estão avisados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convidar uma garota para ir ao cinema era uma espécie de código através do qual você mostrava, implicitamente, que estava interessado nela. É claro que só o fato de a moça ir ao cinema com você não garantia que algo pudesse rolar. Mas, aceito o convite, as chances aumentavam bastante. Afinal, quando uma mulher não quer fazer alguma coisa, ela diz “não” e pronto. Ciente destas condições, meu pai – sempre que possível – convidava uma garota pela qual estivesse a fim para pegar “um cineminha”. Até aí tudo normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso do convite de meu pai, independente da garota, não variava muito.&lt;br /&gt;- Oi Fulana. Tudo bem?&lt;br /&gt;- Oi Antônio. Tudo sim.&lt;br /&gt;- Então, tava pensando se você não tava a fim de pegar um cineminha comigo essa tarde. Tá passando o Zorro. O que me diz?&lt;br /&gt;- Ah, claro. Eu adoraria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte da diferença entre meu velho e os demais garotos da época, na hora de ir ao cinema com alguém, estava no momento do encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E onde a gente se encontra, Antônio? Pode ser em frente ao cinema?&lt;br /&gt;- Ah... então... acho melhor de outra forma. Vamos fazer assim: quem chegar primeiro à sessão, entra e espera o outro lá dentro, guardando o lugar. É porque tem sido um filme muito concorrido, sabe? Se ficarmos esperando um pelo outro do lado de fora, podemos não encontrar mais lugares. Vai que um de nós chega atrasado, entende? Questão de segurança, saca broto?&lt;br /&gt;- Certo. Tudo bem. Sem problema, gracinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai chegava ao local faltando uma hora para a sessão começar, comprava o próprio ingresso e esperava lá dentro. Quando a garota chegava, cerca de 40 minutos depois, se dirigia direto aos lugares escolhidos por meu pai, de onde ele acenava efusivamente. Daí por diante, era só deixar rolar. Na maioria das vezes, dava certo. Foi dessa forma com todas as garotas com as quais meu velho saiu. Ele chegava primeiro, elas depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Agora eu entendi qual era a do senhor. – disse eu para meu pai outro dia.&lt;br /&gt;- Como assim, filho?&lt;br /&gt;- O senhor entrava primeiro e esperava lá dentro só para não pagar o ingresso da garota. Que mão de vaca, safado!&lt;br /&gt;- Olha o respeito, moleque! Tá me chamando de pão duro?!&lt;br /&gt;- Quem? Eu? Imagina!&lt;br /&gt;- Não era que eu não quisesse pagar o ingresso delas. Mas... veja bem. Havia na sociedade um acordo tácito que de certa forma obrigava os homens a pagar as contas das mulheres. E eu não achava isso correto.&lt;br /&gt;- Quer dizer, o senhor era pão duro mesmo!&lt;br /&gt;- Não é bem assim, filho. Ouça. Eu não achava correto pagar o ingresso do cinema para elas porque aquilo representava mantê-las dependentes financeiramente de mim. E eu não queria isso, entende? Queria que elas tivessem independência.&lt;br /&gt;- Tá bom. Me engana que eu gosto.&lt;br /&gt;- Certo. Ok. Tudo bem que naquela época eu não sabia disso. Fazia tudo de forma inconsciente. Mas, de algum modo, eu ajudei muitas mulheres a se tornarem mais independentes, deixando que elas mesmas pagassem seus ingressos. Mesmo sem saber, filho, eu estava à frente de meu tempo. O problema é que só descobri isso agora, depois de velho.&lt;br /&gt;- Tá. Sei, sei. Mas e hoje? Como é que é? Quem paga os ingressos?&lt;br /&gt;- Óbvio que hoje são elas que pagam. E pagam os dois, inclusive. Estão mais independentes financeiramente. Além do mais, os ingressos de cinema estão pela hora da morte.&lt;br /&gt;- Ou seja, o senhor deixou de ser pão duro para se tornar um gigolô.&lt;br /&gt;- Olha o respeito, moleque!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-1800361652662030416?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/1800361652662030416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=1800361652662030416' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1800361652662030416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1800361652662030416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/05/frente-de-seu-tempo.html' title='À frente de seu tempo'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-2fI7rTvbjI8/TdAko5z5POI/AAAAAAAAAss/JKeqNmJ01l8/s72-c/Malandro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-6647445298405445336</id><published>2011-05-09T01:12:00.000-03:00</published><updated>2011-05-09T19:23:36.232-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>No avião</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: times new roman;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-2dHOUVd2S7U/Tcdp_FP0LEI/AAAAAAAAAsk/kHrIKJ6L0oc/s320/Charge_aviao_bebe.png" style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 211px;" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604564793747057730" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;u estava indo para Santos, cobrir um congresso nacional de trabalhadores. Foi a primeira vez que entrei em um aeroporto com o objetivo de voar. Até então, só tinha estado em um para acompanhar ou esperar alguém. Sempre tive um misto de curiosidade e medo de viajar de avião. O poeta Mário Quintana dizia que “o mal dos aviões é que não se pode descer a toda hora para comprar laranjas.”. Também é verdade que não se pode abrir as janelas para entrar um ventinho, a não ser que você queira tomar o ventinho lá fora. Seria muito bom se estes fossem os únicos males. Mas, infelizmente, não são.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Quando se viaja de avião, por exemplo, as chances de sobrevivência em caso de desastre são bem menores do que em um acidente de ônibus. Em geral, toda vez que um boing se esborracha no chão ou cai no meio do oceano é quase improvável encontrar alguém vivo. Além disso, não há muitas notícias de terroristas sequestrando ônibus e arremessando-os contra edifícios. Bom, já com aviões... Mas, de todo modo, segundo o Superman, voar ainda é a maneira mais segura de viajar. E foi pensando nisso que eu entrei no avião naquela madrugada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Era uma bobagem achar que alguma coisa poderia acontecer naquele dia, e justamente comigo. Por isso, mesmo eufórico com meu primeiro vôo, procurei relaxar e aproveitar o momento. Afinal, seriam quatro horas com a cabeça, literalmente, nas nuvens. Estava tão emocionado com a viagem que na hora nem notei que minha passagem não era de primeira classe. Mas só o fato de viajar de avião já faz a gente ficar metido à besta. Enquanto arrumava a bagagem de mão, ainda pensei em perguntar ao passageiro da frente se o caviar servido pela companhia era proveniente do Mar Cáspio e do tipo beluga. É óbvio que desisti rapidamente, tanto pelo ridículo quanto pela absoluta certeza de que não serviriam nem mesmo um ovo frito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Já acomodado em meu assento, depois de acompanhar atentamente as instruções de segurança dadas por um comissário de bordo que mais parecia um guarda de trânsito epilético, resolvi pegar um livro para passar o tempo. Desgraçadamente, da mesma forma que os ônibus, os aviões também estão munidos de passageiros impertinentes, daqueles que ficam a viagem inteira falando sem parar, mesmo que você não diga nada e demonstre não querer conversa. Para minha infelicidade, um desses passageiros estava ao meu lado. Uma passageira, na verdade. E o pior: a poltrona dela era a da janela, o que me impedia até de usar o recurso de virar a cabeça para ver a paisagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Não demorou muito e ela fez a primeira investida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Sabe, eu gosto de viajar de avião. Estou sempre viajando, meu trabalho exige. Às vezes mais de uma vez por dia. E você? Viaja muito?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Não muito. De avião é a primeira vez. – respondi, me arrependendo logo em seguida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Sério? Não diga. Que coisa. Ah, mas você vai adorar. É claro que tem seus riscos e problemas...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Pronto. Era tudo o que eu não precisava ouvir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Sabe, assim que a gente decolar, você vai sentir uma coisa estranha nos ouvidos. Uma pressão, é como se estivessem sendo tapados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Entendo... – falei – Se eu ficar sem ouvir a senhora, até que não será mau negócio. – completei, dessa vez bem baixinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Hein? O que disse?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Não, não foi nada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Juro que ainda pensei em gritar no meio do avião que aquela mulher tinha uma bomba e que era membro da Al-Qaeda. Na confusão, quem sabe até retirassem ela do vôo. Mas não dava mais tempo. O boing já se preparava para decolar e nós tínhamos de permanecer sentados. Na subida, foi dito e feito. Meus ouvidos ficaram tapadinhos. E por um breve momento eu achei que fosse vomitar. Até virei o rosto para minha inoportuna passageira, na esperança de ver despejado nela o meu eu interior. O enjôo, porém, passou rápido. Mais para sorte dela, claro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Já no ar, estiquei um pouco o pescoço na direção da janela e pude ver tudo lá embaixo ficando cada vez menor, as luzes da cidade bem pequenas. Que emoção. Que sensação boa. Eu estava voando. Pensei com carinho em Santos Dummont e em sua maravilhosa engenhosidade. Agora, nós podíamos ir de uma ponta a outra do mundo em questão de horas, com conforto e tranquilidade. Tudo bem. Eu sei que às vezes nem sempre com tanto conforto. Mas, no meu caso, até poderia ser com tranquilidade, não fosse por minha trágica companheira de vôo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Olha só! Agora que notei. – recomeçou ela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- O quê?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Nossas poltronas ficam no meio do avião, bem ao lado das asas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- E o que é que tem isso?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Ora, você não sabe? Nas asas é que fica o combustível. Se o avião pegar fogo, nós morreremos primeiro. A explosão começa logo por aqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Isso é coisa que se diga para quem viaja de avião? Não, não é. Ainda mais quando se trata de alguém que está tentando relaxar e esquecer os riscos em caso de acidente. Ao que parecia, ao meu lado eu não tinha uma companheira de viagem, e sim um mau agouro. Comecei a ficar inquieto e preocupado com qualquer coisa que acontecesse. Por duas ou três vezes, quando o piloto informou que estávamos passando por “uma pequena turbulência”, cheguei a ficar visivelmente nervoso com o balanço do avião.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Engraçado. – atacou de novo a passageira trombeteira do Apocalipse. – Nos filmes, os pilotos sempre dizem isso quando o problema é mais grave do que parece.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- E a senhora acha isso engraçado?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- E o que se pode fazer? Se tiver de cair, vai cair, meu filho. Ultimamente os aviões tem caído tanto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Ah, que maravilha! Agora, nem se quisesse (e ela deixasse) eu conseguiria me concentrar para ler meu livro. Dormir, então, estava fora de questão, já que a ansiedade não deixava fechar os olhos. Para piorar, nossas poltronas estavam ao lado de uma das portas do avião, que a todo instante dava umas tremelicadas. Se era algo normal, eu não sabia. Mas, àquela altura da situação, tudo parecia errado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Notando meus olhos na porta que tremelicava, a mulher ainda encontrou cara para comentar:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Já pensou se essa porta abre? Nós todos seríamos sugados para fora do avião, hein. Que loucura. Cairíamos não sei quantos mil pés já sabendo que não haveria escapatória. Tão angustiante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;“A senhora com certeza não teria a chance de se esborrachar no chão ainda com vida. Eu faria questão de apertar o seu pescoço enquanto estivéssemos caindo.” – pensei. Mas me arrependo amargamente de não ter dito. Meu suplício só teve um intervalo quando começou a amanhecer. Pela janela, entravam os primeiros raios de sol. Lá fora, eu podia ver com clareza que estávamos acima das nuvens. Era como se o avião deslizasse sobre um enorme tapete branco. Um belíssimo espetáculo ver o sol nascer assim, digamos, mais pertinho de nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Para minha sorte, antes que a infeliz ao meu lado estragasse o momento, uma comissária de bordo passou com o café da manhã. Com a boca atolada de comida, pelo menos ela estaria impedida de dizer besteiras. Aí aproveitei também para beliscar alguma coisa antes de pousarmos. Porém, nem isso deu para fazer. O café servido não passava de uma torrada integral com uma pequena porção de requeijão light. Na hora de abrir o pacote da torrada, fiz muita força e acabei esfarelando tudo. Só me restou beber um copo de suco de caixinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;- Cuidado, viu? Às vezes esses sucos que eles servem estão fora da validade. Faz um mal danado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:130%;"&gt;Era a maldita passageira, de novo. Me levantei desesperado, em busca daquelas cordinhas presas ao teto dos ônibus que servem para avisar que vamos descer na próxima parada. Não encontrei, obviamente. Mário Quintana tinha razão. “O mal dos aviões é que não se pode descer a toda hora para comprar laranjas.”. Ou para fugir de todo tipo de maluco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-6647445298405445336?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/6647445298405445336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=6647445298405445336' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6647445298405445336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6647445298405445336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/05/no-aviao.html' title='No avião'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-2dHOUVd2S7U/Tcdp_FP0LEI/AAAAAAAAAsk/kHrIKJ6L0oc/s72-c/Charge_aviao_bebe.png' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-7088804360782574628</id><published>2011-05-01T15:51:00.000-03:00</published><updated>2011-05-01T15:52:23.345-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>O ladrão intelectual</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: times new roman;font-family:times new roman;"  align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_dufrFkEMsCo/Rv6jH8dNo_I/AAAAAAAAADg/6QtWZ_x9UAg/s1600-h/061024_3livros-sabios%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5115705583622530034" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right;" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_dufrFkEMsCo/Rv6jH8dNo_I/AAAAAAAAADg/6QtWZ_x9UAg/s320/061024_3livros-sabios%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;font-size:180%;" &gt;&lt;strong&gt;Q&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;uando um amigo me contou, eu não acreditei.&lt;br /&gt;- Fala sério! Cê tá de brincadeira, né?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não estava. Existia realmente um ladrão diferente a solta pelas ruas de Maceió. Já havia assaltado cerca de trinta pessoas em menos de um mês. Mais impressionante do que isso, só o fato de que o sujeito não roubava dinheiro, relógios ou celulares. Roubava livros! Isso mesmo. Livros! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: times new roman;font-family:times new roman;"  align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era mais novo, minha mãe costumava dizer (e ainda diz!) que meu futuro estava nos livros. Dizia que eu tinha de comer os livros pra virar gente de verdade. “Um homem só cresce na vida através dos livros!” – declarava. Era um claro exagero, não tenho dúvidas. E um pouco de ingenuidade também. Mas não pude deixar de lembrar dos conselhos de minha mãe ao saber da existência de um ladrão intelectual. “Ai, meus clássicos! Ai, meus clássicos!”. – pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não tive como não lembrar dos cuidados que minha sábia mãezinha exigia de mim.&lt;br /&gt;- Menino, cuidado com os assaltos! Se o ladrão pedir, entregue tudo!&lt;br /&gt;- Tá, mãe. Tá. Mas eu só tenho livros na bolsa. A senhora já viu algum ladrão roubar livros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que o caso havia me intrigado. Procurei pensar no lado positivo da coisa. Se a moda pegasse, o Brasil poderia até deixar de ser um país de analfabetos. Resolvi, então, conversar com algumas pessoas que tinham sido atacadas pelo tal ladrão intelectual. Queria saber como o sujeito agia. Estava na hora de exercitar meu jornalismo investigativo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: times new roman;font-family:times new roman;"  align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Como a maioria dos gatunos, ele também tinha hábitos noturnos e um local preferido para atacar. Todos os assaltos ocorreram dentro da universidade por volta das 20 horas. Uma das vítimas, uma estudante de pedagogia, afirmou que não se tratava de um ladrão como outro qualquer.&lt;br /&gt;- Ele não roubou meu dinheiro. Roubou meus livros! Levou o meu Pedagogia do Oprimido!&lt;br /&gt;- Certo. Isso eu já sei. Além de roubar livros, você percebeu mais alguma coisa de incomum? – perguntei.&lt;br /&gt;- Ele usava uma máscara.&lt;br /&gt;- Mas isso não tem nada de incomum. Muitos ladrões usam máscaras. – retruquei.&lt;br /&gt;- Com o rosto do Paulo Freire?&lt;br /&gt;De fato era um caso estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu método se diferenciava pouco dos outros. Se houvesse resistência ao roubo dos livros, ele ameaçava as vítimas com um canivete. Tudo bem que era um canivete suíço, mas ainda assim era um canivete. Demonstrava total frieza e indiferença na hora da ação. Mas não aparentava seguir um padrão único. Às vezes agia com muita cordialidade. Nem parecia que era um assalto. Foi assim com um estudante de letras num ponto de ônibus escuro e vazio.&lt;br /&gt;- Boa noite. – disse o sujeito com uma máscara do Jorge Amado.&lt;br /&gt;- Ai, meu Deus! – assustou-se a vítima – Mas o que é isso? Tem alguma festa à fantasia hoje?&lt;br /&gt;- Não é nada. Só uma comemoração boba. – disfarçou – Escuta, posso dar uma olhada nesses livros?&lt;br /&gt;- Claro. Fique à vontade.&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- Que foi?&lt;br /&gt;- Tolstoi, Joyce, Machado de Assis. Muito bom. Boas leituras. Vou levá-los.&lt;br /&gt;- Ahn? Como assim “vou levá-los”?&lt;br /&gt;- Ah, desculpe. Esqueci de avisar. Isso é um assalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o larápio de livros também já demonstrou alguns lapsos de descontrole emocional. A vigésima vítima, um estudante de filosofia, me deu um relato interessantíssimo. O rapaz contou como se dera o ocorrido.&lt;br /&gt;- Boa noite. – disse uma voz calma e educada no meio da penumbra.&lt;br /&gt;- Quem está aí?&lt;br /&gt;- “O homem é condenado a ser livre”. – afirmou a voz.&lt;br /&gt;- Sócrates?&lt;br /&gt;- Não, seu burro! – disse a voz alterada – É Sartre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz sentiu uma forte dor na cabeça e caiu desacordado. Quando recobrou a consciência, seus livros tinham sumido. Tudo indica que tenha sido uma paulada. Parece que o gatuno não suporta burrice. Um pouco intolerante, eu acho. Mas também com uma jeguice dessas, quem não seria?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação começou a se agravar ainda mais. O ladrão intelectual já havia surrupiado Sartre, Piaget, Freud, Poe, Marx e muitos outros. A comunidade acadêmica estava apavorada e ninguém sabia exatamente o que fazer. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: times new roman;font-family:times new roman;"  align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Foi aí que, recentemente, as idas e vindas da história apontaram um possível caminho. Foi com uma menina do curso de administração. Ela saía da aula quando viu se aproximar o Graciliano Ramos.&lt;br /&gt;- Muito bem. Sem muitas delongas. Isso é um assalto!&lt;br /&gt;A moça começou a abrir a carteira.&lt;br /&gt;- Não. Não é isso que eu quero. Quero os livros.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- É o que você ouviu. Passa os livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina entregou-os sem se queixar. Momentos depois, o ladrão explodiu:&lt;br /&gt;- Mas o que é isso?! Você tá de sacanagem, né?! Que palhaçada é essa?!&lt;br /&gt;- Ora! Eu gosto, ué?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os livros eram Brida e Diário de um Mago.&lt;br /&gt;- Como assim? Você gosta de Paulo Coelho?! Você tá lendo Paulo Coelho?!&lt;br /&gt;- Tô. Qualé o problema?&lt;br /&gt;- Você não tem vergonha na cara não, menina! Ai, meu Deus do céu! Sidney Sheldon eu até aceito. Mas Paulo Coelho já é apelação! Aí já é demais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largou os livros da moça no chão e fugiu indignado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div  align="justify" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Foi como um antídoto. Todo mundo começou a andar com livros do Paulo Coelho embaixo do braço. Parece que deu certo. Até o momento não houve mais registros de incidentes com o gatuno intelectual. Finalmente encontraram uma solução para o problema dos roubos. E uma finalidade para o Paulo Coelho. Mas já tem gente preocupada, achando que só o Paulo Coelho talvez não resolva. Tão querendo andar com livros da Zíbia Gaspareto. Não sei, não. Aí eu já acho sacanagem. Com o ladrão, claro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-7088804360782574628?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/7088804360782574628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=7088804360782574628' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7088804360782574628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7088804360782574628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/05/o-ladrao-intelectual.html' title='O ladrão intelectual'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_dufrFkEMsCo/Rv6jH8dNo_I/AAAAAAAAADg/6QtWZ_x9UAg/s72-c/061024_3livros-sabios%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-3934434503160429669</id><published>2011-04-24T20:14:00.000-03:00</published><updated>2011-04-24T20:25:48.486-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>Crime contra a Língua</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-X3LYS0m96YE/TbSxXVw1U_I/AAAAAAAAAsU/Zl4A0Fq1XHc/s1600/flordeziaco.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 320px; height: 217px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-X3LYS0m96YE/TbSxXVw1U_I/AAAAAAAAAsU/Zl4A0Fq1XHc/s320/flordeziaco.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599295251265442802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;m outra ocasião, já falei de um professor que não tolerava erros de Língua Portuguesa. Tratava cada deslize dos alunos como “jeguices”. Seu método se baseava no princípio da vergonha absoluta. Se alguém cometesse qualquer tipo de jeguice, era sumariamente humilhado pelo professor. O resultado desse tratamento de choque se apresentava de duas formas: ou o moleque se matava de estudar para não cometer mais erros, ou nunca mais abria a boca pra falar merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que me chega mais uma história do professor intolerante.&lt;br /&gt;Durante a aula, a turma discutia em grupos o crescimento da violência no Brasil. Seqüestros, roubos, assassinatos. Foi quando o professor interrompeu o debate e disse:&lt;br /&gt;- Vocês estão acompanhando através dos meios de comunicação o crescimento da violência. Principalmente a elevação de crimes como o famoso “roubo seguido de morte”. Alguém saberia me dizer que nome é dado pelo Código Penal a esse tipo de crime?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Fernandinho, desesperado para responder, levantou logo o braço.&lt;br /&gt;- Eu sei, professor! Eu sei!&lt;br /&gt;- Pois então pode dizer, Fernandinho.&lt;br /&gt;- O nome é laticínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor começou a se contorcer de raiva.&lt;br /&gt;- Que jeguice, meu Deus! Está errado, Fernandinho. O correto é latrocínio, infeliz! É quando alguém, no ato de roubar, acaba matando a vítima.&lt;br /&gt;- É isso mesmo, seu burro! – interrompeu o Pedrinho, todo metido a esperto – Só seria laticínio se o queijo roubasse o leite e matasse a vaca! Mas tu é um burro mesmo, hein!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor não suportou e sofreu uma parada cardíaca. Está internado e seu estado é grave. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-3934434503160429669?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/3934434503160429669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=3934434503160429669' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3934434503160429669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3934434503160429669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/04/crime-contra-lingua.html' title='Crime contra a Língua'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-X3LYS0m96YE/TbSxXVw1U_I/AAAAAAAAAsU/Zl4A0Fq1XHc/s72-c/flordeziaco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-3691185541274584688</id><published>2011-04-17T22:57:00.000-03:00</published><updated>2011-04-17T23:02:25.822-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>O Banana</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div face="times new roman" style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-JL6wvtfbrlY/TaubgLinsQI/AAAAAAAAAsE/aYJ_pmCQyZA/s1600/banana1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 303px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-JL6wvtfbrlY/TaubgLinsQI/AAAAAAAAAsE/aYJ_pmCQyZA/s320/banana1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5596737939094089986" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;N&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;ão há um só dia em que a gente não escute alguém reclamar da violência. Nas filas, nas praças, nos jornais. Em todo lugar. Ao que parece, à medida que a miséria e fome aumentam a violência se expande mais. E as vítimas, na maioria das vezes, são aquelas que menos têm para serem roubadas. Isso sem falar, é claro, no pior de todos os roubos: o roubo oficializado, quando o governo faz seus cortes nos orçamentos da saúde, educação, reforma agrária etc. Enfim, começamos a vislumbrar a decadência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo isso porque a cena que presenciei por esses dias me serve de prova irrefutável. Assim como tantas outras pessoas, eu voltava pra casa no começo da noite quando ocorreu o incidente. Nesse dia, o ônibus até que não estava tão cheio e eu viajava sentado. Num determinado ponto da viagem, subiu no coletivo um sujeito mal-encarado. Percebi as pessoas trocarem olhares de desconfiança, numa clara expressão de perigo iminente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que passou pela roleta, o homem gritou:&lt;br /&gt;- Todo mundo quieto! Isso aqui é um assalto! Pode ir passando os celular, relógio e dinheiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por baixo da camisa, o homem segurava um objeto pontiagudo, semelhante ao cano de um revólver. Os passageiros, assustados, começavam a entregar as coisas. Nesse instante, o motorista deu uma freada mais brusca. O assaltante cambaleou, desequilibrou-se e, para não cair, acabou soltando o objeto que tinha por baixo da roupa. Era uma banana! Isso mesmo. Uma banana. A cena que se seguiu foi uma daquelas que contando a gente não acredita. A multidão partiu pra cima do sujeito e o que se viu foi um verdadeiro linchamento. O pobre do homem apanhou mais do que carne de terceira. Não sei como aconteceu, mas milagrosamente ele conseguiu escapar por uma das portas do ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Palhaçada, rapá! Tá pensando que o povo é trouxa?! – diziam uns.&lt;br /&gt;- Onde já se viu uma coisa dessas?! Assaltar com uma banana?! É o fim da picada. – protestavam outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após uma chuva de xingamentos, a relativa paz voltou a tomar conta do coletivo. Mais tranqüilo, me lembrei de procurar a banana que o assaltante havia deixado cair. Encontrei apenas a casca. Alguém tinha comido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, estamos à beira do caos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-3691185541274584688?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/3691185541274584688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=3691185541274584688' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3691185541274584688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3691185541274584688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/04/o-banana.html' title='O Banana'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-JL6wvtfbrlY/TaubgLinsQI/AAAAAAAAAsE/aYJ_pmCQyZA/s72-c/banana1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-6181128613251046773</id><published>2011-04-10T17:21:00.000-03:00</published><updated>2011-04-11T15:06:03.839-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><title type='text'>O pesadelo de Odair Reacionário</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 225px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5594053257226166082" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-mZhfq-9tMsc/TaIRzIOVH0I/AAAAAAAAAr8/cxa4X_Qdm1U/s320/cqc_bolsonaro.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:180%;"&gt;P&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;arecia ser mais um dia como outro qualquer na vida do deputado federal Odair Reacionário. Como de costume, acordou por volta das 5 da manhã, tomou sua ducha fria de meio minuto e barbeou-se com um canivete do tempo em que ainda era militar. Em seguida, vestiu sua cueca da sorte, com a suástica bordada na frente, sentou-se na cama e começou a lustrar os coturnos. Só para não perder o hábito, montou e desmontou seu fuzil umas trezentas e cinquenta vezes. Depois, dirigiu-se a um pequeno e singelo altar. Ajoelhou-se e pôs a mão sobre um livro de capa preta. Mein Kampf, dizia o título em alemão. Rezou em silêncio e com a cabeça voltada para duas imagens acima do altar. Eram figuras bastante conhecidas. Da parede, as fotos de Médici e Geisel observavam com alegria o nobre deputado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Terminado o ritual matutino, Odair Reacionário sentou-se à mesa sem dar bom-dia a sua esposa, pediu o café e pegou o jornal. As notícias não eram nada animadoras. “MST ocupa mais dez fazendas no interior de São Paulo”, “Metalúrgicos do ABC iniciam greve geral”, “Congresso vota hoje Lei da Homofobia; movimento GLTB promete fazer pressão”. Os tempos não eram bons, pensou o deputado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Ai, que saudade da Dita. – suspirou Odair. – A Dita é que era mulher de verdade... – cantarolou baixinho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Imediatamente, a esposa fixou os olhos duros no marido. Como um balão que não podia mais receber ar, ela explodiu pra cima dele:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Não aguento mais isso, Odair! Desde que nós nos casamos que você fala nessa tal de Dita. Até na minha frente você fala nela. Anda, Odair! Quem é essa Dita?! Hein?! É Benedita o nome dela, não é?! Quem é essa sirigaita?! Fala, Odair!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Olha aqui, mulher. Não admito que você levante a voz pra mim. Tá pensando o quê?! Que mulher pode fazer o que quiser?! Numa boa família, quem manda é o homem! E aqui o homem sou eu! Só não te dou umas porradas porque se não vou amassar meu terno. E outra. Larga de ser burra. A Dita de que tô falando é a Ditadura! Essa, sim, me dá saudade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Raivoso, engoliu os ovos com bacon e saiu da cozinha pisando firme. Quando passou pela sala, viu que seu filho mais novo, um garoto de seus treze anos, estava assistindo ao desenho do Bob Esponja.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Mas o que é isso, moleque?! Que merda de desenho é esse?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- É o Bob Esponja, pai.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Bob Esponja é o cacete, rapaz! Isso daí é o Bob Boiola. Que tipo de homem tem um amigo em forma de estrelinha cor de rosa?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Mas o Bob não é um homem. É uma esponja, pai.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Ah, logo vi! Claro que não poderia ser homem. Mole desse jeito! Você não vai ver esse desenho. Isso é coisa de gay.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Mas eu gosto, pai.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Gosta nada, moleque. Escuta aqui. Se você não andar na linha, eu te dou um couro! – e Odair lascou um cascudo na cabeça do filho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Da entrada da cozinha, a mulher ainda pediu:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Não faz isso, Reacionário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- E você cala a boca! Volta pra cozinha que é o teu lugar. Tão pensando o quê?! Que vão fazer revolução?! Que aqui pode ter mulher independente e filho veado?! Nada disso! Aqui não é a casa da mãe Joana, não!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;E olhando para o filho que chorava, Reacionário completou:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Ô moleque! Para de chorar! Homem não chora, cacete! Parece uma bichinha. E tem mais, hein! Quando eu voltar, se você não tiver aprendido a coçar o saco e a cuspir no chão, vai pro pau de arara. Tá me entendendo?! Agora quero ver pedir pra sair! Pede pra sair! Pede pra você ver!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Antes de sair de casa, o deputado Odair ainda deu mais três coices, relinchou e bateu a porta com força atrás de si. Só não comeu a grama do jardim porque já tinha tomado café. No caminho até o Congresso Nacional, ligou o rádio no carro para ouvir as notícias. Estarrecido, descobriu que centenas de milhares de pessoas se aglomeravam em frente à “Casa do Povo”. O locutor informou que a Praça dos Três Poderes estava repleta de pessoas. Eram trabalhadores, jovens, idosos, homens, mulheres, negros, brancos, gays, lésbicas, travestis. Segundo o locutor, bandeiras vermelhas e coloridas tomavam a fachada do Congresso. Todos querendo pressionar o Legislativo para que a lei contra a homofobia fosse aprovada. No carro, Odair Reacionário pensava: “Meu Deus. Hoje vai ser um dia daqueles. Parece um pesadelo. Esses promíscuos querem acabar com a família, a moral e os bons costumes. Isso tem que ser resolvido é na bala.”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Quando o carro se aproximou do Congresso, o deputado pode comprovar que o pesadelo era maior do que o rádio havia informado. Na praça, tinha mais gente do que ele imaginara, mais até do que fora anunciado. Nas mãos, os manifestantes exibiam cartazes e faixas. “Chega de homofobia!”, “Direitos iguais para os homossexuais!”, “Contra toda forma de opressão!”, “O amor não é pecado!”, “Pela aprovação imediata do PLC 122!”, “Criminalização da homofobia já!”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Odair Reacionário não acreditava no que estava vendo, devia ser um pesadelo mesmo. Ainda teve ímpetos de baixar o vidro do carro, colocar a cabeça para fora e gritar: “Mas o que é isso?! É o Apocalipse?! Sodomitas! Infiéis! Vão queimar no fogo do inferno!”. Só não o fez porque estava em menor número. Era um soldado, um estrategista. “Mas esperem até eu entrar no Congresso. Aí vocês vão ver. Os defensores da família não vão permitir a aprovação da safadeza.”, disse pra si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Na entrada do prédio, dezenas de repórteres se amontoavam. Todos esperando a chegada do deputado Odair Reacionário, principal representante da moral e dos costumes. Um parlamentar que usava a democracia para defender abertamente a ditadura e que pregava sem remorsos o direito de ser preconceituoso. Eufóricos, os jornalistas queriam ouvir de Odair uma avaliação sobre a decisão que o Congresso estava prestes a tomar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Então, deputado, parece que por causa da pressão popular a bancada do governo está se vendo obrigada a votar pela aprovação da lei anti-homofobia. O que o senhor tem a dizer sobre isso? – perguntou uma repórter.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Nós estamos numa guerra, minha filha. Esse é um governo de frangotes. Nós não vamos amolecer diante deste bando de pederastas que está aqui na frente do Congresso. Nossa bancada vai lutar até o fim contra essa imoralidade. Eu não quero que meu filho abra a porta de casa e dê de cara com duas mulheres ou dois homens se beijando. Eu quero que meu filho seja macho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Mas o senhor não acha que este tipo de comportamento é intolerante e homofóbico? – quis saber outro repórter.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- E quem é que está sendo intolerante e homofóbico aqui, meu rapaz?! Eu não sou homofóbico, só acho que isso de homossexualismo é coisa de veado. E por isso sou contra. Quero ter esse direito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Então, o senhor quer ter o direito de oprimir os homossexuais?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Bom, se você chama de opressão o fato de eu estar defendendo que os homossexuais não tenham direitos, então sou um opressor, sim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Odair Reacionário ainda deu mais algumas de suas “racionais” declarações e se encaminhou para o plenário da Câmara. Mas, antes, fez questão de relinchar três vezes e beliscar um pedacinho da grama do Congresso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Lá dentro, deputados e senadores debatiam – obrigados pela pressão popular, é claro – o projeto de lei que tornava crime a homofobia. Foram horas e horas de sessão, seguidas de discursos e mais discursos. Contra e a favor. A bancada evangélica estava assombrada diante da possibilidade da aprovação da lei. Da tribuna, seus representantes esperneavam e faziam falas bíblicas, citavam passagens dos evangelhos, reivindicavam que Deus havia criado Adão e Eva, e não Adão e Ivo, etc, etc, etc. Governistas e oposição de direita discursavam constrangidos. Uns contra, outros a favor. Mas todos constrangidos. A pressão era grande. Estavam numa encruzilhada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Lá fora, quase um milhão de pessoas ameaçava entrar no Congresso, caso os parlamentares não ouvissem seu clamor e não aprovassem a lei anti-homofobia. Os jornais noticiavam que o Movimento Gay não iria mais retroceder em suas reivindicações. “O país já sofreu o suficiente com o preconceito, a violência, a perseguição e a intolerância. É preciso avançar no combate à opressão aos homossexuais, que tanto serve para aumentar a exploração sobre nós.”, diziam líderes do movimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Dentro da Câmara, o deputado Odair Reacionário era a todo instante informado por seus assessores sobre os desdobramentos da situação. O governo não tinha condições de enfrentar mais uma crise política. Caso o Congresso não aprovasse a lei, a imagem negativa das instituições democráticas só iria aumentar. Depois dos problemas com a Ficha-Limpa, será que o Legislativo suportaria mais esse baque? Era o que se perguntavam os analistas políticos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Já passava das onze horas da noite quando o que parecia apenas um pesadelo para Odair Reacionário finalmente tornou-se uma realidade. Por uma margem pequena de diferença, o Congresso havia aprovado a lei anti-homofobia. Do lado de fora, os manifestantes comemoravam o direito de expressar a própria sexualidade. Comemoravam o direito de ver presos aqueles que ousassem reprimir a felicidade e o amor dos outros. Do lado de dentro, Odair Reacionário, já muito desesperado, pediu para subir até a tribuna. Queria falar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Isso é uma vergonha! – gritava – Vocês não podem aprovar essa safadeza! Isso aqui vai virar uma república de veados. Onde estão a moral e os bons costumes?! Eu não sou a favor da violência contra os homossexuais, mas acho que se o menino começa a ficar meio gayzinho ele tem que tomar umas porradas pra se orientar. Vocês não sabem o que estão fazendo. É por isso que eu defendo a ditadura e a tortura! Assim é que se endireita esse país!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Nesse momento, o deputado Odair Reacionário foi interrompido por um assessor, que lhe informou que alguém precisava falar com ele urgentemente pelo telefone.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Quem é?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Seu filho, deputado. Diz que tem algo importante pra falar. – disse o assessor entregando um celular.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- O que é, moleque?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Pai, queria cantar pra você uma música muito legal que aprendi hoje. Tem uma lição de vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Garoto, esse não é um bom momento. Estou aqui numa situação muito difícil.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Só o refrão, pai. É rápido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Depois de um suspiro de impaciência, Reacionário concedeu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Tá, moleque. Vai logo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Com um fundo musical dançante, Odair ouviu o filho cantar:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- “Não se reprima! Não se reprima! Não se reprima!”. – em seguida, ainda com o telefone no ouvido, o deputado ouviu o garoto improvisar. – Não me reprima! Não me reprima! Não me reprima!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Imediatamente, Odair Reacionário sentiu uma forte dor no peito, a visão escureceu e ele tombou sobre o chão. Acordou assustado em sua cama, com o corpo lavado de suor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Meu Deus, que pesadelo. Tudo parecia tão real. Por um momento até achei que... ah, não. Claro que não. Impossível de acontecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Levantou-se e andou pela casa. Notou que estava sozinho. Acabou encontrando um bilhete da mulher sobre a mesa da sala. Dizia que ela havia decidido abandoná-lo. Tinha levado o filho também. “Que merda está acontecendo aqui?”, pensou Odair. Sentou-se no sofá e ligou a TV. Os telejornais falavam da realização do primeiro casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Acontecimento que só se tornou possível após a extensão dos direitos de casais heterossexuais para casais homossexuais, aprovada juntamente com a lei anti-homofobia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!! – gritou Odair Reacionário, acordando para o seu pesadelo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-6181128613251046773?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/6181128613251046773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=6181128613251046773' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6181128613251046773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6181128613251046773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/04/o-pesadelo-de-odair-reacionario.html' title='O pesadelo de Odair Reacionário'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-mZhfq-9tMsc/TaIRzIOVH0I/AAAAAAAAAr8/cxa4X_Qdm1U/s72-c/cqc_bolsonaro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-8930081495508250581</id><published>2011-03-27T12:54:00.000-03:00</published><updated>2011-03-27T15:00:41.667-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Braços</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 248px; FLOAT: right; HEIGHT: 301px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5588789131085495778" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-bADodMAudrA/TY9eGqLqPeI/AAAAAAAAAr0/3e1zgHXqs0U/s320/misterio_do_mes.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size:180%;"&gt;À&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; noite, passando por uma rua deserta, um grupo de estudantes voltava para casa. Por andar devagar, um deles acabou se afastando um pouco do restante. Como o bando vinha numa conversa animada, ninguém notou que o rapaz ia ficando para trás.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Algum tempo depois, o grupo sente falta dele. Ao se virar, a caravana avista o sujeito a uma distância considerável. Ele, que era negro, estava branco. Logo todos se aproximaram para saber o que acontecera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- O que houve, cara?! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Fui assaltado! Levou meu celular. – contou ele, muito nervoso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Assaltado?! Mas como? – perguntaram todos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Um cara chegou por trás de mim...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Ui!! – alguém do grupo suspirou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Peraí, porra! É sério. O cara foi assaltado. Fala. – disse o Erivaldo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Um cara chegou por trás de mim. Passou o braço pelo meu pescoço, encostou o cano do revólver nas minhas costas e enfiou a mão no meu bolso pra pegar o celular. E disse que se eu fizesse qualquer coisa ele atirava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Peraí, peraí, peraí! Você disse que o cara fez o quê?! Deixa ver se eu entendi. O cara te deu uma gravata, encostou a arma nas tuas costas e enfiou a mão no teu bolso?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- É. Foi isso. – confirmou o rapaz assaltado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- E quantos braços tinha esse assaltante, pelo amor de Deus?! Três?! – estranhou o Erivaldo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Nesse momento, uma forte dúvida se abateu sobre o grupo. Alguma coisa não estava fazendo sentido naquela história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Mas não é possível. Pra fazer tudo isso ao mesmo tempo, o assaltante teria que ter três braços. Você tem certeza do que aconteceu?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Tenho sim. Foi exatamente isso. – insistiu o assaltado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- E como diabos o bandido fez toda essa ação? – o Erivaldo não se conformava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- E eu é que sei! Só sei que o cara levou meu celular!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Calma aí, pessoal. Vamos analisar friamente. – ponderou o Alex. – Há três possíveis explicações, mas apenas uma pode ser a verdadeira. Primeira: nosso amigo aqui está mentindo, mas ele não teria razões para mentir, não neste caso. Então está descartada. Segunda: o assaltante realmente tinha três braços, o que seria irreal e por si só uma mentira. Resta apenas a terceira. Vai ver que...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Vai ver o quê?! Fala logo! – exigiu o grupo todo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Vai ver que esse terceiro braço não era exatamente um braço. Nem o cano era exatamente de um revólver. Bom, essa é explicação mais plausível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Fez-se um silêncio constrangedor. Aí o Erivaldo falou:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Isso só piora as coisas. Parece que agora a dúvida mudou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- E qual é a dúvida então? – quis saber o Alex.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Dadas as proporções avantajadas do caso, agora precisamos saber se o assaltante era um homem ou um jumento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Uuuuiii! – alguém suspirou de novo. Dessa vez, mais profundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-8930081495508250581?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/8930081495508250581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=8930081495508250581' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/8930081495508250581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/8930081495508250581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/03/bracos_27.html' title='Braços'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-bADodMAudrA/TY9eGqLqPeI/AAAAAAAAAr0/3e1zgHXqs0U/s72-c/misterio_do_mes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-4391064407244877445</id><published>2011-03-13T21:22:00.000-03:00</published><updated>2011-03-13T21:32:51.822-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Agora eu sou fitness!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-6YlUdaKXyns/TX1h5tTy5eI/AAAAAAAAArc/QBVeodKe-XA/s1600/fitness1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 228px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583726757052343778" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-6YlUdaKXyns/TX1h5tTy5eI/AAAAAAAAArc/QBVeodKe-XA/s320/fitness1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;R&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;ecentemente fiz minha matrícula numa academia de ginástica. É isso mesmo. Agora eu sou fitness. Não que eu tenha me rendido ao culto vazio e desnecessário do corpo perfeito. Mas decidi que não vou ficar gordo e muito menos deixar minhas coronárias entupirem. Meu médico falou que a partir dos 25 anos o ritmo do metabolismo começa a diminuir e isso, sob determinadas circunstâncias, pode se tornar perigoso, já que muitos de nós continuamos comendo porcarias e levando uma vida sedentária. Sendo assim, resolvi fazer exercícios físicos, mudar a alimentação e combater o colesterol ruim. Agora eu sou da turma da granola e da linhaça. É claro que não entrei numa academia para buscar músculos extravagantes e ficar deformado. Meu objetivo é alcançar uma vida saudável. Mas não reclamaria se conseguisse ficar igual ao Hugh Jackman. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Obviamente, como todo marinheiro de primeira viagem, tive alguns contratempos com o início de minha vida fitness. Para se ter uma ideia da situação, eu estava pedindo arrego já no alongamento. Fiquei lavado de suor só em esticar os braços para cima com os dedos entrelaçados, o que é muito preocupante para alguém que passou toda a adolescência jogando basquete. Quer dizer, um horror. Vendo o nível do meu sedentarismo e da minha escandalosa ausência de condicionamento físico, a professora decidiu que eu começaria com um leve exercício aeróbico. Assim, me pus a andar em cima de uma esteira durante dez minutos. Foram os dez minutos mais chatos de toda a minha vida. Não há nada mais enfadonho e irritante do que andar ou correr numa esteira, sem sair do canto e tendo a absoluta certeza de que não se vai chegar a lugar algum. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Entretanto, o desespero mesmo veio com os exercícios de levantamento de pesos. Aí o negócio ficou feio de verdade. Depois da esteira, a professora pediu que eu deitasse sobre uma plataforma acolchoada e levantasse uma barra de metal com dois pesinhos. Para evitar constrangimentos, eu nem quis saber quantos quilos tinham naqueles pesos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Aqui, nesse exercício, você vai fazer três séries de doze levantamentos. – orientou a professora.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;E lá fui eu. As duas primeiras séries até que completei com relativa tranquilidade. O problema foi a terceira. Lá pelo quinto ou sexto levantamento da barra os braços já começaram a arder e a tremelicar. A dor aguda nos bíceps só me fazia pensar numa única coisa, que eu repetia mentalmente inúmeras vezes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Eu vou morrer! Eu vou morrer, meu Deus! Eu vou morrer! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Não morri. Mas por pouco não derrubei a barra e os pesos em cima de mim. Graças a um forte sentimento de orgulho próprio, eu ainda cheguei ao décimo levantamento da última série do exercício, faltando apenas dois para completar tudo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Antes de me dirigir para a próxima atividade, resolvi saber quantos quilos eu havia levantado. Mais por curiosidade mesmo. E a professora me informou que cada pesinho daquele possuía dez quilos cada. Fiquei todo inflado de soberba. Tudo bem que não se tratava de um grande feito, mas já era um avanço. Afinal, nos últimos tempos, o único peso que tenho levantado é o controle remoto. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;É evidente que este júbilo não durou muito. Enquanto eu fazia um exercício de fortalecimento das pernas, observei uma vovó toda durinha que se aproximava da barra de metal e dos pesos. Para minha surpresa e revolta, ela posicionou os braços junto ao corpo e começou a erguer a barra com dois pesos de dez quilos de cada lado. Quer dizer, o dobro daquilo que eu quase morri para levantar. A vovó movia os antebraços para cima e para baixo com tanta tranquilidade que mais parecia estar levantando um pacote de jujubas. Minha reação não poderia ter sido outra. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Filha da mãe! – disse para mim mesmo – Que vovó filha da p...! Assim não dá. Assim eu me desmoralizo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Passei o resto do dia moralmente abalado. Não por reconhecer a força da velhinha, e sim por constatar o agravo de minha moleza crônica. Um absurdo. Contudo, nem só de vergonhas e surpresas foi marcado o meu primeiro dia fitness. Uma cena medonha também me assaltou os olhos enquanto eu usava um aparelho para malhar o tórax. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Ao meu lado, em pé, um brutamontes exercitava o bíceps direito levantando um peso de uns trintas quilos, acho. A espessura do braço do sujeito devia ter mais ou menos o tamanho da minha cabeça. Algo monstruoso. Mas isso não era o pior. O apavorante de verdade foi ver as caras e bocas do gorila. Ao mesmo tempo em que erguia o peso, o fortão fazia biquinhos como se estivesse beijando alguma coisa e sorria para si mesmo, olhando de forma saliente para o próprio bíceps. Com medo de ver uma cena ainda mais bizarra, mudei rapidamente de aparelho. Tenho quase certeza de que se tivesse ficado por lá mais um pouco eu teria visto o sujeito se masturbar ali mesmo. Eu hein. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Bom, o mais importante é que, ao final da malhação, não me encontrava apenas com o corpo lavado de suor. Estava também de alma lavada. Nada melhor do que a sensação de bem estar depois de alguma atividade física. É cansativo, claro. Porém, é impossível alcançar resultados sem sacrifícios. No dia seguinte, parecia que eu tinha passado num moedor de carne. Tudo doía. Nem o controle remoto da TV eu conseguia levantar. Mas é isso mesmo. O que arde, cura. Vou continuar minha maratona de exercícios. Abaixo o colesterol! Rumo ao corpo do Hugh Jackman! Rumo a uma vida saudável e aos 130 anos de vida!&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-4391064407244877445?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/4391064407244877445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=4391064407244877445' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4391064407244877445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4391064407244877445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/03/agora-eu-sou-fitness.html' title='Agora eu sou fitness!'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-6YlUdaKXyns/TX1h5tTy5eI/AAAAAAAAArc/QBVeodKe-XA/s72-c/fitness1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-5144402389820433117</id><published>2011-03-06T18:48:00.000-03:00</published><updated>2011-03-08T15:54:41.921-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>“Os bons morrem jovens”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-i7YKu8snSIs/TXQES5BdQ3I/AAAAAAAAArM/LScKFSWb8TE/s1600/eu%2Be%2Bo%2Bmoacyr.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-hCZmZjg4D3M/TXQF6ie-_rI/AAAAAAAAArU/4nnRVjnHt3A/s1600/eu%2Be%2Bo%2Bmoacyr.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 281px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581092341466201778" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-hCZmZjg4D3M/TXQF6ie-_rI/AAAAAAAAArU/4nnRVjnHt3A/s320/eu%2Be%2Bo%2Bmoacyr.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Q&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;uase 50 anos de literatura e mais de 80 livros publicados. Três prêmios Jabutis e um prêmio Casa de Las Americas. Obras publicadas em 20 países e traduzidas para 12 idiomas. Entre as mais elogiadas, estão &lt;em&gt;O Centauro no Jardim, A Guerra no Bom Fim, A Estranha Nação de Rafael Mendes&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O Exército de um Homem Só&lt;/em&gt;. Médico por formação, passeou pelos gêneros literários como se fosse um clínico geral, mas com as propriedades de um especialista. Publicou romances, contos, crônicas, ensaios e literatura infanto-juvenil. Assim como outros bons gaúchos da literatura nacional, era um contador de histórias nato. Escreveu em média mais de um livro por ano. Só não escrevia quando não tinha nas mãos com o que escrever. Influenciado por Franz Kafka, Julio Cortázar e a Bíblia, fez de sua obra fantástica uma arena para alegorias e parábolas sobre a realidade e os seres humanos. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, o que talvez não fosse lá grande coisa, já que o Paulo Coelho e o José Sarney também fazem parte. Moacyr Scliar estava com 73 anos quando seus órgãos resolveram descansar primeiro do que ele. Era um garoto. Aliás, um guri. Possivelmente, ainda guardava muitos livros em sua cartola mágica. Entretanto, quanto mais rápido o tempo passa a nos engolir, mais certeza eu tenho de que, infelizmente, &lt;em&gt;“os bons morrem jovens.”&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;A maioria de vocês provavelmente não vai acreditar. Mas eu trocava emails com o Moacyr. Depois que o conheci pessoalmente, numa palestra sobre Graciliano Ramos, passei a ter uma admiração maior por sua obra. A simpatia e o humanismo de sua literatura eram facilmente reconhecidos em seu trato com as pessoas. Sempre atencioso como um bom médico, recebia os fãs sem aquela empáfia comum aos escritores consagrados e arrogantes. As respostas aos meus emails estão cheias da generosidade e da humildade do Scliar. Algumas delas tratam de felicitações pelo Jabuti que ele ganhou em 2009 e de opiniões sobre as minhas crônicas. Guardo com carinho especial duas mensagens que recebi do Moacyr. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;A primeira veio em resposta a uma crônica que enviei a ele sobre o dia em que o conheci. Diz o seguinte: &lt;em&gt;“Meu caro João Paulo, obrigado pela mensagem e sobretudo pela crônica, que me encantou e me emocionou, tanto por seu ótimo estilo como pela homenagem - melhor que o prêmio Nobel! Aceite os parabéns e o abraço deste seu fã, Moacyr Scliar.”&lt;/em&gt;. A segunda mensagem foi uma opinião que ele deu sobre outra crônica. &lt;em&gt;“João Paulo, obrigado pelo e-mail e pela crônica - excelente, belíssimo texto! Receba os parabéns e o abraço do Moacyr Scliar.”&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Provavelmente, o Moacyr abusou da simpatia nas respostas. Mas para um fã isso não faz a menor diferença. Meus textos sempre foram muito influenciados por autores gaúchos, como Érico Veríssimo, Luis Fernando Veríssimo e o Moacyr Scliar. Eu os conheci nesta mesma ordem. De uma forma ou de outra, é como se a obra deles fizesse parte da minha história literária. O desfalque do Moacyr fará com que eu não tenha mais o mesmo prazer de antes ao abrir os jornais. Quer dizer, uma indelicadeza da parte dele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por isso, gostaria de fazer uma sincera proposta ao Sarney. Com o objetivo de atenuar os pecados que possui e realizar ao menos uma boa ação nesta existência, proponho que o presidente do Senado ofereça a própria vida em sacrifício para que o Moacyr Scliar retorne a este mundo. Já conversei com a bancada da Providência Divina e há acordo com a proposta. Inclusive, Deus argumentou que se o Sarney aceitar, ele pode até ficar no purgatório, ao invés de ir direto para o inferno. E aí, Sarney? É pegar ou largar. Lembre-se que você ainda pode sair no lucro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-5144402389820433117?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/5144402389820433117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=5144402389820433117' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/5144402389820433117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/5144402389820433117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/03/os-bons-morrem-jovens.html' title='“Os bons morrem jovens”'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-hCZmZjg4D3M/TXQF6ie-_rI/AAAAAAAAArU/4nnRVjnHt3A/s72-c/eu%2Be%2Bo%2Bmoacyr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-725843384673778124</id><published>2011-02-27T22:04:00.000-03:00</published><updated>2011-02-28T16:09:03.070-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>O dia em que me tornei amigo do Moacyr Scliar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: times new roman;" align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;(Crônica republicada como primeira homenagem ao Moacyr)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 325px; float: right; height: 266px;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274540082975861714" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/STLuQn9V69I/AAAAAAAAAPI/Bi9lWy1rOp4/s320/autografo+do+moacyr.jpg" border="0" /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;F&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;oi com &lt;em&gt;“O Exército de Um Homem Só”&lt;/em&gt; que tive meu primeiro contato com a literatura de Moacyr Scliar. Mesmo sendo ainda um moleque, achei o livro fabuloso, cheio de pequenas e grandes revelações. Mas o fato é que esta obra me permitiu conhecer muitos outros livros do Moacyr, como &lt;em&gt;“Mês de Cães Danados” &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;“A Guerra no Bom Fim”&lt;/em&gt;. A admiração pela prosa humana e reveladora do Scliar me levou a assistir, na noite de uma sexta-feira, 28 de novembro de 2008, sua palestra sobre Graciliano Ramos e os 70 anos de Vidas Secas. É claro que Graciliano sozinho já seria um espetáculo, entretanto, naquela noite, fiquei com a sensação de que o Velho Graça não era a estrela absoluta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;A palestra do Moacyr em Maceió estava marcada para as 19h30, mas só foi começar mesmo depois das 20 horas. Eufórico como uma tiéte, me sentei na terceira fileira das cadeiras do auditório. Nas mãos, eu segurava apenas minha caneta e meu exemplar de &lt;em&gt;“Mãe Judia, 1964”&lt;/em&gt;, pronto para conseguir um autógrafo. Quando vi o Moacyr Scliar entrar no auditório, virei para um amigo e falei extasiado:&lt;br /&gt;- Lá vem ele! É o Moacyr! Lá vem o Moacyr, caramba!&lt;br /&gt;- Sossega o fogo aí, rapaz! – repreendeu o amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Minha tietagem só não foi maior porque não levei pompons e não fiquei gritando: Moacyr! Moacyr! Moacyr! O que por um lado foi bom, me fez evitar o ridículo. Mas devo confessar que uma forte emoção me assaltou naquele momento. Era a primeira vez que eu estava diante de um dos meus escritores prediletos. Além disso, também era a primeira vez que eu estava vendo de perto um gaúcho, que só conhecia das histórias que contam por aí. Fiquei esperando o momento em que ele usaria o &lt;em&gt;“tu”&lt;/em&gt; ao invés do &lt;em&gt;“você”&lt;/em&gt;. E ele usou. Após a palestra, fiz uma observação sobre Graciliano Ramos. Aí o Scliar respondeu: &lt;em&gt;“Tu tens toda razão no que tu falas”&lt;/em&gt;. Achei muito engraçado aquilo. O Moacyr usou o &lt;em&gt;“tu” &lt;/em&gt;com aquele sotaque gaúcho, mas ficou devendo um &lt;em&gt;“barbaridade, tchê”&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Durante toda a palestra, fiquei atento ao que o Moacyr Scliar falava. Por quase duas horas, ele falou da vida do Graciliano, da força de Vidas Secas, revelou algumas fofocas do meio literário e contou anedotas da literatura em geral. Mas duas coisas me chamaram a atenção no palestrante. A primeira é que o Moacyr parecia um bom velhinho, com aquela cara de vovô bonachão. Um pouco mais de barba e cabelo fariam dele um simpático Papai Noel. A segunda, e mais engraçada, é que ele era bem rosadinho, o que acabou me dando a impressão de estar vendo um desenho animado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Terminada a palestra, começou a sessão tietagem. E eu estava no meio, claro. Para onde ia o Moacyr, eu ia atrás. Não sairia dali sem meu autógrafo e pelo menos uma foto. Se, por acaso, ele esboçasse qualquer movimento de fuga, eu não hesitaria em pular em seu pescoço. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Depois de ficar na cola dele por um tempo, finalmente consegui. Não tirei uma foto, tirei três. Sempre muito simpático, ele autografou meu livro com os seguintes dizeres: &lt;em&gt;“Para João Paulo, leitor brilhante. Abraço do Moacyr.”&lt;/em&gt;. Foi o primeiro autógrafo que recebi na minha vida. E isso não é qualquer coisa. Eu até ganhei um elogio do cara, pô! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Agora, depois de ter conhecido o Moacyr Scliar, ter tirado três fotos e ter ganhado um autógrafo, vou exigir mais respeito em todos os lugares. Tão pensando o quê?! Agora eu sou amigo do Moacyr, rapá! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:130%;"  &gt;Na escola, durante as aulas de literatura, quando um aluno estiver bagunçando, vou dizer:&lt;br /&gt;- Ô rapazinho! Você sabe com quem está assistindo aula? Com o amigo do Moacyr Scliar! Então, por favor, mais respeito, hein!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na hora de reivindicar um salário melhor:&lt;br /&gt;- Não vou aceitar essa ninharia não. Vocês sabem quem eu sou? Sabem? Sou amigo do Moacyr Scliar. Quantos amigos do Moacyr vocês conhecem, hein?! Vamos, respondam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, tudo bem que o Moacyr ainda não sabe que somos amigos. Mas nisso eu penso depois.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-725843384673778124?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/725843384673778124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=725843384673778124' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/725843384673778124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/725843384673778124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/02/o-dia-em-que-me-tornei-amigo-do-moacyr.html' title='O dia em que me tornei amigo do Moacyr Scliar'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/STLuQn9V69I/AAAAAAAAAPI/Bi9lWy1rOp4/s72-c/autografo+do+moacyr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-94694937351492651</id><published>2011-02-20T17:23:00.000-03:00</published><updated>2011-02-20T18:27:18.564-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>O primeiro pêlo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-m8paKGjyzD0/TWGG-a6IFMI/AAAAAAAAArE/vrvfWgKmPiI/s1600/esps-queda-de-cabelo-690x410.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 190px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575886220594517186" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-m8paKGjyzD0/TWGG-a6IFMI/AAAAAAAAArE/vrvfWgKmPiI/s320/esps-queda-de-cabelo-690x410.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;J&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;á foi dito e redito inúmeras vezes que “a primeira vez a gente nunca esquece”. Seja lá o que for que esteja acontecendo pela primeira vez, o ocorrido torna-se sempre marcante talvez porque jamais volte a acontecer. Ao menos não da mesma forma. Do ponto de vista masculino, de onde posso falar com certa tranquilidade, penso que nunca se esquece o aparecimento do primeiro pêlo no rosto, no peito, nas axilas ou nos “países baixos”. É quando, biologicamente, o menino começa a se transformar em homem e o mundo ganha outras conotações. Observar o inevitável passar do tempo sempre foi recorrente para a humanidade. Mas as mudanças vindas com os anos podem ter efeitos diferentes sobre nós, a depender da época e das transformações. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Quando se é apenas um guri, o primeiro pêlo traz uma euforia de início de nova era, além de uma estúpida sensação de poder e autoridade. Em geral, achamos que um projeto de bigode nos dá permissão para oprimir garotos mais novos e praticar “coisas de macho”. Roubamos lanches, damos cascudos, xingamos e dizemos palavrões. Os primeiros e modestos pêlos também fazem a gente querer falar grosso, mesmo que a voz ainda não seja tão grave. Até o comportamento diante das meninas muda. Com meia dúzia de fios no rosto, pensamos ficar mais atraentes e exercer certo controle hipnótico sobre elas. Afinal, homem de barba é sempre mais homem do que os outros. Obviamente, tudo isso não passa de uma paleolítica cultura machista. Mas, de todo modo, o primeiro pêlo inaugura uma época na vida em que parecer mais velho não é um problema. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;A vida sempre foi muito precoce comigo. Aos 11 anos, enquanto a maioria dos outros meninos aguardava a chegada do primeiro pêlo, eu já fazia a barba. Aos 14, tinha mais pêlos no peito do que o Tony Ramos. Quando fiz 17, a calvície já estava no meu encalço. De modo que as minhas primeiras vezes em tudo talvez tenham ocorrido mais cedo em mim do que nos outros da minha idade. Dia desses, porém, acho que a fatal transitoriedade do tempo extrapolou os limites do aceitável nas contas e resolveu tripudiar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Eu estava de frente para o espelho, começando a me barbear, e acabei dando de cara com ele. No início não acreditei, o que é uma reação bastante comum diante de situações absurdas. Tudo bem que eu fosse precoce, mas aquilo já era demais. Aos 26 anos, tive um novo encontro com o primeiro pêlo no rosto. Só que desta vez com um agravante: era branco. Tá. Tudo bem. Eu sei. Eu sei que existem muitos homens, antes mesmo dos 30, que já possuem uma cabeça tão branca quanto um cotonete. Sei também que isso se deve mais a outros fatores do que propriamente à velhice. Mas não era para estar acontecendo com a minha barba. Não agora! Não aos 26! Não eu estando com uma calvície avançada! Isso é uma tremenda injustiça. Quer dizer que, além de careca, eu também vou ficar grisalho rápido demais?! Nesse ritmo, aos 35 anos, eu serei um maracujá, numa cadeira de rodas e com catarata. Quando fizer 45, então, nem se fala. As fraldas geriátricas e o Alzheimer já serão uma realidade. Daí para uma cama de hospital e respirar através de aparelhos será um pulo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Já foi dito e redito inúmeras vezes que “o que os olhos não veem, o coração não sente”. Por isso, não hesitei em raspar toda a barba e me livrar do pêlo branco. O problema vai ser quando eles começarem a aparecer no peito. Aí não terei como raspar. Entretanto, desafio mesmo será conservar os poucos cabelos que me restam, até que eles fiquem brancos. O mais provável é que caiam antes. Você pode até dizer que todo esse papo não passa de bobagem, frescura metrossexual ou coisa de gente que só se preocupa com estereótipos etc. Mas se pelo menos eu ficasse a cara do Sean Connery... nem diria nada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-94694937351492651?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/94694937351492651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=94694937351492651' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/94694937351492651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/94694937351492651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/02/o-primeiro-pelo.html' title='O primeiro pêlo'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-m8paKGjyzD0/TWGG-a6IFMI/AAAAAAAAArE/vrvfWgKmPiI/s72-c/esps-queda-de-cabelo-690x410.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-1344349581839244883</id><published>2011-02-06T23:17:00.000-03:00</published><updated>2011-02-06T23:21:44.248-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Me contaram</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/SiLda2H2_1I/AAAAAAAAAZQ/wtGZCfVer8E/s1600-h/rosane.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TU9WyCpw4sI/AAAAAAAAAqU/QUTs_MWutZo/s1600/images.jpg"&gt;&lt;em&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; FLOAT: right; HEIGHT: 203px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570766681786081986" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TU9WyCpw4sI/AAAAAAAAAqU/QUTs_MWutZo/s320/images.jpg" /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;“N&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;ão sei se é verdade, mas me contaram uma...”&lt;/em&gt;. Normalmente, é assim que começam os relatos duvidosos. O fofoqueiro – espécie de jornalista sem critérios de apuração nem código de ética – é o responsável por essas narrativas audaciosas. Para ele, uma boa história não precisa ser necessariamente verdadeira. Precisa ser apenas atraente e, de preferência, escandalosa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Eu tenho pena do jornalista, esse fofoqueiro com código de ética e critérios de apuração. Quantos jornalistas já deixaram de contar boas histórias só porque elas não eram totalmente verdadeiras? O fofoqueiro é que é feliz. Pode aumentar uma coisinha aqui, inventar outra acolá. Melhor: se quiser, pode até inventar tudo e ficar com a consciência tranquila. Ninguém vai punir o fofoqueiro. Mesmo porque, depois de feita a fofoca, é muito difícil provar que fulano de tal é responsável pela história. O fofoqueiro sempre nega. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Não sei se é verdade, mas outro dia também me contaram uma. No início dos anos 90, durante uma viagem aos EUA, um embaraçoso acontecimento envolveu o então presidente da República, Fernando Collor de Mello, e a primeira-dama, dona Rosane. Dizem as más línguas que ela nunca foi uma pessoa, digamos, “esperta” demais. É como falam por aí: o cérebro é uma coisa maravilhosa. Todos deveriam ter um. Ao que tudo indica, dona Rosane Collor não tinha. Ou, na melhor das hipóteses, se esqueceu de levar no dia da viagem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Assim que o presidente e a primeira-dama desembarcaram no aeroporto, foram recebidos com todas as honras a que tinham direito. Inclusive, na ocasião, havia uma enorme faixa na entrada do saguão com os seguintes dizeres: Welcome, Collor! Dona Rosane, um poço de sagacidade, olhou com atenção a frase e rapidamente se deu conta do que estava escrito. Com cara de mulher que exige explicações do marido, a primeira-dama lascou pra cima do presidente:&lt;br /&gt;- Mas que história é essa, Fernando?! Quem é esse tal de Wel?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Bom, foi o que me contaram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-1344349581839244883?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/1344349581839244883/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=1344349581839244883' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1344349581839244883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1344349581839244883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/02/me-contaram.html' title='Me contaram'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TU9WyCpw4sI/AAAAAAAAAqU/QUTs_MWutZo/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-8697988264937148366</id><published>2011-01-30T19:53:00.000-03:00</published><updated>2011-01-30T19:59:53.427-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><title type='text'>“Pai, afasta de mim esse cálice!”</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TUXsKAPAfAI/AAAAAAAAAqI/HCUd3XdGDys/s1600/televisao.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 232px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568116170919279618" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TUXsKAPAfAI/AAAAAAAAAqI/HCUd3XdGDys/s320/televisao.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; refrão da música de Chico Buarque ficou imortalizado como uma das marcas da luta contra a ditadura. A ambiguidade da expressão “cálice” era a representação criativa do anseio de afastar o silêncio que atordoava muita gente. Passados os anos de chumbo, o silêncio ainda permanece. Frequentemente, somos obrigados a nos calar, ou, para usar um eufemismo, não nos é permitido responder. O que na prática é mesma coisa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;A televisão é uma das muitas maneiras de impor o silêncio. Em 1996, o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em entrevista ao Jornal do Brasil, afirmou: &lt;em&gt;“A televisão é uma lavagem cerebral, uma despolitização trágica, um instrumento antidemocrático.”&lt;/em&gt;. Dando o exemplo da TV norte-americana, Bourdieu caracterizou o ato de ver televisão como uma “experiência terrível”. Para o pensador francês, a caixa mágica resume-se a uma avalanche de propaganda, propaganda e mais propaganda. Numa clara demonstração dos interesses mercadológicos por trás da telinha. De fato, Bourdieu tem razão. Se levarmos em conta – e acho que devemos – algumas reflexões feitas por Muniz Sodré em seu livro &lt;em&gt;O monopólio da fala&lt;/em&gt;, chegaremos a uma conclusão perigosa sobre a função da TV. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Trilhando, de certa maneira, o mesmo caminho que Bourdieu, Sodré diz ser a televisão uma “violência” ao processo comunicativo. Comunicação é, primeiramente, diálogo. Deve haver reciprocidade entre falante e ouvinte. A televisão não permite a troca plena da comunicação, não há possibilidade de resposta para o interlocutor. É nisto que consiste o monopólio do discurso, na eliminação da possibilidade de resposta, na hegemonia do falante sobre o ouvinte. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Penso que Bourdieu e Sodré estão certos. A TV “castra” o interlocutor. Antes que os cínicos façam gracinhas, devo advertir que resmungar discordâncias, sentado na poltrona de casa, não vale como resposta. Quem vê TV, não faz TV. O conteúdo veiculado impede a compreensão do mundo como ele de fato é, criando falsas ideologias. A televisão, sob a perspectiva de uma sociedade cindida em classes e voltada aos interesses do mercado, torna-se um poderoso instrumento de homogeneização do grotesco e do vazio. A TV apresenta um mundo diferente do real com a desculpa de que as pessoas estão cansadas de realidade. Faltou dizer que, entre produzir obras de ficção e mascarar a verdade, existe um abismo imenso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Não estamos mais nos anos de chumbo, é verdade. Mas a enorme ambição de afastar o “cálice” ainda persiste.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-8697988264937148366?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/8697988264937148366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=8697988264937148366' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/8697988264937148366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/8697988264937148366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/01/pai-afasta-de-mim-esse-calice.html' title='“Pai, afasta de mim esse cálice!”'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TUXsKAPAfAI/AAAAAAAAAqI/HCUd3XdGDys/s72-c/televisao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-6466505570065912229</id><published>2011-01-23T18:18:00.000-03:00</published><updated>2011-01-23T19:38:30.131-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Corrupção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Psicopatas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TTyokTDbKAI/AAAAAAAAApc/MVLucDeWMhE/s1600/Congresso_em_Chamas.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 212px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5565508581066483714" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TTyokTDbKAI/AAAAAAAAApc/MVLucDeWMhE/s320/Congresso_em_Chamas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;H&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;orrores inimagináveis como os que foram cometidos por Josef Fritzl, o “Monstro da Áustria”, condenado em 2009 à prisão perpétua pelos crimes de incesto, estupro, cárcere privado e homicídio, estarrecem a humanidade pelo grau de barbárie e reacendem, de tempos em tempos, um medo imensurável em todos nós: o de que qualquer um ao nosso lado pode ser um psicopata. Inclusive o próprio pai. É claro que viver num clima desses só pode nos levar a uma paranoia coletiva, algo muito comum numa sociedade doente como a nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É terrível, verdade seja dita. Como podemos saber se estamos diante de um psicopata? Como reconhecer alguém que pode cometer as piores insanidades sem o menor remorso, já que psicopatas não andam com placas de aviso nem rótulos no peito? Fica difícil. Quer dizer, ficava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, li uma entrevista com o psicólogo canadense Robert Hare, famoso por ter criado uma escala usada mundialmente para medir os graus de psicopatia de cada um. Na escala, o número máximo que a insanidade pode atingir é 40. A dificuldade de reconhecimento de um maníaco pode ser ilustrada com uma simples analogia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine um jogo de gato e rato. Para Hare, o psicopata é como o gato, que não pensa no que o rato sente. Ele só pensa em comida, em satisfazer a si mesmo. A vantagem do rato sobre as vítimas do psicopata é que ele sempre sabe quem é o gato. Com a gente é diferente. Às vezes não dá tempo de reconhecer o gato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os critérios de avaliação adotados por Hare podem ajudar a identificar um comportamento psicótico. Ele estabeleceu alguns, como extrema facilidade para mentir, grande capacidade de manipulação e mania de dizer que está sendo mal interpretado quando é pego fazendo coisas erradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juro – e nem sempre faço isso – que quando li que estes seriam os indicadores de psicopatia pensei: se o psicólogo canadense estiver certo, nosso problema é bem maior do que imaginamos. Por quê? Observe o cenário político brasileiro. Agora, responda: em que as atitudes dos políticos se diferenciam dos comportamentos indicados pelo psicólogo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei, não é uma conclusão tranquila. Eles mentem, manipulam e ainda se dizem mal interpretados quando são pegos com a boca na botija. Estou inclinado a acreditar que nosso país e estados são governados por astutos psicopatas, classificados nos graus 12, 13, 15, 22, 25, 40, 43, 45, 65, conforme número do partido. Terrível, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso não é tudo. Pior é quando, em tempos de crise econômica ou não, eles aumentam os próprios salários, culpam a natureza por tragédias em que eles são os responsáveis e ainda reduzem o orçamento de serviços essenciais, como a saúde, por exemplo. Aí deixam de ser apenas psicopatas. E, sem remorso nenhum, se tornam verdadeiros serial killers, responsáveis por todos os mortos nas filas dos hospitais e enchentes da vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-6466505570065912229?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/6466505570065912229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=6466505570065912229' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6466505570065912229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6466505570065912229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/01/psicopatas.html' title='Psicopatas'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TTyokTDbKAI/AAAAAAAAApc/MVLucDeWMhE/s72-c/Congresso_em_Chamas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-150649149898388330</id><published>2011-01-03T02:38:00.000-03:00</published><updated>2011-01-03T02:43:08.447-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Feliz ano novo!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 221px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557830261433712738" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TSFhLRasQGI/AAAAAAAAApU/cfsOg6jYUss/s320/53154_Papel-de-Parede-Fogos-de-Artificio--53154_1024x768.jpg" /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;N&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;a beira do mar, o Roberval segurava sua tacinha de plástico cheia de vinho espumante barato. Vestido de branco, assim como centenas de tantas outras pessoas, ele aguardava eufórico a queima de fogos e a chegada do ano novo. No peito, aquele velho e conhecido pensamento: “Porra, o próximo ano tem que ser melhor, né?! Esse foi de lascar.”. E o Roberval tinha razão. O ano não fora nada bom. Repleto de tragédias individuais e coletivas, muitas das quais ele mesmo começou a recordar naquele momento, enquanto esperava o início da contagem regressiva.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Desgraças tomam conta do Haiti. Terremoto, furacão, cólera. Tudo agravado pelo papelão das tropas militares da ONU no país. Vazamento de óleo inunda Golfo do México. Vulcões enfurecidos cospem fogo e cinzas na Europa. Geleiras derretem cada vez mais e aquecimento global aumenta. Crise econômica retorna, com a fatura sendo depositada na conta dos mais pobres. Mineiros são soterrados no Chile. Rio de Janeiro patina entre os tiros do Bope e dos traficantes. Enchentes se espalham por São Paulo, Alagoas e Pernambuco. Violências aterrorizantes são cometidas contra mulheres, indo do Irã aos gramados brasileiros. Na Avenida Paulista, quem desfila é a homofobia. Capitão Nascimento chega ao posto de herói nacional. Dilma é eleita presidente para dar continuidade ao passado, junto com Tiririca e Maluf. Lula atinge 87% de popularidade pagando R$ 130 para miseráveis. Serra sofre atentado terrorista com bolinha de papel. Parlamentares aumentam os próprios salários para R$ 26 mil. Morre José Saramago, e o Paulo Coelho nem gripe pega. Brasil deixa escapar o hexa numa das piores Copas do Mundo da história (se não fosse a Larissa Riquelme, tudo estaria perdido).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;O Roberval só foi tirado de sua rápida e trágica retrospectiva por causa da queima dos fogos de artifício e de um sujeito que o cutucava insistentemente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;- Opa, companheiro! Feliz ano novo pra você! – adiantou-se o Roberval para o desconhecido.&lt;br /&gt;- Feliz ano novo é o cacete, cumpade! Passa logo pra cá a carteira, o relógio, o celular e essas pulseiras de bacana aí! – disse o sujeito com um canivete encostado na barriga do Roberval.&lt;br /&gt;- Mas calma aí, colega. Também não é assim, né?! Poxa, é ano novo. O que é isso, companheiro?! – ainda tentou argumentar o Roberval, enquanto entregava os pertences.&lt;br /&gt;- Isso é assalto, mano! Nunca viu, não? Nesse país todo mundo rouba. Por que ladrão não pode roubar?! Se ligou na ideia? Pois é. Agora me dá um gole desse champanhe aí também. Perdeu, prayboy. Feliz ano novo! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;“É. Vai ser um ano daqueles.”, pensou o Roberval, vendo o sujeito se afastar e os últimos fogos de artifício estourarem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-150649149898388330?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/150649149898388330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=150649149898388330' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/150649149898388330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/150649149898388330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2011/01/feliz-ano-novo.html' title='Feliz ano novo!'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TSFhLRasQGI/AAAAAAAAApU/cfsOg6jYUss/s72-c/53154_Papel-de-Parede-Fogos-de-Artificio--53154_1024x768.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-3181597145504996527</id><published>2010-12-27T01:36:00.000-03:00</published><updated>2010-12-27T07:52:21.459-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Corrupção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Lista de presentes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TRgcrSYrGDI/AAAAAAAAApI/H55JsVcVyWo/s1600/Lista-de-Presentes.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 213px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555221670356785202" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TRgcrSYrGDI/AAAAAAAAApI/H55JsVcVyWo/s320/Lista-de-Presentes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;N&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;atal e réveillon são tempos de festa, paz, alegria e solidariedade. Tudo bem que no resto do ano o mundo tenha sido violento, desigual, triste, cheio de sofrimento e egoísta pra diabo. Mas no Natal e no réveillon, não né?! Aí não pode. O clima deve ser outro, entende? Esses são momentos de renovar as esperanças e o espírito de humanidade (dá pra acreditar nisso?!). O Natal e o réveillon, inclusive, são as épocas mais importantes e especiais para presentear as pessoas. Uma espécie de ritual alegórico, cujo objetivo, além da obviedade de oferecer algo que se esteja precisando, é demonstrar nosso apreço pelo outro. Por isso, resolvi fazer minha listinha de presentes de Natal e fim de ano, com os nomes das figuras para quem eu gostaria de revelar toda a minha consideração. Por motivos logísticos, não cheguei a concretizar a entrega das “oferendas”, mas acredito que já valeu pelo exercício de solidariedade. Confira aí. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;1) Presidente Lula&lt;/strong&gt; – Ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eu daria a chance de voltar no tempo uns 20 ou 25 anos e desistir da ideia de se juntar aos grandes empresários para governar o país. Essa história de “unir um sindicalista com um grande empresário” não resolveu os problemas do Brasil. Ao contrário, manteve a mesma política do passado e ainda trouxe mais confusão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;2) Parlamentares&lt;/strong&gt; – Aos espertalhões do Congresso Nacional, meu presente seria a troca de seus “baixos” salários pelo valor do nosso mínimo. Todos os trabalhadores do país passariam a ganhar R$ 26 mil, enquanto os parlamentares receberiam R$ 510, talvez R$ 540. Não sei ainda. Poderíamos negociar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;3) Vice-Presidente José Alencar&lt;/strong&gt; – Para o empresário têxtil e ainda vice-presidente da República, decidi ser mais humano. De minha parte, José Alencar receberia um tratamento completo e especializado contra o câncer que enfrenta há mais de 10 anos. O tratamento seria pelo SUS, claro. Com direito a espera de um ou dois anos para marcar uma cirurgia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;4) Dilma Rousseff&lt;/strong&gt; – Já que a presidenta eleita está preparando um presentinho de grego para o povo brasileiro logo no início de 2011, nada mais justo do que retribuir na mesma moeda. Para Dilma Rousseff, eu daria uma aposentadoria pelo INSS nos moldes de sua nova reforma da previdência. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;5) José Serra&lt;/strong&gt; – Sem sombra de dúvidas, ao Serra eu daria um Super Capacete Protector Tabajara, muito eficiente contra ataques de bolinhas de papel. Afinal, num país com atentados terroristas de tamanha magnitude, ninguém está seguro sem um capacete desses. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;6) José Roberto Arruda&lt;/strong&gt; – Para o ex-governador de Brasília, meu presente não poderia deixar de ser um grande panetone, da marca Panetonegate, fabricado exclusivamente no Distrito Federal e recheado com você sabe o quê. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;7) José Beltrame&lt;/strong&gt; – Para um homem de ideias arejadas, bom gosto e de intelecto refinado, como o Secretário de Segurança do Rio de Janeiro José Beltrame, eu daria o Mein Kampf (Minha Luta), de Adolf Hitler, além de um pôster em tamanho natural do autor do livro. Eu sei que ele adoraria. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;8) Sarney, Renan Calheiros e Maluf&lt;/strong&gt; – Aqui, o presente é triplo. Aos baluartes da corrupção brasileira, inspiração para tantos parlamentares, eu ofereceria a mesma camisa que veste os Irmãos Metralha. Traje que os três, inclusive, deveriam usar em todas as sessões no Congresso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9) Silvio Berlusconi&lt;/strong&gt; – O primeiro-ministro da Itália não merece outro presente que não seja um medieval cinto de castidade. Berlusconi ainda precisa de um legítimo sapato de couro italiano. Não para calçar, mas para enfiar na boca. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;10) Papa Bento 16&lt;/strong&gt; – Este, sim, merece um bom presente. Um kit completo de sexo seguro, com camisinhas, pílulas do dia seguinte, anticoncepcionais e tudo mais que tiver direito. Obs.: deveria dividir o presente com padres católicos e com o ex-bispo Fernando Lugo, atual presidente do Paraguai. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;11) Programa Pânico na TV&lt;/strong&gt; – A todos os integrantes do programa Pânico na TV, da Rede TV, eu daria um cérebro. Penso que esta é uma ferramenta maravilhosa e que todos deveriam ter um, até mesmo esse pessoal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;12) Vanusa&lt;/strong&gt; – Este não seria um presente só para a cantora Vanusa, e sim para todo o povo brasileiro. A ela, eu ofereceria, antecipadamente, cópias de todas as músicas que se proponha a cantar em qualquer parte do território nacional, principalmente se for o hino do país. É só para evitar constrangimentos. Na gente, claro. Não nela. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;13) Mick Jagger&lt;/strong&gt; – Para o líder dos Rolling Stones, meu presente seria um kit “xô pé frio”, contendo um trevo de quatro folhas, uma ferradura, uma carranca (além da dele!), dois pés de coelho, três figas, um galhinho de arruda, um olho grego e uma dezena de escapulários. Além, é claro, de um banho com sal grosso. Para quem não lembra, durante a Copa do Mundo de 2010, Mick Jagger consagrou-se como o maior pé frio de todos os tempos. Todas as seleções para quem ele torceu foram desclassificadas, incluindo a nossa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;14) Sílvio Santos&lt;/strong&gt; – Ao Sílvio Santos, eu daria um joguinho do Banco Imobiliário, só pra ele ir treinando. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;15) Deputado Tiririca&lt;/strong&gt; – Bom, ao Tiririca meu presente seria educativo. Para o deputado mais votado em 2010, eu daria uma cartilha do programa Brasil Alfabetizado, do governo federal. Assim, ele poderia justificar que não aprendeu a ler pela mesma razão que os mais de 14 milhões de analfabetos do país também não aprenderam. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Feliz ano novo, abestado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-3181597145504996527?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/3181597145504996527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=3181597145504996527' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3181597145504996527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/3181597145504996527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/12/lista-de-presentes.html' title='Lista de presentes'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TRgcrSYrGDI/AAAAAAAAApI/H55JsVcVyWo/s72-c/Lista-de-Presentes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-7888179680884559932</id><published>2010-12-06T01:56:00.000-03:00</published><updated>2010-12-06T02:14:23.320-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Estado mínimo e Estado máximo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TPxwtNSOtcI/AAAAAAAAAow/AqrwDyGcz64/s1600/racismo.png"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 225px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5547432762976155074" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TPxwtNSOtcI/AAAAAAAAAow/AqrwDyGcz64/s320/racismo.png" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;N&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;os anos 70, crescia e ganhava força a ideia de que o Estado deveria se desocupar de suas responsabilidades sociais e da prestação de serviços públicos gratuitos, como saúde e educação. Na época, diante de uma crise econômica profunda, os donos da “bufunfa” disseram que era preciso desinchar a máquina estatal e inchar os seus próprios bolsos. Sem essa de assistência social, investimentos em áreas não rentáveis e interferência do Estado nos negócios. A palavra-chave era liberdade. Mas para o mercado, não para as pessoas. Para fazer a economia voltar a crescer, era preciso reinventar o espírito de Robin Hood, só que às avessas: tirando dos pobres para dar aos ricos. Aí o FMI, o Banco Mundial e os governos se encarregaram do serviço. Privatizações e pagamentos regulares de juros de uma dívida impagável a banqueiros inauguraram o neoliberalismo e a conversa mole do Estado mínimo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Rio de Janeiro talvez seja um dos mais trágicos exemplos das consequências neoliberais do capitalismo, o que se confunde com o próprio conceito de capitalismo. A guerra nos morros cariocas é o reflexo manchando de sangue do encontro entre dois tipos de Estado. O Estado mínimo da assistência e o Estado máximo da violência. Só os responsáveis diretos pelos problemas sociais acreditam que a criminalidade é apenas um caso de polícia e que pode ser resolvida com a política do “mandar bala”. Lula e Sérgio Cabral estão combatendo o que eles e os governos anteriores mesmos criaram. A criminalidade não surge através de geração espontânea, assim como também ninguém nasce bandido, nem assaltante dá em árvore. A vida real não se movimenta pelo maniqueísmo barato dos filmes de ação e gibis de super-heróis, como gosta de fazer parecer a cobertura da imprensa. Nossos problemas vão além do bem e do mal, além da divisão entre mocinhos e vilões. A questão, na verdade, é de classe; de classes sociais, de quem tem acesso e de quem não tem acesso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se a repressão policial fosse a solução, o Brasil já seria pelo menos a Noruega. Afinal, as invasões policiais nos bolsões de miséria não podem ser contadas nos dedos, a não ser que você seja uma centopéia. Quando o assunto é garantir o atendimento às necessidades básicas do povo, como saúde, educação, emprego e moradia, o Estado se torna mínimo. Desaparece por completo, ao melhor estilo de “tudo o que é sólido se desmancha no ar”. Entretanto, quando a conversa é reprimir aqueles que foram empurrados para os braços do narcotráfico e da violência, aí o Estado é máximo. Aí tem Bope, Exército, Marinha, Aeronáutica e até Tropas Estelares. Aí vale revistar todo mundo, roubar trabalhador e atirar no primeiro preto pobre que correr. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Enquanto a única coisa que subir o morro for o fuzil, não haverá ponto final nessa história. Apenas cenas dos próximos capítulos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-7888179680884559932?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/7888179680884559932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=7888179680884559932' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7888179680884559932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7888179680884559932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/12/estado-minimo-e-estado-maximo.html' title='Estado mínimo e Estado máximo'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TPxwtNSOtcI/AAAAAAAAAow/AqrwDyGcz64/s72-c/racismo.png' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-576985066986524131</id><published>2010-11-21T20:44:00.000-03:00</published><updated>2010-11-21T22:39:51.041-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>De volta ao estado de natureza selvagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TOmxGzqrG9I/AAAAAAAAAoo/-VX1S_b78Dk/s1600/charge3.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 269px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5542155546962631634" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TOmxGzqrG9I/AAAAAAAAAoo/-VX1S_b78Dk/s320/charge3.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;cho que foi o Rousseau, aquele filósofo francês do século XVIII, que disse que no início de tudo o estado de natureza selvagem do homem garantia a sua liberdade plena. Guiado apenas pelos próprios instintos, o ser humano precisava somente satisfazer as necessidades mais básicas. Comer e dormir, por exemplo. Com o surgimento da civilização e de todas as suas moléstias sociais, como a sociedade de classes, o casamento monogâmico e o capitalismo, nós teríamos nos distanciado de nossa condição natureba, e, portanto, dado adeus ao estado de liberdade. Excetuando-se o romantismo do Rousseau, talvez essa história de estado de natureza dos homens garantisse mesmo uma vida menos aprisionada, na qual fosse permitido o gozo de uma existência sem grandes preocupações. Resumindo: o direito de comer e dormir tranquilamente. Bom, foi nisso em que eu estava pensando quando me refugiei no meio do mato, num feriadão desses aí. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O refúgio foi o sítio de uma amiga, no município de Rio do Fogo, litoral norte do Rio Grande do Norte, a 85 km de Natal. Para fugir do corre-corre da cidade, das buzinas, da poluição e do ritmo alucinante de trabalho, era preciso voltar ao nosso estado natural de vida. Para reconquistar a liberdade usurpada, era necessário retornar à existência selvagem, ao convívio com os animais, aos braços da mãe natureza. Enfim, não podia haver contato com o mundo moderno e suas loucuras. Era um isolamento. Nada de celular nem internet. Entretanto, é claro que eu também não estava querendo viver como um autêntico homem das cavernas. E por isso a casa em que me hospedei possuía geladeira, fogão e TV. Afinal, tudo tem limite. Mas as experiências vividas longe da civilização me proporcionaram descobertas fantásticas sobre mim e o mundo selvagem ao qual renunciamos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Logo que cheguei ao sítio percebi, rapidamente, o estrago que a distância da natureza havia feito comigo. Caminhando pelo terreno e contemplando alguns bichos, tive dificuldades para distinguir uma ovelha de uma cabra, assim como também não soube dizer o que eram tetas ou testículos em um desses animais. Mas com cavalos foi diferente, não tive grandes problemas. Inclusive, durante o meu refúgio, cheguei a montar um. Experiência fascinante. Parecíamos um só, era como se fôssemos da mesma família. Porém, apenas a mãe dele era uma égua, e que isso fique bem claro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Com o equino devidamente selado (me refiro ao cavalo, não a mim), calcei as botas de vaqueiro e saltei no lombo do pobre. Confesso que demorei um pouco para descobrir qual das rédeas era o freio e qual era o acelerador. Depois, foi moleza. E quando percebi que para fazer o bicho disparar bastava dar umas batidinhas com os calcanhares e dizer “heyah, heyah”, aí então foi um sucesso. Cavalgando no meio da mata, com chapéu de cowboy, eu me sentia o próprio Clint Eastwood ou até mesmo o José Mayer, numa daquelas novelas de peão bruto. Mas minha investida equestre também trouxe consequências dolorosas. A falta de prática na montaria me deixou todo assado e com praticamente uma “gemada” entre as pernas. A cada galope, uma esmagada. Se é que vocês me entendem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Outras situações da vida natureba também foram marcantes para mim, como a difícil convivência durante a noite com as muriçocas pré-históricas do sítio. Sim, porque com certeza elas pertenciam ao período Jurássico da Era Mesozóica, e não aos dias atuais. Eram dinossauros, sem a menor dúvida. Avalio que cada uma daquelas criaturas deveria medir pelo menos umas duas ou três polegadas, com ferrões do tamanho de uma seringa veterinária. Enquanto as muriçocas voavam ao meu redor, em busca de um local para picar, era possível ouvir não só o bater de suas asas como também o piscar de seus olhos. Quero cegar, se estiver mentindo. Cada “toc” que eu ouvia, era uma piscada que elas davam. Posso dizer, com toda segurança, que as bichas não picavam não. Elas mordiam mesmo. E não tinha repelente que resolvesse. A sorte da humanidade é que as muriçocas vivem apenas alguns meses. Se vivessem mais, dominavam o mundo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Entretanto, a experiência mais reveladora que vivi nesse meu retorno ao estado de natureza selvagem foi, certamente, um rápido (mas intenso!) contato com um de nossos ancestrais primitivos. Já no final da manhã, um pouco antes do almoço, saí andando pelas redondezas do sítio em busca de árvores frutíferas. Na tentativa de encontrar uma boa fruta para um suco ou uma sobremesa, percorri alguns bananais e meio mundo de mato. Até que finalmente avistei um graúdo cajueiro, onde os cajus mais pareciam cocos, de tão grandes que eram. E que eu cegue do outro olho se estiver mentindo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Levei um tempinho para subir na árvore, dadas as minhas condições físicas e ao fato de não existirem equipamentos apropriados, como uma escada, por exemplo. Agora, você veja o que é a civilização. Há uns dois milhões de anos, nossa espécie subia em árvores tão bem quanto qualquer chimpanzé. Hoje, sem uma forcinha da tecnologia, é uma complicação da peste. Acho que perdemos um pouco mais do que a liberdade quando nos afastamos do estado de natureza. Bom, enfim, o importante é que subi na árvore. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Eu já havia pego alguns cajus, mas fiquei hipnotizado por um bem grande e vermelho, quase no topo da árvore. Aí fui subindo um pouquinho mais, me pendurando aqui e acolá, quando ouvi uns guinchos e assobios. Instintivamente, me virei na direção do som e dei de cara com um terrível e ameaçador sagui. Ele estava a uma distância de mais ou menos uns cinco ou seis metros, o que não me impediu de perceber nos olhos do animal que minha presença não era bem-vinda ali. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Opa, seu sagui! Então, assim, tô só passando pra pegar uns cajuzinhos. Na boa, na paz, sem conflito. – comecei a argumentar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Mas o pequeno símio não quis conversa. Mostrou os dentinhos afiados e começou a guinchar e assobiar novamente. Aí eu também resolvi engrossar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Peraí, meu camaradinha. Não é assim não, hein! Tem que compartilhar as coisas, rapaz. Larga de ser egoísta. Só quero uns cajus e pronto. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Nisso, ele se enfureceu de vez e partiu na minha direção, pulando de galho em galho e guinchando com os dentes de fora. Dessa vez, quem não quis papo fui eu. Desci numa velocidade tão grande e desesperada que acabei me arranhando todinho pelo caminho, provando que o medo, em alguns casos, pode ser uma das mais poderosas forças motrizes do mundo. Foi uma cena ridícula, eu sei. Mas o fato humilhante já estava posto e era irrefutável. Eu havia levado uma carreira de um sagui, o menor de todos os primatas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Durante dias, já de volta à civilização, fiquei pensando em todas as experiências vividas no meio da natureza selvagem, principalmente no episódio do pequeno macaco. Cheguei a duas conclusões. A primeira é a de que a ideia de propriedade privada está tão impregnada no mundo que acabou contaminando até um sagui potiguar. Do contrário, teria permitido a retirada de alguns cajus. A segunda, e talvez mais grotesca, diz respeito a minha reputação. Ter fugido da forma como fugi, diante das ameaças de um simples macaquinho, faz de mim um péssimo representante da raça humana, o que possivelmente acarretará no meu rebaixamento para outra categoria de mamíferos. Ou talvez algo pior. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Meu pai era quem tinha razão, quando muitas vezes me perguntou inconformado: &lt;em&gt;“Você é um homem ou um rato?”&lt;/em&gt;. Sem comentários.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-576985066986524131?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/576985066986524131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=576985066986524131' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/576985066986524131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/576985066986524131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/11/de-volta-ao-estado-de-natureza-selvagem.html' title='De volta ao estado de natureza selvagem'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TOmxGzqrG9I/AAAAAAAAAoo/-VX1S_b78Dk/s72-c/charge3.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-4376086708217117693</id><published>2010-11-07T14:24:00.001-03:00</published><updated>2010-11-08T06:32:32.047-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><title type='text'>Sem saúde</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TNblF8dZqtI/AAAAAAAAAoY/B7OepEBDdOA/s1600/saude.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 288px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5536864682190154450" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TNblF8dZqtI/AAAAAAAAAoY/B7OepEBDdOA/s320/saude.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;S&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;e você não é o Eike Batista, não é dono de banco, não acertou na loteria, vive de salário (principalmente se for o mínimo), é pobre ou está desempregado, então seja bem-vindo ao clube. Você e eu fazemos parte de um “seleto” grupo de milhões de brasileiros que não têm acesso aos serviços mais básicos para qualquer ser humano. Assim como numerosos outros companheiros, você e eu não temos direito a uma boa alimentação, a boas roupas, boa moradia, boa educação, boa saúde e um imenso etc., tão longo quanto a Muralha da China. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando não nos negam tudo, nos negam a qualidade de tudo. E isso só acontece porque você e eu, além de mais da metade do país, não temos dinheiro suficiente. Ou, na pior das hipóteses, não temos nem o suficiente. No Brasil e no mundo, a lógica do “pegue e pague” se impõe. Quem não tem como pagar fica à mercê do público. E o público, como se sabe, é sabotado pelos governos justamente para não funcionar e jogar você e eu nas mãos do privado, ou da privada. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Veja, por exemplo, o meu caso. Dia desses descobri, da pior forma possível, que eu tinha cálculo renal (popularmente conhecido como pedra nos rins). Tive uma crise dolorosa, mais parecia que estava parindo, e fui levado para um hospital público. Depois de um rápido exame de urina, o médico que me atendeu constatou o que a dor já havia anunciado. Em seguida, ele pediu um raio-x do abdômen para ver o tamanho do “problema” e decidir qual tratamento aplicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você vai ter que fazer na clínica particular aqui ao lado. A máquina do hospital está quebrada. – falou o médico.&lt;br /&gt;- Quebrada? Há quanto tempo, doutor?&lt;br /&gt;- Ah... deixa ver... 2, 3, 4, 5... ahhh... Bom, deixa pra lá. Há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado? Novas consultas, exames e tratamento não puderam ser feitos no setor público. Meu cálculo renal não podia esperar seis meses por uma consulta especializada nem meu bolso aguentaria pagar novos exames particulares sempre que fossem solicitados. Mas não havia com o que se preocupar. Os planos de saúde já estavam de braços abertos, esperando por mim com todo carinho e atenção. E lá fui eu para o privado. Fiz um plano caro e tratei logo de marcar uma nova consulta. O médico passou uma bateria de exames, dos quais eu só pude fazer a metade. A outra parte, a carência do plano impedia. Mas isso eu só descobri na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sinto muito, o plano do senhor ainda não permite a realização de raio-x do abdômen. – disse a atendente do laboratório.&lt;br /&gt;- Como não?! Por quê?&lt;br /&gt;- Porque a doença do senhor é preexistente. Ou seja, o senhor já tinha cálculo renal quando fez o plano.&lt;br /&gt;- Mas é claro que eu já tinha! Só fiz o plano porque fiquei doente e a saúde pública não funciona, ora! Se não tivesse doente, não tinha feito o plano, cacete!&lt;br /&gt;- Pois é, senhor. Nesse caso, por causa da carência do plano, o senhor só poderá fazer o raio-x do abdômen daqui a 24 meses. Mas o senhor já tem direito a raio-x do antebraço.&lt;br /&gt;- E pra quê que eu quero raio-x do antebraço, moça?! Eu estou doente é dos rins!&lt;br /&gt;- Infelizmente, só quando o plano de saúde completar 24 meses.&lt;br /&gt;- Mas daqui a 24 meses eu não terei mais pedra nos rins, moça. Terei é o Everest nos rins! Isso é um absurdo! A gente paga a saúde privada porque a pública não funciona. Aí quando precisa usar o serviço privado, que já está pagando, não pode usar! Que loucura, meu Deus!&lt;br /&gt;- Todo plano de saúde tem sua carência, senhor. É uma garantia financeira para as seguradoras.&lt;br /&gt;- Garantia do quê?! De que eu não vou usar todos os serviços e depois dar um calote em vocês?!&lt;br /&gt;- Exatamente.&lt;br /&gt;- Ah! Então, agora eu sou caloteiro?! Era só o que me faltava.&lt;br /&gt;- Acalme-se, senhor. Aceita uma água, um cafezinho?&lt;br /&gt;- Aceito. Mas vão servir agora ou daqui a 24 meses?! Hein, hein!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não poderia ficar sem tratamento nenhum, procurei uma senhora que vende umas ervas no centro da cidade. Ela me vendeu uma planta para fazer um chá e disse que era tiro e queda contra cálculo renal. É um escândalo, eu sei. Mas se você não é pobre, não está desempregado, não vive de salário, e ainda por cima é o Eike Batista ou um banqueiro, então não precisa se preocupar. Essa não é a sua vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-4376086708217117693?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/4376086708217117693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=4376086708217117693' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4376086708217117693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4376086708217117693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/11/sem-saude.html' title='Sem saúde'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TNblF8dZqtI/AAAAAAAAAoY/B7OepEBDdOA/s72-c/saude.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-853849901154841908</id><published>2010-11-01T13:25:00.000-03:00</published><updated>2010-11-01T13:32:33.098-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Corrupção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Presidente ou presidenta?</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TM7qzDaS1WI/AAAAAAAAAoQ/-5E5oiqmj30/s1600/charge_dilma_serra1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 181px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5534619154894738786" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TM7qzDaS1WI/AAAAAAAAAoQ/-5E5oiqmj30/s320/charge_dilma_serra1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;u poderia ter feito duas crônicas diferentes, uma para cada resultado da eleição. Mas me poupei do trabalho inútil e desgastante, já que é difícil escrever sobre diferenças entre iguais. Com Dilma ou Serra, os vencedores não seriam muitos. Nada mais do que um punhado de grandes empresários e alguns investidores de Nova Iorque. Aliás, estes têm sido os vencedores há muito tempo. A eleição de Dilma não impediu o retorno da direita ao poder. Por um motivo muito simples: a direita nunca saiu do poder. No Brasil, há oito anos a burguesia descobriu a melhor maneira de manter os trabalhadores quietos e continuar controlando o país. Trouxe o PT e sua principal liderança para o governo. Em troca, pediu que aquela história de esquerda, socialismo e luta de classes fosse deixada de lado. E foi. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Em oito anos, Lula foi um replay de Fernando Henrique. Só que mais “eficiente”. Fez os bancos e as empresas lucrarem mais do que na época dos tucanos, algo que o próprio presidente admite sem o menor constrangimento. Enquanto os lucros dos donos da festa cresciam quatro vezes mais com Lula do que com FHC, o salário mínimo crescia no mesmo ritmo daquele personagem dos Trapalhões, o Ananias. Ou, se preferirem, como gostam de fazer os trapaceiros na hora de repartir a riqueza: “quatro pra mim, meio pra você.”. Governar para todos onde as classes sociais têm interesses contrários só poderia dar nisso. Alguém tem que sair perdendo, ainda que pareça estar ganhando. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Os petistas dizem que a vitória de Dilma impediu a volta ao passado, que a vitória da ex-ministra fortalece o projeto da esquerda, que favorece a continuação das mudanças de Lula. Palavras e conceitos confundem, mas fatos e ações esclarecem. Governos de esquerda (ou dos trabalhadores, como quiserem) não enviam tropas militares para massacrar um povo de outro país, principalmente se este for o povo mais miserável das Américas. Governos de esquerda não pagam dívidas com banqueiros enquanto pessoas morrem em filas de hospitais públicos, sobretudo quando as dívidas já foram pagas uma dezena de vezes. Governos de trabalhadores não permitem demissões durante crises econômicas, não reduzem impostos para empresários e não doam R$ 370 bilhões para meia-dúzia de ricos em falência. Governos de trabalhadores não fazem reformas da previdência para dificultar a aposentadoria de quem passou a vida inteira trabalhando, muito menos vetam o fim de fatores previdenciários. Governos de esquerda não chamam latifundiários e usineiros de heróis, tampouco reprimem ocupações de terra e não fazem reforma agrária. Governos de esquerda não organizam mensalão nem mensalinho e não governam com corruptos, principalmente se eles forem Sarney, Collor e Renan Calheiros. Governos de trabalhadores não aceitam privatizações do patrimônio público, não fazem leilões de petróleo, nem dividem o pré-sal com empresas privadas. Governos de trabalhadores não permitem que um milhão de mulheres realizem abortos clandestinos e sem segurança todos os anos, correndo o risco de morrer ou ficar com seqüelas, ainda que isso incomode católicos e evangélicos. Governos de esquerda não chamam de distribuição de renda um programa que oferece apenas R$ 130,00 por mês para uma família inteira sobreviver. Governos de esquerda, depois de oito anos, não permitiriam a existência de mais de 50 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, sobretudo num país que é a oitava maior economia do mundo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Bom, de fato existe, sim, uma diferença entre Dilma e Serra. Ele seria presidente, ela será presidenta. E é só.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Obs.: Por problemas de preguiça crônica, o blog As Crônicas do João só fez sua postagem hoje, e não no domingo como de costume. Próximo domingo tudo volta ao normal.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-853849901154841908?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/853849901154841908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=853849901154841908' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/853849901154841908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/853849901154841908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/11/presidente-ou-presidenta.html' title='Presidente ou presidenta?'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TM7qzDaS1WI/AAAAAAAAAoQ/-5E5oiqmj30/s72-c/charge_dilma_serra1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-1726263402177224069</id><published>2010-10-25T15:32:00.000-03:00</published><updated>2011-04-18T23:19:52.459-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Sobre direita, esquerda e bolinhas de papel</title><content type='html'>&lt;div  align="justify" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;font-size:130%;" &gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a style="font-family: times new roman;" href="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TMb0SsErErI/AAAAAAAAAoI/thjEx9j6bWs/s1600/jt10_pt_psdb.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 320px; float: right; height: 203px;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5532377794176815794" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TMb0SsErErI/AAAAAAAAAoI/thjEx9j6bWs/s320/jt10_pt_psdb.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;N&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;ada me intriga mais do que constatar que, nas eleições, a direita desaparece. Durante a campanha eleitoral, pelo menos na aparência, ninguém é de direita. Todo mundo vira de esquerda, até mesmo a própria direita. Todo mundo tem história de vida bonita para mostrar, enfrentando a ditadura e liderando as lutas de estudantes e trabalhadores. Todo mundo é contra a fome, o desemprego, a desigualdade social, os baixos salários e a exploração. Todo mundo defende a educação e a saúde públicas, a construção de escolas e hospitais, o saneamento básico, a ampliação dos direitos sociais, a construção de moradias e a reforma agrária. Agora, claro, isso só durante as eleições. Depois, todo mundo volta a ser de direita. Afinal, não pega bem ser de esquerda a vida toda, como Lula e o PT demonstraram de maneira insofismável. Quer dizer, não pega bem só se você for um dos amigos de Wall Street.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazem de tudo para parecer de esquerda, para se parecer com o povo. Colocam crianças no colo, beijam recém-nascidos, abraçam pobres, muito embora essas não sejam tradições entre a esquerda. Em seus programas de TV, Dilma e Serra gostam de mostrar apenas os trabalhadores, apenas o povo que é “gentem como a gente”. Nas propagandas, aparecem sempre o João Pedreiro, a Maria Costureira, o Joaquim Operário, a Josefa Professora, a Beatriz Enfermeira e por aí vai. Em nenhum dos programas de Serra e Dilma os grandes empresários e banqueiros aparecem. O que é bastante curioso, já que foram exatamente estes senhores que mais lucraram e enriqueceram nos últimos dezesseis anos no Brasil. E não sou eu que digo isso, é o próprio presidente. Já imaginou o Eike Batista no programa da Dilma?! Ou o Olavo Setúbal Jr. pedindo voto para o Serra?! Não iria dar certo. Mas há uma explicação para o caso. Se depois das eleições pega mal ser de esquerda, muito pior é parecer de direita enquanto se pede o voto dos trabalhadores. Aí já viu, né?! Qualquer encenação vira ópera-bufa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vó era quem tinha razão: conhece-se alguém mais pelo que faz do que pelo que diz. E o que o PSDB e o PT fizeram nos últimos anos não tem nada a ver com a esquerda. Vejamos, por exemplo, uma das mais recentes polêmicas entre os dois candidatos neste segundo turno: a responsabilidade sobre as privatizações. Dilma acusa o governo de FHC e Serra de ter vendido as estatais brasileiras para empresas estrangeiras, o que de fato é verdade. Em contrapartida, Serra acusa o governo de Lula e Dilma de vender o pré-sal para estrangeiros, o que também é verdade. Tão estranho quanto ver o Serra denunciar privatizações é ver a Dilma escandalizada com o brechó que o PSDB fez no país. Ora, se o PT é realmente tão contra as privatizações, por que Lula não reestatizou as empresas vendidas por FHC?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixem eu me ocupar, por um instante, com as implicações do uso “violento” das bolinhas de papel, rolos de fita crepe e balões de água. Ao que tudo indica, estas são as mais novas armas de destruição em massa utilizadas na reta final da campanha. As primeiras foram confetes e serpentinas, já que a festa estava quase confirmada. Dilma não fez o mesmo escarcéu que o Serra, verdade seja dita, mas fez questão de frisar que por pouco não foi atingida por um poderosíssimo balão de água. Se fosse durante o carnaval, ela não teria reclamado. O PT não queria festa?! Então, nada melhor do que balões para começar a brincadeira. Porém, ver a histeria do Serra em relação ao ataque fulminante da bolinha de papel foi realmente impagável. Ainda que depois ele tenha sido atingido por um rolo de fita crepe, nada justifica o espetáculo dantesco do tucano com aquela história de tonturas e até tomografia. Quando não há diferenças no programa de governo, os candidatos apelam para todo tipo de circo, mas a verdade é que os palhaços são outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio da bolinha de papel, do rolo de fita crepe e do balão de água só prova uma coisa: somos muito atrasados. No mundo mulçumano, eles atiram sapatos contra pessoas não muito queridas. Não com a mesma pontaria que nós, é verdade. Mas ainda assim são mais avançados. Convenhamos: bolinha de papel e balão de água é uma vergonha, gente. Sapato neles, pô! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Obs.: Por problemas técnicos, o blog As Crônicas do João só fez sua postagem hoje, e não no domingo como de costume.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-1726263402177224069?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/1726263402177224069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=1726263402177224069' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1726263402177224069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1726263402177224069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/10/sobre-direita-esquerda-e-bolinhas-papel.html' title='Sobre direita, esquerda e bolinhas de papel'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TMb0SsErErI/AAAAAAAAAoI/thjEx9j6bWs/s72-c/jt10_pt_psdb.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-2006032832658223</id><published>2010-10-03T07:03:00.000-03:00</published><updated>2010-10-03T19:23:02.757-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>O voto útil</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TKhVg2GkE3I/AAAAAAAAAn4/1Jnxzhc8BFw/s1600/eleicao-2010-voto-politico.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 285px; FLOAT: right; HEIGHT: 246px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523758965737132914" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TKhVg2GkE3I/AAAAAAAAAn4/1Jnxzhc8BFw/s320/eleicao-2010-voto-politico.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;ssa quem me contou foi um amigo. É sobre o peso de nossas decisões e as ironias da vida. Ou sobre a nossa consciência de classe. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Seu Zeca trabalhava há vários anos na companhia energética pública de seu Estado. Era esse trabalho que garantia o seu sustento e o de sua família. A estabilidade do serviço público lhe dava, inclusive, certa tranquilidade no ofício e a doce ilusão de ver afugentado o fantasma do desemprego. Seu Zeca sempre teve orgulho do seu trabalho porque através dele ajudava a iluminar as vidas de centenas de milhares de pessoas. Em sua inocência, até se arriscava a dizer que era feliz. Aí veio a eleição para governador do Estado. O ano era 1994. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Seu Zeca, assim como a maioria do povo, entendia que era preciso votar em quem tinha chances de ganhar. Não valia a pena escolher um candidato que mal aparecia nas pesquisas e que não conseguiria vencer a eleição. Era o mesmo que jogar o voto fora. Afinal, voto tinha que ser útil. Por isso, Seu Zeca não pensou duas vezes e optou pelo candidato que estava liderando as preferências, um legítimo cacique da política no Estado e um representante dos interesses de grandes empresários. Seu Zeca era um trabalhador, mas escolheu votar no patrão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Entretanto, o funcionário da companhia energética poderia ter tomado outra decisão. Na rua em que ele morava, em um bairro popular da cidade, havia um trabalhador que também era candidato ao governo e que sempre falava coisas sobre a esquerda, o socialismo e a importância da classe trabalhadora governar. Mas este trabalhador/candidato não tinha dinheiro para gastar nas eleições e nem o mesmo tempo de TV dos outros. Por isso, aparecia sempre em último nas pesquisas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Pois é, Seu Zeca. Eleição não muda nada. Mas a gente também não pode votar nos candidatos daqueles que nos exploram, não é verdade? Trabalhador tem que votar em trabalhador pra fortalecer a nossa luta em defesa da nossa classe. Pra gente um dia poder governar e deixar de ser explorado. – dizia o candidato da esquerda. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Mas eu não vou estragar o meu voto votando em quem não tem condições de se eleger, rapaz. Se tem dois candidatos na frente das pesquisas, eu tenho que escolher é um dos dois pra não perder meu voto! – afirmava o funcionário da companhia energética. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O trabalhador/candidato ainda tentou argumentar, mas Seu Zeca estava decidido. Iria mesmo votar naquele que estava liderando a campanha e que tinha condições de ganhar. E foi o que aconteceu. O candidato que representava os grandes empresários e que foi escolhido por Seu Zeca venceu as eleições para o governo do Estado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;- Tá vendo aí?! Meu candidato foi eleito, rapaz! E eu não perdi meu voto! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Depois de eleito, uma das primeiras medidas do novo governador foi privatizar a companhia energética pública, onde Seu Zeca trabalhava. Com a venda da estatal para um grupo de empresários, muitos trabalhadores foram demitidos para que os gastos da empresa reduzissem e os lucros aumentassem. Entre os dispensados, estava o Seu Zeca, que acabou, desgraçadamente, perdendo muito mais do que o voto.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-2006032832658223?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/2006032832658223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=2006032832658223' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/2006032832658223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/2006032832658223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/10/o-voto-util.html' title='O voto útil'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TKhVg2GkE3I/AAAAAAAAAn4/1Jnxzhc8BFw/s72-c/eleicao-2010-voto-politico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-6683562301901760700</id><published>2010-09-20T02:38:00.000-03:00</published><updated>2010-09-20T12:10:46.731-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><title type='text'>Os símbolos da decadência</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TJbz_8xONEI/AAAAAAAAAnw/l9cIxcGZN3c/s1600/105sk11.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 268px; FLOAT: right; HEIGHT: 280px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5518866673359008834" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TJbz_8xONEI/AAAAAAAAAnw/l9cIxcGZN3c/s320/105sk11.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; propaganda eleitoral gratuita na TV me diverte e desespera ao mesmo tempo, embora me pareça que quando a inventaram a função não fosse exatamente a de garantir entretenimento ou desânimo para milhões de brasileiros. Há algo de errado nisso tudo, eu sei. Quer dizer, algo não. Tudo mesmo. Da política econômica à falsa democracia. Mas não se pode negar que muitos candidatos estão mais para personagens folclóricos do que para postulantes a um cargo público. Parte da disputa eleitoral oscila entre o cômico e o absurdo, numa caricatura teatral da decadência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, eu tenho uma teoria sobre esses tipos medonhos que durante as eleições nos divertem pela telinha da TV. Esses candidatos possuem uma determinada função social: a de arrancar risadas dos que vão passar os próximos dois ou quatro anos chorando por causa das políticas aprovadas em todas as esferas do poder. É uma forma de usar o ridículo para entorpecer. Ou, na melhor das hipóteses, tudo não passa de esculhambação. Mas deixemos as análises de lado por um momento e vejamos os tipos mais comuns nas eleições. Fiz uma pequena lista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Biográfico&lt;/strong&gt;: é o candidato que acredita que sua história de vida daria mais que um livro. Daria até voto. &lt;em&gt;“Amigo eleitor, sou Aderbal dos Grudes. Nasci na baixa da égua, mas morei e me criei na capital. Sou formado em Ciências Econômicas, fiz mestrado e doutorado em Gestão Pública. Sou casado e tenho dois filhos. Há vinte anos sou professor universitário, ao longo dos quais publiquei três livros, todos traduzidos para cinco idiomas. Por isso, nestas eleições, não se engane. Vote em quem tem história.”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Crente:&lt;/strong&gt; pretensiosamente, é o candidato direto do Todo Poderoso na Terra. &lt;em&gt;“Meus irmãos evangélicos, mais uma vez entro numa batalha contra gigantes, assim como Davi. Recebi um chamado de Deus para esta missão. Sou candidato a deputado estadual para ampliar o império do Senhor Jesus aqui na Terra. Essa é uma guerra que precisamos vencer, pois o inimigo está sempre por perto atentando os cordeiros de Deus. Vote no pastor Agenor. A mão do Pai está aqui.”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Família:&lt;/strong&gt; é o candidato que põe toda a família no programa para falar das qualidades dele como chefe de casa. Em geral, o sujeito é apresentado como bom pai, bom marido e o programa sempre termina com um dos filhos dizendo “votem em papai”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Mudo:&lt;/strong&gt; esse é um clássico. Passa o programa inteiro em silêncio ao lado de alguém que diz as razões pelas quais devemos votar no candidato. &lt;em&gt;“Caro eleitor, esse aqui é o Rodinei. Homem honesto, trabalhador, pai de família. Esse eu conheço desde criança. Possui vários projetos na área da educação e da segurança. É a sua alternativa nestas eleições. Não se esqueça. Para deputado federal, vote no meu amigo Rodinei.”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Pedinte:&lt;/strong&gt; esse é o candidato mendigo. Já começa pedindo ajuda. &lt;em&gt;“Meus amigos e minha amigas, me ajudem a chegar lá. Só peço uma chance, me dê um voto de confiança. Muitos já passaram e não fizeram nada. Agora chegou a minha vez. Com a sua ajuda, vamos mudar essa realidade.”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Amoroso:&lt;/strong&gt; é o candidato que acredita que só amor pode mudar o mundo e é por isso que, estranhamente, deseja entrar para a política. &lt;em&gt;“Você sabe o que falta para os outros gestores públicos? Amor, meus amigos. Uma administração sem amor não pode resolver os problemas da população. Eu tenho uma vida que sempre se pautou pelo amor às pessoas e o carinho pelos mais pobres. No meu governo, a prioridade vai ser o amor.”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Garçom:&lt;/strong&gt; é o candidato cujo ofício sempre foi servir às pessoas. E por isso mesmo julga-se o melhor candidato, já que servir é a principal característica de um político. A quem? Aí já é outra história. &lt;em&gt;“Olá, sou o garçom Ademar. Há trinta anos trabalho servindo em restaurantes. Agora quero servir ainda mais no Congresso Nacional. Por isso, vote em quem sabe servir.”&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os símbolos da decadência. Acredito, realmente, que o fim deve estar próximo. Arrependei-vos enquanto há tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-6683562301901760700?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/6683562301901760700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=6683562301901760700' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6683562301901760700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6683562301901760700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/09/os-simbolos-da-decadencia.html' title='Os símbolos da decadência'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TJbz_8xONEI/AAAAAAAAAnw/l9cIxcGZN3c/s72-c/105sk11.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-4464214071054173525</id><published>2010-09-12T11:58:00.000-03:00</published><updated>2010-09-12T12:14:52.613-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>O Brasil que eu não conheço</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TIzs3bKUaeI/AAAAAAAAAno/MItqQ1d8NAs/s1600/charge-brasil-de-todos1.gif"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 296px; FLOAT: right; HEIGHT: 206px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516044080550013410" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TIzs3bKUaeI/AAAAAAAAAno/MItqQ1d8NAs/s320/charge-brasil-de-todos1.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;stas eleições estão particularmente muito chatas. “Nunca antes na história desse país” a cara de um foi tão semelhante ao focinho do outro. Mesmo com nove candidatos disputando a Presidência da República, embora a grande imprensa não mostre todos, os que estão liderando as pesquisas não passam de trigêmeos da mesma política dos últimos vinte anos. Enquanto isso, os demais candidatos, principalmente os da esquerda, precisam se virar nos cinqüenta segundos que dispõem na TV para fazer a diferença. Isso porque entre o PT de Lula e Dilma e o PSDB de FHC e Serra, não há distinções quanto ao programa de governo. Eles mesmos admitem o fato ao defenderem um modelo econômico idêntico. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Pior do que isso talvez só Marina Silva, que sem constrangimento algum reivindica Lula e FHC ao mesmo tempo. Dessa forma, fica difícil acreditar em disputa. Em democracia, então, nem se fala. De todo modo, estou convencido de que o correto deveria ter sido a união de Dilma, Serra e Marina em torno de uma única candidatura. É claro que ainda assim não haveria qualquer mudança para o Brasil, até porque o projeto defendido pelos três já foi aplicado antes e não mudou o país. Mas pelo menos seria mais honesto politicamente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Além das semelhanças siamesas entre Dilma e Serra, outro aspecto dessa campanha vem despertando minha inquietação. Os programas de TV do horário eleitoral estão apresentando um Brasil que eu não conheço. São hospitais, escolas, universidades, estradas, postos de saúde, remédios para todos, geração de empregos, distribuição de renda, salário digno, construção de moradias etc, etc, etc. Tudo funcionando na mais tranqüila e absoluta perfeição. Como assim?! Transformaram o Brasil num país escandinavo e ninguém me disse nada?! Quer dizer que o Haiti não é mais aqui? Agora é a Noruega que é aqui?! Onde estão as favelas e os 52 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza? E as 40 mil crianças que morrem de fome todos os anos? E os mais de 8 milhões de desempregados? Para onde foi todo mundo? Para onde foram os mais de 14 milhões de analfabetos? E os baixos salários? O que fizeram com as filas e as macas nos corredores dos hospitais? E a falta de merenda nas escolas? Onde cargas d’água enfiaram a metade da população brasileira que vive sem tratamento de esgoto? Não há mais pobres nesse lugar? Nem miseráveis? Que país é esse?! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Instigado pelo instinto da investigação jornalística, decidi ir às ruas para ver de perto se o Brasil havia mesmo se transformado na Noruega. Mas nem foi preciso ir muito longe. Bastou dar uma volta no bairro e alguns telefonemas para retornar ao subdesenvolvimento e à tragédia social. Nas proximidades de onde moro, a realidade não havia mudado. As escolas caindo aos pedaços, os postos de saúde sem médicos, o esgoto a céu aberto. Estava tudo lá, do jeito que os brasileiros conhecem. Até o Google Earth eu usei para confirmar se as favelas ainda estavam no mesmo lugar. É claro que estavam. Só senti falta mesmo das condições dignas de vida, que continuam tão distantes quanto a Noruega. Pelo telefone, fontes seguras me informaram que a situação permanecia a mesma em todas as regiões do país. Mamãe, por exemplo, que mora em Maceió, me ligou pedindo dinheiro, já que o salário sempre acaba antes do fim do mês. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O Brasil mostrado nos programas de TV de Dilma e Serra não existe. Aquilo só pode ser Hollywood. Eu não ficaria surpreso se depois das eleições descobrissem que todas as cenas foram gravadas em estúdios da Warner Brothers e que os marqueteiros do PT e do PSDB foram assessorados pelo James Cameron. Efeitos especiais não faltam.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-4464214071054173525?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/4464214071054173525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=4464214071054173525' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4464214071054173525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/4464214071054173525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/09/o-brasil-que-eu-nao-conheco.html' title='O Brasil que eu não conheço'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TIzs3bKUaeI/AAAAAAAAAno/MItqQ1d8NAs/s72-c/charge-brasil-de-todos1.gif' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-1879058724736985102</id><published>2010-09-06T21:54:00.000-03:00</published><updated>2010-09-06T22:00:48.236-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><title type='text'>Democracia? Onde?! Onde?!</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;em&gt;“A liberdade de eleição permite que você&lt;br /&gt;escolha o molho com o qual será devorado.”&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;(Eduardo Galeano)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TIWOeBDVmVI/AAAAAAAAAlQ/f2iNsKNzQ-o/s1600/DOAES_~1.JPG"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 162px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513969965114693970" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TIWOeBDVmVI/AAAAAAAAAlQ/f2iNsKNzQ-o/s320/DOAES_~1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;C&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;omo é estranha e complexa esta coisa que os homens do poder chamam de democracia. Dizem que em nossa sociedade, a cada dois anos, somos chamados a exercitar o tão proclamado e inalienável direito de votar. Tão inalienável que mesmo aquele que não deseja votar é obrigado a fazê-lo. Essa obrigação, que de tempos em tempos os donos da bola decidem proibir, faz parte do jogo da democracia, já que é através dela que elegemos nossos representantes. Ou não. Bom, pelo menos é o que dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na democracia, dizem também que qualquer um pode ser candidato e que os eleitores têm o direito de conhecer as ideias e as propostas de todos aqueles que se candidatam. Agora, claro, que se um determinado candidato tem dez minutos de propaganda na TV, durante o horário eleitoral gratuito, e os outros têm apenas um minuto ou menos para apresentarem suas opiniões, isso já não é problema da democracia. Tem a ver com o posicionamento dos astros, as fases da lua e o ciclo de menstruação dos galináceos. Mas não com os direitos democráticos ou coisa parecida. O mesmo vale para as regras dos debates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A legislação eleitoral, que também faz parte da democracia, obriga as emissoras a convocarem para os debates todos os candidatos dos partidos que possuem representação na Câmara Federal, mas não obriga a convocação dos que não possuem nenhum representante. De modo que convocar os párias das eleições fica a critério de cada emissora. TVs e rádios recebem concessões públicas para funcionar, mas decidem sozinhas quem participa ou não dos debates. É claro que se essa decisão diminui as chances dos partidos que não possuem representação alcançarem uma cadeira na Câmara Federal, isso também não é problema da democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o período da redemocratização, nunca tivemos tantos candidatos à Presidência da República como temos nestas eleições. Ao todo, são nove os que disputam o comando do país. Entretanto, você não conhecerá o que pensam e o que propõem cada um deles. Não porque três meses sejam insuficientes para isso. Mas porque já escolheram os candidatos em que você pode votar. São os que estão liderando as pesquisas, os que vão aos debates e os que possuem mais tempo na propaganda eleitoral gratuita. E, curiosamente, são exatamente estes que recebem as pomposas “doações” dos donos do jogo democrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta coisa que os homens do poder chamam de democracia é tão estranha e complexa que não consegue nem mesmo garantir o que se propõe a garantir. Em todas as épocas da história da humanidade, quando algo não funcionava mais como deveria funcionar, precisou ser substituído. Em nosso caso, o que necessita ser trocado já está fedendo. Seja porque é sujo ou porque é podre demais.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-1879058724736985102?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/1879058724736985102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=1879058724736985102' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1879058724736985102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1879058724736985102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/09/democracia-onde-onde.html' title='Democracia? Onde?! Onde?!'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TIWOeBDVmVI/AAAAAAAAAlQ/f2iNsKNzQ-o/s72-c/DOAES_~1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-1776326404885008208</id><published>2010-08-01T17:30:00.000-03:00</published><updated>2010-08-01T17:40:55.151-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>O professor e o ladrão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RwY3ww9HSxI/AAAAAAAAAEw/NnGX8zrQzzo/s1600-h/amigos[1].jpg"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; FLOAT: right; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5117839337467628306" border="0" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RwY3ww9HSxI/AAAAAAAAAEw/NnGX8zrQzzo/s320/amigos%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;O &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;professor e mestre iluminado Marcony é um inominável contador de histórias. Lembro-me, carinhosamente, de uma das mais hilárias aventuras que ele viveu. Eu ainda estava no colégio quando ele narrou o fato, o ano de 2000 findava.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;O amado guru voltava para casa, no humilde bairro do Santos Dumont, depois de dar sua última aula num curso pré-vestibular, não me lembro qual. Já era tarde da noite. Ele caminhava, cautelosamente, por entre as ruas escuras e fétidas do bairro, trajava sua roupa feita de pano de saco de farinha, diga-se de passagem, bem original. Estava próximo de casa quando um homem saltou em sua frente com um canivete na mão, havia saído de dentro de um terreno baldio. Tinha os cabelos desgrenhados e uma barba de três dias. O bandido gritava desesperadamente:&lt;br /&gt;- Passa a carteira, meu irmão! Me dá o dinheiro, rápido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;A principio Marcony se assustou, pois as ruas estavam vazias e ele não havia visto o bandido. Mas logo em seguida recuperou sua calma de mestre hindu e, olhando nos olhos do ladrão, fez o que nenhum ser humano em estado normal faria: soltou uma gargalhada. O ladrão não estava entendendo bulhufas, Marcony continuava rindo. Não agüentando mais, o homem explodiu:&lt;br /&gt;- Perdeu a noção do perigo, cara?! Tá rindo de quê?&lt;br /&gt;- Você sabe quem eu sou? – perguntou Marcony com um ar desleixado.&lt;br /&gt;- Não, por quê? Você é policial? – o ladrão tinha o rosto contraído.&lt;br /&gt;- Não, não, não! Eu sou professor. Como é que você quer assaltar um professor? Sabe quanto ganha um professor neste país? Uma miséria, meu companheiro.&lt;br /&gt;- Ah, meu irmão, vai querer me enrolar agora? Passa a carteira pra cá e deixa de conversa fiada. – disse o ladrão um tanto impaciente.&lt;br /&gt;- Tá bom! Eu vou lhe dar a carteira, mas tire só o dinheiro. Você sabe que para retirar novos documentos é uma complicação da “bexiga”! – disse o mestre.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O ladrão apanhou a carteira e começou a vasculhá-la. Já estava prestes a ter outro surto de raiva quando encontrou um bolso fechado por zíper, deu umas batidinhas e ouviu o tilintar das moedas. Retirou-as e passou a contá-las. Havia cinco reais em miúdos. O bandido ficou possesso.&lt;br /&gt;- Mas o que é isso?! – esbravejou.&lt;br /&gt;- Eu bem que lhe avisei, eu lhe disse que era professor. – replicou Marcony com um risinho sarcástico.&lt;br /&gt;- Mas isso é um absurdo! É inadmissível que um professor só tenha cinco reais na carteira, nós estamos no começo do mês. Que país é esse? – o ladrão estava indignado.&lt;br /&gt;- Veja bem, tudo isso é fruto do sistema em que estamos inseridos, há uma larga concentração de renda em nosso país, sem mencionar que temos um governo insipiente e que não respeita os trabalhadores. Sobretudo eu, que sou um formador de opinião. – disse Marcony com um ar de intelectual. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Longo silêncio. O bandido parecia pensativo.&lt;br /&gt;- É verdade, professor. Me perdoe por não ter compreendido o senhor. A vida me deixou um pouco insensível, mas o problema é que eu tô desempregado e tenho mulher e filhos pra cuidar. O senhor entende, não é? – o ladrão estava comovido.&lt;br /&gt;- Claro que entendo! – disse o mestre. – Você é só mais uma vítima desse mundo cão.&lt;br /&gt;Marcony já recomeçava seu caminho quando o ladrão pediu para acompanhá-lo até em casa, argumentando que as ruas eram perigosas àquela hora da noite. Os dois caminhavam lado a lado, ainda conversando sobre a situação social e política do país. Já na porta da casa o ladrão olhou para as moedas em suas mãos e falou:&lt;br /&gt;- Bom, professor, enquanto a gente conversava eu pensei bem e percebi que a sua situação é semelhante a minha, não é justo que eu leve todo o seu dinheiro. Proponho uma divisão, eu fico com R$2,50 e o senhor com os outros R$2,50, feito?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O mestre sempre foi um homem com o pensamento vinculado ao social e de um apego invejável para com a solidariedade humana, não podia deixar de aceitar a oferta. O ladrão, satisfeito com o negócio, já estava se despedindo:&lt;br /&gt;- Professor, foi um prazer conhecê-lo. Muito obrigado pelo dinheiro, precisando é só chamar. – apertaram-se as mãos e o ladrão se afastou.&lt;br /&gt;Marcony ficou parado na porta por um tempo, pensando em tudo que lhe acabara de acontecer. Riu levemente e entrou em casa. A vida era realmente imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem as más línguas que hoje, praticamente todos os finais de semana, o mestre costuma tomar alguns chopes com o ladrão e que eles se tornaram grandes amigos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-1776326404885008208?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/1776326404885008208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=1776326404885008208' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1776326404885008208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1776326404885008208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/08/o-professor-e-o-ladrao.html' title='O professor e o ladrão'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RwY3ww9HSxI/AAAAAAAAAEw/NnGX8zrQzzo/s72-c/amigos%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-1210301444761804692</id><published>2010-07-25T16:44:00.000-03:00</published><updated>2010-07-25T16:50:29.295-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bobagens Antológicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contando Ninguém Acredita'/><title type='text'>Assaltos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RvhvLsdNo-I/AAAAAAAAADY/5u2n1dLs2Ck/s1600-h/social[1].jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; FLOAT: right; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113959623582131170" border="0" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RvhvLsdNo-I/AAAAAAAAADY/5u2n1dLs2Ck/s320/social%5B1%5D.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;H&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;á situações na vida que possuem propriedades interessantíssimas. Encruzilhadas cotidianas em que as pessoas acabam por demonstrar quem realmente são. Na cama, ao volante, na prática política... São todas ocasiões de grande revelação. Outro dia, porém, me deparei com uma situação que talvez seja a mais reveladora de todas. O assalto! Eis o instante em que a moral burguesa é ofendida. Eis o encontro do capitalismo com seu Frankenstein. O criador e a criatura. Cara a cara! O assalto oscila entre a celebração do ridículo e o extremismo da barbárie. Pelo menos em alguns casos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;I&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram 18 horas. Eu voltava pra casa tranquilo. Quando subia a ladeira da Catedral de Maceió, fui abordado por dois sujeitos. Um baixinho e um magricela.&lt;br /&gt;- E aí, bicho? Me arranja um dinheiro aí pra eu comer qualquer coisa. – falou o baixinho, tentando a via pacífica.&lt;br /&gt;- Pô. Você me pegou num dia ruim. Tô sem nenhum. – respondi.&lt;br /&gt;- Que mané “tô sem nenhum”, rapá! Passa logo pra cá o celular que tá no teu bolso. Se não passar, te dou uma facada! – falou o magricela, bem menos diplomático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a primeira vez que eu estava sendo assaltado. Tentei manter a calma, mas confesso que quase me borrei todo.&lt;br /&gt;- Calma aí, amigo. Vamos conversar. Essa não é a melhor maneira de resolver os problemas. – falei sentindo um nó nas tripas.&lt;br /&gt;- Olha, é só você entregar o celular e nós te deixamos em paz. – argumentou o baixinho, visivelmente um sujeito com muito mais tato pra essas coisas. Simpatizei logo com ele.&lt;br /&gt;- Pô, cara. Meu celular não. Te dou todo o dinheiro que tenho na carteira. Mas o celular não. Preciso dele pra trabalhar. – menti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois hesitaram. O magricela resolveu:&lt;br /&gt;- Tá, tá, tá! Me dá logo esse dinheiro antes que eu te fure todo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Mal sustentando as pernas, abri a carteira e entreguei os únicos R$ 5,00 que eu tinha.&lt;br /&gt;- Que porra é essa, malandro?! Tá querendo me enrolar?! – disse o magricela.&lt;br /&gt;- É tudo que tenho.&lt;br /&gt;- Toma essa bosta de volta! Num quero não! Que que vou fazer cum cinco conto, rapá?! Passa logo o celular senão te encho de bala!&lt;br /&gt;- Bala? Não era uma facada? – perguntei, meio sem entender.&lt;br /&gt;Os dois trocaram olhares confusos.&lt;br /&gt;- É... que... ahhh... bom, era uma facada. Mas agora vai ser uma bala. Mudança de planos, sabe? – adiantou-se a explicar o baixinho.&lt;br /&gt;- É isso mesmo. Mudança de planos. Agora passa o celular, os cinco conto e esse tênis aí. – ordenou o magricela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Não me contive.&lt;br /&gt;- Ah, não! Assim não! – disse eu, já invocado e resolvido a me espalhar – Agora não vão levar mais nada não! Tão pensando o quê?! Não é assim não, cara! Ou uma coisa ou outra! Palhaçada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes a pessoa tem que se impor. Continuei:&lt;br /&gt;- Eu tô na mesma situação que vocês! Não podem levar minhas coisas. – menti de novo, dessa vez descaradamente. – Por que não vão roubar o Renan, o Lula e o Zé Dirceu?! Garanto que vocês terão cem anos de perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Nesse instante, para meu alívio (nunca pensei que fosse dizer isso!), apareceu no topo da ladeira um policial. O militar perguntou:&lt;br /&gt;- O que tá acontecendo aí?&lt;br /&gt;- Né nada não! Né nada não! – gritaram os assaltantes.&lt;br /&gt;- É sim, seu guarda! É sim! É um assalto! – disse eu desesperado.&lt;br /&gt;O baixinho e o magricela puseram-se a correr, desaparecendo numa esquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei pra casa com todos os meus pertences. Mas voltei com a moral burguesa ofendida. Esta experiência mostrou-se bastante reveladora para mim. É praticamente uma tragicomédia perceber a quantidade de mentira e descaramento que cada um de nós carrega ao longo da vida. Hoje, analisando minha reação durante o assalto, não consigo me olhar no espelho e não ver o FHC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um canalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;II&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Essa aconteceu com um ex-cunhado. Mesmo com sua vasta experiência em ser assaltado (umas dez vezes, eu acho), flagrou-se outra vez diante do nosso Frankenstein social. Já era tarde da noite. Ele voltava da escola apressado, e as ruas do centro da cidade estavam vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sujeito caminhava em sua direção, vindo da outra extremidade da rua. Meu ex-cunhado já sabia o que estava pra acontecer.&lt;br /&gt;- Muito bem. Isso é um assalto! – disse o sujeito com uma arma apontada na direção da vítima.&lt;br /&gt;- Ok. Estou acostumado. O que vai ser essa noite? – quis saber o assaltado.&lt;br /&gt;- Passa logo a bolsa!&lt;br /&gt;- Calma aí. Não é assim. Vamos negociar. Pra que você quer minha bolsa? Ela só tem livros. Pra que você vai querer meus livros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;O assaltante ficou pensativo. Concluiu:&lt;br /&gt;- Tá. Beleza então. Não levo a bolsa. Mas me dá a carteira.&lt;br /&gt;- Não. Também não é assim. Vamos negociar. Pra que você quer minha carteira? Só tem meus documentos. Pra que você quer meus documentos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nova reflexão do bandido, desta vez mais profunda.&lt;br /&gt;- Olha, tudo bem. Não vou levar a carteira. Mas me passa pelo menos o dinheiro que está na carteira, né?&lt;br /&gt;- Agora sim. Agora estamos começando a nos entender. Veja, tudo bem que nos assaltem. Mas que tenham o mínimo de critério. Você não acha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Meu ex-cunhado tinha R$ 20,00 na carteira. Tirou apenas dez.&lt;br /&gt;- Ah, não! Que que isso, maluco?! Tá querendo me passar a perna?! Deixa de doidice e me passa os outros dez que eu já vi daqui! Nada de trapacear. Fair play, brother. Fair play.&lt;br /&gt;- Tá. Tá bom. Foi mal. – disse o ex-cunhado, entregando os outros dez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Eu ia terminar o texto aqui. Mas preciso fazer uma reflexão. Só pra constar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, tenho certeza de que a situação não pode ficar pior. Chegamos ao ponto mais alto da civilização. Já estamos criando regras para o “bom” funcionamento da barbárie. O fair play da barbárie. De fato evoluímos. Não somos mais a sociedade de consumo, nem a sociedade da informação. Somos mesmo é a sociedade do vexame. Vou escrever uma tese sobre isso. Ah, vou!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-1210301444761804692?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/1210301444761804692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=1210301444761804692' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1210301444761804692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/1210301444761804692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/07/assaltos.html' title='Assaltos'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RvhvLsdNo-I/AAAAAAAAADY/5u2n1dLs2Ck/s72-c/social%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-442030208018080574</id><published>2010-07-19T13:36:00.000-03:00</published><updated>2010-07-19T14:28:58.445-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><title type='text'>A Copa que a África do Sul não viu</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TESDOtgJEdI/AAAAAAAAAlI/nB8h-N9boI8/s1600/copa-do-mundo-2010-planetaboleiros.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 301px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5495661734054662610" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TESDOtgJEdI/AAAAAAAAAlI/nB8h-N9boI8/s320/copa-do-mundo-2010-planetaboleiros.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;M&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;esmo depois de seu fim, a primeira Copa do Mundo de futebol realizada no continente negro ainda será assunto durante algum tempo. Mais pelas contradições do que pelos acertos e pelo espetáculo. Foi uma Copa ímpar, uma Copa dos paradoxos. Gerou-se muita expectativa em tudo. Na seleção brasileira e na sua imbatível superioridade, como de costume, mesmo com o Dunga; no belo futebol e nos gols espetaculares de craques mundiais; nos jogos emocionantes e disputadíssimos; no desenvolvimento econômico que o maior evento esportivo do mundo traria para a África do Sul. Desgraçadamente, nada disso foi visto. Um tolo engano, como uma profecia de araque. A Copa da África do Sul só não foi pior por causa do polvo vidente, das peripécias do Maradona à beira do gramado e da musa paraguaia Larissa Riquelme. O resto, futebolisticamente falando, foi lamentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Dunga e seu esquema tático burocrático conseguiram anular o talento dos craques brasileiros. Isso quando os próprios “craques” não se anulavam sozinhos. Muitas vezes parecia que a seleção mandava ofícios aos adversários solicitando permissão para atacar. Não fomos desclassificados pela Holanda porque esta era superior ao Brasil. Só caímos porque não voltamos para o segundo tempo contra os mecânicos holandeses. Dunga esqueceu-se de dizer aos seus meninos que no futebol joga-se, no mínimo, dois tempos de 45 minutos. E o pior de tudo (incompreensível, meu Deus do céu!): o que fazia o Felipe Melo naquela Copa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Foi uma das copas mais chatas de se ver, na qual os pernas-de-pau da competição acharam logo um bode expiatório: a pobre da Jabulani. Quer dizer, também foi uma Copa desonesta. Quem não sabe jogar sempre põe a culpa na bola. A baixa média de gols não foi o resultado da existência de defesas intransponíveis. Mas da falta de talento, aliada ao futebol de resultado (salvo raras exceções). Grandes seleções, como Itália e Inglaterra, foram precocemente mandadas para casa, contrariando todas as previsões. Foi uma Copa tão incomum que a única seleção a não ser derrotada foi a Nova Zelândia, que nem sabe direito o que é futebol. Só tiro o meu chapéu para Gana e Uruguai. Pela força e habilidade. Sobre a final, não poderíamos esperar outra coisa. Mero reflexo do nível do mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Entretanto, nada chamou mais minha atenção do que a bola nas costas que a África do Sul levou. O país da Copa esperava ver os craques, as jogadas, os gols. Enfim, a Copa. Mas não viu. Pior: para que a competição fosse possível, nos moldes da FIFA e dos grandes investidores, muitos sul-africanos precisaram perder suas casas. As famílias que viviam no local onde hoje é o Soccer City foram empurradas para barracos de zinco. Elas não viram a Copa. Os operários que ergueram os templos do futebol, ganhando pouco mais de R$ 1,00 por hora, também não viram o espetáculo. Os meninos pobres de Soweto, que sonham todos os dias em serem como os craques brasileiros, não chegaram nem perto. As pessoas que assistiram aos jogos dentro dos estádios eram, majoritariamente, brancas. O Apartheid acabou, mas a realidade de “cada macaco no seu galho” ainda permanece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Propositalmente, a imprensa mundial relativizou a situação dos sul-africanos. “Tudo bem que vocês tenham recordes de aidéticos e de miseráveis, mas vocês têm a Copa! Sorriam!” Esse era o espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Entretanto, a Copa do Mundo, que é o maior evento do mais popular esporte do planeta, não pôde ser vista pelo povo sul-africano. Se a FIFA, o governo e os empresários farão com o Brasil em 2014 o mesmo que fizeram com África do Sul, então devemos reivindicar pelo menos a construção de um grande estádio de futebol no lugar do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. É só uma sugestão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-442030208018080574?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/442030208018080574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=442030208018080574' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/442030208018080574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/442030208018080574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/07/copa-que-africa-do-sul-nao-viu.html' title='A Copa que a África do Sul não viu'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TESDOtgJEdI/AAAAAAAAAlI/nB8h-N9boI8/s72-c/copa-do-mundo-2010-planetaboleiros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-7347255508971510919</id><published>2010-06-20T20:15:00.000-03:00</published><updated>2010-06-20T20:19:42.857-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Pequenos Flagras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><title type='text'>Ninguém se importa com Luciene</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TB6hW6SpYoI/AAAAAAAAAlA/mEo81exkGxA/s1600/p9.jpg"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 299px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5484998811160502914" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TB6hW6SpYoI/AAAAAAAAAlA/mEo81exkGxA/s320/p9.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;L&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;uciene tem 30 anos, duas filhas e uma infecção hospitalar, contraída após a cesariana que trouxe sua segunda filha ao mundo. Luciene mora na zona rural de uma cidade pequena, não tem emprego, é pobre e infeliz. No hospital em que está internada, com a recém-nascida no colo, ela contou sua história para a enfermeira da maternidade. Nada de novo, nada que não já se conheça. A história de Luciene é igual a de milhões de outras pessoas, um plágio da miséria e do abandono cotidiano, diferente apenas em seus detalhes de tristeza particular. Luciene, assim como várias Marias, Joanas, Ritas e Denises, é o retrato amarelado e subnutrido da ausência de qualquer vestígio de dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Despojada do mínimo de afeto humano, Luciene é refém de um chantagista emocional, a quem ela chama de “amor”. “Ele sempre diz que vai me abandonar se eu não voltar logo pra casa.”, diz ela, angustiada por ainda não poder receber alta. A filha mais velha, de cinco anos, uma vez ligou para reclamar a ausência da mãe. “Ela me disse que vai acabar perdendo o ano na escola porque eu não estou lá pra levar ela.”, diz Luciene, que não tem família nenhuma. A mãe morreu. E o pai nem merece ser chamado assim. Depois de uma briga com a filha, ele parou de pagar a água da casa em que ela mora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Luciene não vive nem sobrevive. Ela apenas recebe o Bolsa Família. São R$ 90 destinados a garantir o impossível. Com esta quantia, nem se come direito. O próprio presidente, que se orgulha desta institucionalização da miséria, gasta bem mais do que R$ 90 consigo mesmo em um único dia. As pessoas que recebem o Bolsa Família, assim como Luciene, não continuam vivas por causa deste dinheiro, pois isto é na verdade impraticável. Permanecem respirando apenas por insistência própria, talvez por obra de alguma espécie de pacto misterioso com seus estômagos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Há bem mais tristezas na história de Luciene. Mas que não continuarão a ser ditas por uma razão muito óbvia. Luciene não quer ser literatura, não quer ser notícia, muito menos crônica. Luciene quer apenas que alguém se importe com ela. O que até agora ainda não aconteceu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-7347255508971510919?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/7347255508971510919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=7347255508971510919' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7347255508971510919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7347255508971510919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/06/ninguem-se-importa-com-luciene.html' title='Ninguém se importa com Luciene'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/TB6hW6SpYoI/AAAAAAAAAlA/mEo81exkGxA/s72-c/p9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-7438227171596843204</id><published>2010-05-30T13:33:00.000-03:00</published><updated>2010-05-30T13:36:07.321-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cenas do Cotidiano'/><title type='text'>Mortos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RvgRs8dNo8I/AAAAAAAAADM/6KJYTv5burg/s1600-h/Capitalismo"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; FLOAT: right; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113856840719770562" border="0" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RvgRs8dNo8I/AAAAAAAAADM/6KJYTv5burg/s320/Capitalismo" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- &lt;span style="font-size:180%;"&gt;D&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;iga-me, Seu João, por que pensa que está morto?&lt;br /&gt;- Existem evidências, doutor.&lt;br /&gt;Pausa reflexiva do médico.&lt;br /&gt;- O senhor trabalha?&lt;br /&gt;- Sou operário.&lt;br /&gt;- Gosta do que faz?&lt;br /&gt;- Deveria? Está claro que o doutor não percebe as evidências, não é?&lt;br /&gt;- Infelizmente, não. Mas se o senhor estiver disposto a dividi-las comigo, posso tentar perceber.&lt;br /&gt;Nova pausa.&lt;br /&gt;- Algum problema, Seu João? Sente-se à vontade?&lt;br /&gt;- Não muito.&lt;br /&gt;- Quer que feche a janela?&lt;br /&gt;- Não, não, não! Seria o mesmo que fechar a tampa do caixão e pôr a última pá de terra.&lt;br /&gt;- Por que ainda insiste nessa história? Por que pensa que está morto?&lt;br /&gt;- Porque realmente estou.&lt;br /&gt;O médico coça o queixo, intrigado.&lt;br /&gt;- Se está verdadeiramente morto, como posso vê-lo? O senhor é um espírito?&lt;br /&gt;- Não se trata desse tipo de morte.&lt;br /&gt;- De que tipo então?&lt;br /&gt;O paciente deixou um riso debochado escorrer pelo canto da boca. Após um suspiro, provavelmente de impaciência, o médico continuou:&lt;br /&gt;- Diga-me, Seu João, o senhor já amou?&lt;br /&gt;- E o que é o amor? Como é que se sabe quando é amor?&lt;br /&gt;- Bom, o amor é gostar de estar perto, é querer bem o outro ser, é poder completar a si mesmo no outro... essas coisas.&lt;br /&gt;- Isso é pieguice, nada mais.&lt;br /&gt;Silêncio. O médico e o paciente se estudam através de olhares. Por fim, o paciente fala:&lt;br /&gt;- Diga-me, doutor, o senhor “cheira”?&lt;br /&gt;- Já cheirei. Influência freudiana.&lt;br /&gt;- O senhor fuma?&lt;br /&gt;- Dois maços.&lt;br /&gt;- Bebe?&lt;br /&gt;- Socialmente.&lt;br /&gt;- Trepa?&lt;br /&gt;- Não me parece um termo técnico, nem adequado.&lt;br /&gt;- Trepa ou não?&lt;br /&gt;- Às vezes.&lt;br /&gt;- O senhor...&lt;br /&gt;- Espere aí! Receio que o psicanalista aqui seja eu.&lt;br /&gt;- Não, doutor. Todos somos.&lt;br /&gt;Médico sem palavras. O paciente prossegue.&lt;br /&gt;- É por isso, doutor, que pensa que está vivo?&lt;br /&gt;- Isso o quê?&lt;br /&gt;- Fumar, beber, trepar. É por isso?&lt;br /&gt;- Talvez.&lt;br /&gt;- Ouça, doutor, nunca sentiu olhos a lhe vigiar?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Nunca sentiu que lhe controlam a vida? Nunca se sentiu como um cordeiro num rebanho qualquer?&lt;br /&gt;- Isso é absurdo! Ninguém controla minha vida.&lt;br /&gt;O paciente soltou uma risada longa e gorda.&lt;br /&gt;- O senhor me diverte com sua inocência, doutor. Ouça, a sua vida é programada desde o nascimento até o óbito. O senhor faz parte de um sistema, assim como eu e todas aquelas pessoas lá fora. Acordar, comer, trabalhar, votar, fumar, beber, amar, dormir. Estamos presos. Há tempo para tudo, e tudo está delimitado. Mas isso não é o pior. O pior é saber que os outros cordeiros desconhecem o fato, isso realmente é pior. Compreende?&lt;br /&gt;- Eu não sei o que di...&lt;br /&gt;- Não. Não diga nada, doutor. Eu sei como é. Venha comigo até a janela. Olhe lá fora. Vê? As pessoas estão sempre apressadas, atrasadas, ocupadas demais para notar. Vê aquele mendigo ali? E aquele menino no sinal? E aquele sujeito correndo para pegar o coletivo? Vai chegar atrasado na senzala. Venha, vamos nos sentar novamente. Aceita um copo d’água, doutor? Onde fica a geladeira?&lt;br /&gt;- Ali. Ponha um pouco de açúcar, sim?&lt;br /&gt;O médico bebe a água com açúcar que o paciente lhe oferece. Um suspiro longo e um leve arroto, o médico diz:&lt;br /&gt;- Quem controla?&lt;br /&gt;- A resposta para essa pergunta está presente no dia-a-dia, nas relações de “Sim, senhor” e “Não, senhor”. Mas acho que a pergunta que deseja fazer não é quem, e sim por quê?&lt;br /&gt;- Então, por quê?&lt;br /&gt;- Existe uma ordem a ser mantida, doutor.&lt;br /&gt;- E que ordem é essa?&lt;br /&gt;- Ordem e progresso, o meu fracasso é o teu sucesso.&lt;br /&gt;O médico está pálido. O paciente pergunta:&lt;br /&gt;- Ainda se sente vivo, doutor?&lt;br /&gt;- Não muito.&lt;br /&gt;- É, eu sei bem como é estar morto. Venha cá, doutor. Vamos voltar à janela.&lt;br /&gt;Longa pausa. Silêncio entre eles, quebrado apenas pelos barulhos externos. Apitos, buzinas, gritos, gemidos, palavrões, ruídos de fábricas, mãos trabalhando e dedos em máquinas de escrever.&lt;br /&gt;- Você viu, doutor?&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Já passou.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- A vida, doutor. A vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-7438227171596843204?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/7438227171596843204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=7438227171596843204' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7438227171596843204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7438227171596843204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/05/mortos.html' title='Mortos'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_dufrFkEMsCo/RvgRs8dNo8I/AAAAAAAAADM/6KJYTv5burg/s72-c/Capitalismo' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-6379373358370261860</id><published>2010-05-09T18:09:00.000-03:00</published><updated>2010-05-10T13:19:13.357-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Variedades'/><title type='text'>A mulher amada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 213px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469384237043825906" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/S-cn_E0ePPI/AAAAAAAAAk4/q77HaIjIDx0/s320/benjamim-poster03.jpg" /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;P&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;ara a mulher amada fazemos de tudo. Reservamos o que há de melhor em nós mesmos e amamos ao extremo. Porque se não for assim não vale a pena. Um homem não pode passar pela vida e não amar uma mulher, não dar a ela sua cota de humanidade. A mulher amada é aquela que se inscreve em nosso sangue com a força de uma queimadura. É a essa mulher que entregamos nossos olhos, mãos, boca, sexo, sonhos e coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Para a mulher amada, cedemos o peito todas as noites para que durma tranquila, sempre garantindo a ela que estaremos vigiando seu sono a fim de que não haja sobressaltos. Para a mulher amada só se fala a verdade, pois mentir é constatar a ausência de amor. A ela, dizemos “eu te amo” em todas as línguas, ainda que com erros de ortografia. Fazemos cafuné e massagem no pé. Antes, durante e depois do café. Mesmo para as que têm caspa e frieira. Para a mulher amada, é preciso fazer um poema a cada amanhecer, porque só com a literatura é possível registrar os amores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Para a mulher amada, levamos flores e bombons, como faziam os sábios antigos. Só para ela mandamos cartões de amor com corações vermelhos e abobalhados. É só para esta mulher que ao homem é permitido transforma-se em menino, correr nu pela praia e subir na mesa do bar para gritar eu te amo. Pela mulher amada fazemos sacrifícios. Saímos para comprar jaca de madrugada, aprendemos a comer linhaça e a gostar do Paulo Coelho. Em casos extremos, até deixamos de torcer pelo Flamengo. Mas isso pode ser negociado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Pela mulher amada, nós nos rendemos à pieguice, criamos apelidos cômicos e fazemos todo tipo de dengo para cativá-la. Mandamos inúmeras cartas perfumadas, mesmo morando uma rua depois dela. Porque só o ridículo salva o amor da frieza do mundo. Pela mulher amada, invadimos a casa do vizinho para roubar as mais belas flores, que dinheiro nenhum seria capaz de pagar. Trocamos o dia pela noite, só para ficar horas observando o jeitinho bonito que ela tem de dormir, e aceitamos todos os cutucões durante a noite para pararmos de roncar. Por fim, pela mulher amada, esperamos o tempo que for preciso. Sem vacilar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-6379373358370261860?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/6379373358370261860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=6379373358370261860' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6379373358370261860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6379373358370261860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/05/mulher-amada.html' title='A mulher amada'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/S-cn_E0ePPI/AAAAAAAAAk4/q77HaIjIDx0/s72-c/benjamim-poster03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-6758929578955283674</id><published>2010-04-18T22:08:00.000-03:00</published><updated>2011-03-09T19:25:12.969-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>O preço do abandono</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:black;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/S8xi9NX1WrI/AAAAAAAAAkw/8J4gDoBjeg4/s1600/Lute_area_de_risco_thumb%5B2%5D.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 258px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461849251794737842" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/S8xi9NX1WrI/AAAAAAAAAkw/8J4gDoBjeg4/s320/Lute_area_de_risco_thumb%5B2%5D.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;C&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;entenas de mortos, milhares de desabrigados, não sei quantos desaparecidos ou soterrados. Você e eu já vimos esse filme. Ele se repete todos os anos, numa espécie de déjà vu do caos anunciado. Irresponsavelmente, as autoridades continuam com a mesma política de sempre: só aparecem para recolher os corpos e jogar os sobreviventes em ginásios de esporte. Neste país, entretanto, a catástrofe humana que é morar em áreas de risco ou não ter onde morar não é um problema novo. É mais antigo do que a posição de... Bom, vocês sabem.&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Não pretendo usar aqui os números reais das recentes tragédias do Rio de Janeiro e de outros estados brasileiros. Por uma razão muito simples. Mesmo se “apenas” uma única família tivesse morrido nos deslizamentos, nós já teríamos uma perda irreparável e injustificável, além de motivos suficientes para uma revolta armada. O número assustador de vítimas revela, tão somente, o quão pesado é o preço do abandono. Contudo, a conta do descaso nunca é paga por quem abandona, mas por quem é abandonado. E como mostrou emblematicamente o Rio, paga-se da pior forma possível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Agora, como mais um requinte de sadismo, as autoridades responsáveis pelas tragédias – me refiro aos três patetas: Lula, Sérgio Cabral e Eduardo Paes – resolveram culpar os que moram nos morros pelas desgraças. Quer dizer, as pessoas que vivem em encostas, favelas e áreas de risco em geral fazem isso por vontade própria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;- Por que o senhor decidiu construir o seu barraco aqui nesse morro?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;- Porque eu quis, ora. O governo até me ofereceu uma casa em um condomínio de luxo, mas eu recusei. Bom mesmo é morar em casa de lona, no meio das encostas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- Mas o senhor não sabe que tudo pode desabar a qualquer momento?! Ainda mais com essas chuvas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;- Sei sim. Claro que sei.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;- E então, meu senhor?! Por que você não sai daqui?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;- Porque eu gosto de viver perigosamente, entende? Aqui a adrenalina é constante, praticamente um esporte radical. Sempre que chove, vem aquela tensão, sabe? Muito maneiro, cara! É uma sensação incrível saber que sua casa pode desabar enquanto você e sua família dormem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;- Mas isso é uma loucura!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;- Loucura? Você não viu nada, cumpade! Bom é quando começa a chover e a entrar água e lama dentro de casa. A gente, que já não tinha nada, perde tudo. E a correria? Radical! Todo mundo tem que sair correndo de dentro de suas casas. Aí já viu, né? Os mais lentos... babau. A gente vive assim, em encostas e morros, porque a gente gosta. O nosso negócio é o perigo, é o desafio. Sabe como é, né? Brasileiro não desiste nunca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Agora, responda você aí, que está lendo esse texto. O que impede o governo de retirar a população pobre das casas localizadas em áreas de risco? Falta de dinheiro? Parece que não. Pelo menos não faltou dinheiro quando Lula entregou R$ 370 bilhões a empresários e banqueiros durante a crise econômica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Recentemente, Dilma Rousseff afirmou que, em uma década, seria possível acabar com a pobreza e o déficit habitacional do país. O PT de Lula e Dilma e o PSDB de FHC e Serra passaram quase duas décadas no comando do Brasil. E não resolveram. Sobre Marina e Ciro Gomes eu nem falo, que é pra não ter dor de cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;Karl Marx costumava dizer que a História se repete. A primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Mais um ponto para o alemão.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-6758929578955283674?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/6758929578955283674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=6758929578955283674' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6758929578955283674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/6758929578955283674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/04/o-preco-do-abandono.html' title='O preço do abandono'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/S8xi9NX1WrI/AAAAAAAAAkw/8J4gDoBjeg4/s72-c/Lute_area_de_risco_thumb%5B2%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-7368319360385366299</id><published>2010-04-06T12:58:00.000-03:00</published><updated>2011-03-09T19:26:13.534-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Aquele estranho bilhão que nunca chega</title><content type='html'>&lt;span style="LINE-HEIGHT: 115%"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/S7tc0CWLstI/AAAAAAAAAkY/vTBcGNPeSKw/s1600/tio-patinhas-690f8.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:180%;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5457057422542353106" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/S7tc0CWLstI/AAAAAAAAAkY/vTBcGNPeSKw/s320/tio-patinhas-690f8.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:180%;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;m março, a revista americana Forbes divulgou a sua tradicional lista anual de bilionários, aquela minoria absurda da qual você e eu nunca faremos parte. O Brasil, graças ao empenho e à política econômica do presidente Lula, possui o maior número de ricaços da América Latina. São 18 brasileiros com fortunas acima de US$ 1 bilhão, reinando absolutos sobre quase 190 milhões de homens e mulheres comuns, cheios de dívidas e contas atrasadas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Segundo a revista, o brasileiro mais rico é o empresário Eike Batista, que acumula uma bobagem monetária de US$ 27 bilhões. E o mais absurdo: em apenas um ano, o patrimônio de Batista aumentou US$ 19,5 bilhões. Nem nos melhores sonhos os trabalhadores brasileiros imaginaram seus salários subindo nessa proporção. O povo deve agradecer a Lula pelos R$ 510 do salário mínimo e pelos R$ 120 do Bolsa Família. Enquanto isso, Batista também agradece ao presidente, só que pelos bilhões. Nunca antes na história desse país a distribuição de renda foi tão bem feita. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A lista da Forbes aponta, ainda, o mexicano Carlos Slim, do ramo das telecomunicações, como o homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 53,5 bilhões. Agora, o detalhe mais importante dessa festa toda. Dos quase sete bilhões de habitantes do planeta, apenas 1.011 concentram uma riqueza bilionária. Destes, somente os dez mais ricos possuem juntos a bagatela de US$ 342 bilhões. Quer dizer, ou aquela história de que o capitalismo dá oportunidades iguais a todos é conversa pra boi dormir ou o mundo está repleto de incompetentes que não sabem aproveitar as chances da vida. Fico com a primeira opção. De uma forma ou de outra, você e eu continuamos contemplando aquele estranho bilhão que nunca chega.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Obviamente que estas cifras estratosféricas não surgiram do nada. Alguém precisou gerar toda essa riqueza. E, claro, quem a gerou sequer foi convidado a tirar uma lasquinha, visto que nunca tivemos tantos famintos, desempregados e mal pagos como hoje. Se você ainda não sacou quem criou toda essa riqueza da qual estou falando, vou dar uma dica: vivem de salários e são a maioria da população.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Quando eu era mais jovem, me disseram que enriquecer licitamente sob o capitalismo era impossível. Agora entendo o porquê.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;---------------------------------------------------//-------------------------------------------&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;Obs.: Em decorrência do excesso de ovos de Pás&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:medium;"&gt;coa, este cronista só pode postar sua crônica hoje, e não no domingo como de costume.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1597280535424061822-7368319360385366299?l=ascronicasdojoao.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/feeds/7368319360385366299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1597280535424061822&amp;postID=7368319360385366299' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7368319360385366299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1597280535424061822/posts/default/7368319360385366299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ascronicasdojoao.blogspot.com/2010/04/aquele-estranho-bilhao-que-nunca-chega.html' title='Aquele estranho bilhão que nunca chega'/><author><name>João Paulo da Silva</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11615843377564538559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/Sr0Holb3BXI/AAAAAAAAAe4/tLxAp89Jriw/S220/joao+p+e+b.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/S7tc0CWLstI/AAAAAAAAAkY/vTBcGNPeSKw/s72-c/tio-patinhas-690f8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1597280535424061822.post-4962660730893414605</id><published>2010-03-28T10:22:00.000-03:00</published><updated>2010-04-07T18:45:46.698-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Política'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Corrupção'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Mata de orgulho</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Por João Paulo da Silva&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/S69a6zxNxPI/AAAAAAAAAkQ/2Imwg-4NQh4/s1600/19_MHG_pais_maluf_01.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; FLOAT: right; HEIGHT: 205px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453677640144504050" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_dufrFkEMsCo/S69a6zxNxPI/AAAAAAAAAkQ/2Imwg-4NQh4/s320/19_MHG_pais_maluf_01.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;H&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;á algum tempo o Brasil é motivo de orgulho. Para os ricos, é claro. A Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, por exemplo, a serem realizados em terras tupiniquins vão encher de ilusões os olhos do povo, e de “money” os bolsos dos magnatas. A entrega, feita por Lula, de R$ 300 bilhões dos cofres públicos para salvar empresários e banqueiros da crise econômica também foi motivo para morrer de orgulho. Só quem perdeu o emprego e continua na rua da amargura sabe do que estou falando. Entretanto, o país já tem outra
